Asas negras
Celine em poucas semanas perdeu o emprego e também
o namorado. Desolada e tomando antidepressivos, foi passar uns dias na fazenda
dos tios.
Os sons da natureza a
deixavam confusa. Certo dia eles tiveram que sair e Celine preferiu ficar e
descansar.
— Que barulho é esse? –
Pensava a moça, que pulou da cama e nada via da janela, pois anoitecera.
Atormentada por grunhidos e assovios altos, a jovem se desesperou e tomou mais
remédios. Escutando sons ainda mais altos, Celine não se sentiu segura na casa
e saiu correndo para pedir ajuda.
Tremendo da cabeça aos pés se viu perseguida por
várias asas negras que voavam sobre ela. Gritando ela entrou no rancho.
Escondida, viu corvos emitindo sons monstruosos lá dentro. Desesperada e
tentando fugir novamente, a moça tropeçou e caiu.
Ao retornarem, procurando por Celine, os tios a
encontraram ensanguentada no rancho, dizendo que fora atacada por corvos, que
emitiam vários grunhidos.
— Mas nós estamos no Brasil! Lamentou a tia.
--------------------Mistério na estrada de ferro
— Não haverá congresso amanhã Carlos, que tal
conhecer a estrada de ferro que leva à Morretes? Dizem que o passeio de trem é
famoso aqui em Curitiba e tem muitas histórias!
... A guia do vagão explicava sobre a ferrovia,
feita de
No hotel Carlos descarregou as fotos e os homens
não apareceram em nenhuma delas. Atônito contou aos amigos. “O guia Renato e
eu, quando chegamos perto dos homens ...”
— Guia Renato? Só tinha uma guia em nosso vagão, a
Kátia, quem é esse outro? Os amigos olharam para Carlos sem nada entender. Ele
já não andava bem nos últimos dias.
Ele correu para as fotos e também o guia não
aparecera em nenhuma. Com
o pensamento latente em provar que dizia a verdade, Carlos foi à estação.
— Sim, pela descrição é o guia Renato. Nossa, ele
já faleceu há cinco anos. Estar no trem com as pessoas era a vida dele. Como
não pôde mais retornar, ele ficou desgostoso e ...
Carlos não escutou mais nada. À noite foi encontrado
pelos amigos,
totalmente perdido.
--------------------Festa de Halloween
Bárbara
era uma garota muito estranha e vivia exclusa de todos. Os amigos da escola a
convidaram para a festa de Halloween. Por insistência, Bárbara aceitou o
convite.
Porém, os colegas, na verdade, queriam
pregar uma peça a ela, esse era o intuito. — Ela terá uma festa inesquecível! –
Disse uma das garotas, já se preparando para o “batismo” de Bárbara.
Na
grande noite, o pessoal da classe estava a espera de Bárbara no salão de
festas.
Nisso
a garota surge radiante em um vestido longo negro, os cabelos ao ombro,
mascarada e com um saquinho escrito “feitiços”. Era uma fantasia esplendida! É
claro que ninguém a reconheceu, mas a presença sedutora mexeu com a cabeça dos
rapazes e ela desfilou chamando a atenção de todos.
...
Na
manhã seguinte, o jarro de ponche estava vazio e ao chão, garrafas de bebidas
quebradas, o salão destruído; parecia que havia passado por um tornado ou coisa
parecida. Um a um os corpos foram levados. Os estudantes estavam irreconhecíveis,
como se algo tivesse sugado toda a energia da turma de jovens, algo
inexplicável!
Bárbara
mudou-se para outro lugar e continuava timidamente solitária. Ela aguardava com
ansiedade a próxima festa de Halloween.
----------------------------------A Festa
— Hoje a noite promete! — disse Roberto para seu
amigo Carlos. — Nossa não pensei que essa festa fosse ser assim tão badalada e
com tanta gente bonita.
— Nem eu. — disse Carlos. — Você notou como tem muito
mais garotas do que rapazes?
— Sim. — disse Roberto, com os olhos brilhantes de
tanta emoção. — Vamos nos deliciar com tantos pescoços macios e suculentos!
— Epa, já é quase meia-noite! Meu copo está vazio,
vamos para o salão — Exclama Carlos, todo animado e no ritmo da dança.
— Ei, espera aí! — Chama atenção Roberto, apontando.
— Está vendo aquela garota parada lá embaixo encostada no poste? É aquela
mesma, com uma boca carnuda e vestido negro. Ela está mirando para cá, acho que
conseguiu me ver! A festa pode esperar. Voarei até ela e planarei em seu
pescoço, pois não posso perdê-la! — acrescentou Roberto, com os olhos já
avermelhados.
— Vou entrar e beber mais vinho e começar atacar a
mulherada... — finalizou o amigo Carlos, dando de ombros para a moça no ponto
de ônibus, pois no salão havia muito mais mulher para beijar.
