Translate

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Olá pessoal, tenham um bom dia.
Para hoje, deixo um conto “Cemitério”.
Tem também um texto bem legal sobre o livro, uma poesia de Pablo Neruda no Cantinho da Poesia e a programação do Festival Sesc Melhores Filmes 2012, que começa hoje, veja os filmes que estarão em cartaz.
Espero que gostem e se divirtam.
Um abração,
Miriam


Conto
Cemitério


A noite foi chegando e o rapaz já se preparava para mais uma noitada.
O jovem, que deveria ter uns 19 anos, pegava sua mochila e o pé de cabra e partira para mais um roubo.
Calmamente ele caminhava pelas ruas para sua nova empreitada no cemitério central. Não tinha pressa, pois quanto mais tarde chegasse a seu destino melhor seria para que ninguém o visse entrar.
Passou na porta do cemitério observando e estava tudo calmo pela vizinhança. Aquela seria uma noite de sorte para o rapaz. 
Mesmo assim, ele preferiu entrar no cemitério pelos fundos, para não chamar a atenção de quem passasse naquela hora.
Conseguiu pular o muro com a maior facilidade. Caminhava por entre os túmulos em busca de algo fácil de roubar e de carregar.
Já tinha conseguido duas placas de bronze quando viu um vulto passar correndo.
        Correu atrás por entre os túmulos para não ser visto, mas o vulto havia desaparecido. Cheio de pavor, pegou a mochila e resolveu encerrar a noitada.
        No mesmo horário na noite seguinte, lá estava ele pulando o muro do cemitério.
        Quando o rapaz já havia terminado de pegar mais alguns objetos das campas, viu o vulto passar novamente. Era uma mulher, alta e com roupas claras. O jovem não teve tempo de se esconder, pois a moça apareceu bem na sua frente. O rapaz, com o coração à boca, ficou paralisado de medo.
— Você está aqui toda noite roubando. — Dizia a moça de olhar profundo para o rapaz.
O jovem engolindo em seco, respondeu. — Venho porque preciso.
Ele não deixou que a moça falasse, pois saiu correndo.
Pelo caminho foi pensando na aparição, que veio para questioná-lo e interrogá-lo, como se fosse um chefe de polícia. Acho a situação muito estranha e resolveu deixar passar dois dias para um novo roubo.
Novamente o ritual do assalto ao cemitério e o jovem estava lá com sua mochila.
Ele nem teve tempo de procurar por nada, pois a moça apareceu novamente intimando.
— Você aqui novamente? Ainda não se cansou de roubar? — Ia falando ela, cercando o rapaz.
— Chega, gritou o rapaz. O que você quer? Por que não me deixa em paz? Porque cismou comigo? — Falava ele sem paciência e já sem medo algum.
— Eu quero que você saiba que isso não é certo, pois você está importunando os mortos e saqueando as campas. — Falava ela, bem impaciente.
        — Além do mais, quero ver se você vai roubar a si próprio. — Disse a moça, desaparecendo.
        Atordoado o rapaz fitou-a, sem nada entender.
— A mulher, vendo a situação, desistiu da discussão. Chegou perto do rapaz e falou-lhe baixinho: jazigo 11, campa 37. Logo após, desapareceu.
O jovem pegou sua mochila e foi embora. No caminho foi relembrando a conversa e não conseguia entender o que ela havia falado. Com o pensamento remoendo, ele resolveu retornar ao cemitério.
Pulando o muro novamente, o rapaz andou pelos corredores a procura do endereço deixado pela moça.
Caminhava devagar com a respiração ofegante pela ansiedade do que viria pela frente.
Seja o que for, eu enfrentarei, pensava ele.
Chegando no jazigo 11, o passo diminuiu. O jovem andando bem devagar, nem precisou procurar pelo número. Ao chegar perto da campa, começou a se lembrar do passado, dos dias de roubo no cemitério, da polícia se aproximando, do tiroteio e de seu último suspiro de vida.
Neste instante, a mochila caiu-lhe dos ombros e o rapaz desapareceu.