... No dia seguinte, estampada na capa de todos os
jornais aparece um jovem morto, de uns 19 anos, todo ensanguentado e com vestes
de vampiro.
O rapaz se atirou do 17º andar pensando que poderia
voar!
Ele foi mais uma vítima de bebidas e drogas em uma
festa de calouros na Avenida Paulista.
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Terror no museu
Os visitantes já haviam deixado o
museu e os funcionários se preparavam para fechá-lo. As luzes se apagam. O
ladrão sai do banheiro e caminha para a sala de segurança para alterar o
controle das câmeras e desligar alarmes. Era um bandido profissional.
Rapidamente percorre o local e pega
quadros e peças de arte. Vai para uma das salas onde continha objetos mais
raros.
Lá estava ela a sua espera. Era
maravilhosa!
A porta da sala, toda enfeitada, já
era de enfeitiçar e ao abri-la, o ladrão parou boquiaberto com a riqueza e
beleza do local. Um lugar inimaginável!
Ao entrar, o bandido se depara com um
colar de diamantes.
Ao pegá-lo, nota que as luzes começam
a piscar sem parar. De repente, se aproxima devagar uma bela dama com um
vestido longo, cabelos cacheados à cintura, usando chapéu e com o mesmo colar
no pescoço. Nisso, um homem também da época entra na cena agarra a mulher e
começa enforcá-la para roubar a joia.
Assim como na cena, o ladrão sente-se
sufocado. Já quase sem ar e tossindo, cambaleando ele joga o colar ao chão.
A cena desaparece como por encanto,
mas o ladrão não desiste.
Continua andando pela sala e avista
um baú.
O bandido chega perto e o fica
admirando, com receio; porém, não resiste e com mãos trêmulas, abre a tampa.
Seus olhos misturaram-se com o brilho das moedas de ouro que estavam lá dentro.
Ao arrastá-lo do lugar, sente as mãos
queimarem. O ladrão se afasta do baú com as mãos doendo.
Mais uma vez as luzes da sala começam
a piscar.
Desta vez, aparece um centurião com
uma espada.
O ladrão sai correndo derrubando tudo
o que está a sua frente e quando está quase na porta da sala, o centurião o
puxa pelos ombros.
O ladrão cai no chão e o centurião se
aproxima dele e numa tremenda rapidez, corta-lhe as mãos com a espada e
desaparece.
Ensanguentado e gritando, o ladrão se
arrasta tentando escapar.
...
No dia seguinte os funcionários
encontram os objetos jogados por toda a parte.
Vasculham o museu.
Pelos corredores, um rastro de
sangue. Perto da porta de saída, um corpo mutilado.
Paulo e Roberto conduziram o grupo até o alojamento
e retornaram para a Trilha do Betari; de volta à caverna de Santana e ansiosos
para ultrapassar os 800
metros permitidos.
— Ei Paulo, já estamos aqui há mais de 60 minutos,
minha lanterna está começando a falhar e ... De repente o breu tomou conta. Na
pressa, esqueceram as pilhas reservas. Sem saber o que fazer, os rapazes
começaram a retornar pelo caminho, tatiando na imensa escuridão. Com muitas
galerias e labirintos e repleta de estalactites e estalagmites, até com
iluminação é difícil percorrer. Um estrondo e um grito... Roberto havia caído e
teve fratura exposta em uma das pernas.
— Paulo, o que vamos fazer agora cara? Eu não me
lembrei de avisar o grupo.
— Eu também não. É melhor você permanecer aqui e eu
vou tentar sair e trazer ajuda...
Depois de três dias policiais e moradores
conseguiram achar os rapazes. Um deles estava morto próximo da saída, havia
batido a cabeça e com a perda de sangue, morrera em baixo de uma estalactite. O
outro, mais longe, falecera do mesmo jeito.
— Não consigo entender, dois guias experientes. Por
que tanta irresponsabilidade?
— É seu guarda, falou o morador rural, chegou a
hora deles e quando Deus chama, não tem explicação!
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No leito de morte
A família reunida no quarto do
hospital aguarda, com lágrimas nos olhos, a despedida da matriarca, a última
herdeira de uma riqueza cobiçada.
No leito de morte a avó chama todos
para suas últimas palavras.
— Sei que todos vocês vieram se
despedir de mim, — dizia a senhora, apontando e falando o que deixara para cada
um.
Os familiares não disfarçavam o
semblante de indignação com os bens deixados pela matriarca, mobílias e carros
antigos.
— Como religiosa que sou, — falava a
velhinha sobre sua fortuna, — deixo todos os meus bens ao ex-padre Roberto, que
hoje é meu marido e que nos últimos dez anos me foi muito amável atendendo
todos os meus pedidos... — finaliza a avó, segurando a mão do ex-pároco, um
quarentão alto, moreno, porte atlético e de um sorriso cativante.
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O Gato
Estava no segundo ano da graduação
de História quando ganhei um lindo gato preto de aniversário. O gato era enorme
e tinha olhos cor de mel, impressionantes.
O gato, por sua vez, não me largava
o tempo inteiro, era de irritar.
Estava numa noite fria de inverno
quando eu comecei a pesquisar sobre Bastet, a deusa gata da mitologia egípcia. A
história me encantou e não notei quando o gato estranhamente ficou me encarando
e seus olhos, agora imensos e profundos, me hipnotizaram. Fui me largando na
cadeira, meu corpo ficando pesado e minha mente divagando...
Não notei quando a bela mulher negra
entrou e me levou para a cama. Ela era maravilhosa e eu me senti em outro
lugar, não era o meu quarto e nem minha casa, era um palácio com muitos tapetes
e cortinas brancas e estatuetas ornavam o ambiente.
Acordei com o sol batendo em meu
rosto. Estava exausto e com a energia sugada.
— Você está horrível, o que
aconteceu? — disse minha namorada segurando duas garrafas de vinho deixadas no
criado-mudo e apontando para os lençóis rasgados.
Tentei falar-lhe, mas seria em vão. Olhei para o cesto
em um canto do quarto e lá estava ele, mas que na verdade era ela, a minha misteriosa
gata preta, que ocultava um segredo que só eu poderia compartilhar.
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O amigo
No verão de 1990, eu resolvi como colunista sobre
assuntos extraordinários de uma revista, desvendar o caso do “homem pequeno” da ilha de Sumatra, Indonésia. Convenci o
editor e fui com um antropólogo, partimos em um mês.
Foram dias de tentativas, entrevistas das
mais bizarras e pesquisas sobre a criatura. Depois de 25 dias, estávamos
desistindo, mas tentei pela última vez. Fui sozinho com um guia para o sudoeste
da ilha.
Andávamos por uma trilha no meio da mata.
De repente, avistei pegadas estranhas de pés muito largos. Estava próximo,
pensei. De repente, o tempo mudou e raios ecoaram pela floresta. O guia se pôs
a correr e eu atrás. Escorreguei e rolei para longe da trilha. Todo machucado,
desmaiei.
Acordei em uma caverna. Deitado, sentia
que alguém cuidava de meus ferimentos. Na penumbra, vi que o ser tinha uma
cabeleira espessa e cerrada até o meio das costas num corpo todo peludo. O
forte cheiro me fez desmaiar novamente.
Acordei, desta vez, em um hospital.
Ninguém acreditou em minha história, que
não foi publicada, mas ainda carrego em meu peito um colar feito de ervas, deixado
por um amigo...
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Luzes Brilhantes
Anna retornava da escola num fim de tarde nublado
naquele começo de inverno de 1982. Ela entrou pelo corredor da vila particular
onde morava, no Jardim da Saúde,
A luz alternava do branco para o amarelo claro. A luz
era brilhante e imóvel, como um círculo reluzente. O que chamou mais a atenção
da moça foi o fato da luz se esconder nas nuvens ao passar um avião; e quando a
aeronave se afastava, lá estava ela brilhando no mesmo lugar.
A jovem ficou ali imóvel observando até a luz
desaparecer.
O fato seguiu-se por alguns dias.
Numa certa noite, a jovem retornava do colégio quando
viu o círculo luminoso reinar no céu. Seus olhos ficaram hipnoticamente fixos
naquele brilho, que começou a mover-se e a ficar maior. Estava se aproximando,
vindo devagar, e ficando mais reluzente. Anna, trêmula, permanecia imóvel com
seus olhos arregalados. A luz desceu mais e mais em sua direção, até ela ser
totalmente absorvida... A estudante nada contou a ninguém.
Agora quando a luz desponta no céu, Anna sente-se
fazer parte dela.
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O banquete
A parada da diligência na praça principal da vila
despertou interesse pelos moradores do lugar, que acompanharam silenciosamente
o desembarque de William. De porte atlético e bem vestido, o misterioso homem foi
o assunto daquele pacato domingo, pois há anos ninguém visitava a cidade. William
se hospedou numa pensão.
Ao caminhar pela vila, sentia-se observado por todos.
Era uma gente esquisita, vestida de negro e com olhares famintos. Seguiam-no a
todo instante.
Depois de dias fizera amizade com os moradores, que
pareciam ser outras pessoas. As noites na taverna tornaram-se mais agradáveis.
Numa daquelas noitadas, fora convidado para um banquete.
Chegando a casa a porta já estava aberta e aguardavam
por ele. William foi muito bem recepcionado. Depois de tomar tanto vinho,
anunciaram que o jantar estava servido.
As luzes se apagaram.
Na escuridão, William ouviu falas e sussurros...
Os participantes