----------------------------
O livro, um parceiro essencial

O livro toma seu lugar de destaque nas prateleiras das livrarias e chama ainda mais atenção das crianças quando vem acompanhado de algum objeto que a mesma pode brincar e interagir. O livro agora é também um brinquedo, além de auxiliar na prática da leitura, torna esses momentos de grande diversão e descoberta.
Para aproximar a criança do mundo da escrita pesquisadores e educadores tem percebido o quanto é fundamental ainda na primeira infância o contato com esse material, ainda bebês, eles apertam em botões que fazem sons dos animais, observam figuras, podem sentir e apalpar os livros de pano e banho, fazendo dessa convivência algo natural, que acompanhará para toda a vida. Quanto mais cedo o contato com o livro melhor. A criança cria uma afinidade, se acostuma a ter o hábito de interagir com aquele material chamado “livro”, sem ser uma obrigação, sem trazer um pesar, mas sim um prazer, um momento lúdico, cheio de brincadeira.
Tudo para a criança é brincar, em tudo ela cria uma brincadeira, e por isso, o livro não pode se distanciar da sua realidade.
A criança encontra hoje nos livros o que ela mais gosta, ouvir histórias e brincar, ele torna-se um parceiro essencial na infância, na rotina diária de todas as crianças.

-------------------------------
Festival Sesc Melhores 
Filmes 2012

Começa hoje a 38ª edição do Festival SESC Melhores Filmes 2012. Em Santos, o evento tem uma novidade: as sessões acontecem, especialmente dessa vez, no Roxy do Pátio Iporanga. A abertura é hoje, com exibição – para convidados - de “Girimunho”, e a programação será retomada de 10 a 19 deste mês, dez dias seguidos, sempre às 16h15 e 20h15, com preços populares: R$ 4 (inteira), R$ 2 (meia). Matriculados comerciários não pagam. A venda de ingressos inicia dia 1º, apenas na bilheteria do Cine Roxy.
O Festival Sesc reúne algumas das principais produções exibidas no Brasil ao longo de 2011, segundo o público e a crítica. Serão exibidos filmes no formato digital e também em 35 mm, em uma grade bastante intensa, com 20 filmes em 10 dias.
Acompanhe a programação:
Filme de Abertura:
Girimunho: 04/04. Quarta, às 19h30.
Melancolia: 10/04. Terça, às 16h15.
O Palhaço: 10/04. Terça, às 20h15.
Saturno em Oposição: 11/04. Quarta, às 16h15.
Riscado: 11/04. Quarta, às 20h15.
As Canções: 12/04. Quinta, às 20h15.
Triângulo Amoroso: 12/04. Quinta, às 16h15.
Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual: 13/04. Sexta, às 16h15.
O Garoto da Bicicleta: 13/04. Sexta, às 20h15.
Bahêa Minha Vida - O Filme: 14/04. Sábado, às 20h15.
Rock Brasília - Era de Ouro: 14/04. Sábado, às 16h15.
Cisne Negro: 15/04. Domingo, às 20h15.
O Mágico: 15/04. Domingo, às 16h15.
A Árvore da Vida: 16/04. Segunda, às 20h15.
Homens e Deuses: 16/04. Segunda, às 16h15.
A Pele que Habito: 17/04. Terça, às 16h15.
Cópia Fiel: 17/04. Terça, às 20h15.
Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas: 18/04. Quarta, às 16h15.
Um Conto Chinês: 18/04. Quarta, às 20h15.
Meia-Noite em Paris: 19/04. Quinta, às 20h15.
Trabalhar Cansa: 19/04. Quinta, às 16h15.

--------------------------
CANTINHO DA POESIA

Cem sonetos de Amor
Pablo Neruda


É BOM, amor, sentir-te perto de mim na noite,
invisível em teu sonho, seriamente noturna,
enquanto eu desenrolo minhas preocupações
como se fossem redes confundidas.

Ausente, pelos sonhos teu coração navega,
mas teu corpo assim abandonado respira
buscando-me sem ver-me, completando meu sonho
como uma planta que se duplica na sombra.

Erguida, serás outra que viverá amanhã,
mas das fronteiras perdidas na noite,
deste ser e não ser em que nos encontramos

algo fica acercando-nos na luz da vida
como se o selo da sombra assinalasse
com fogo suas secretas criaturas.



Nenhum comentário: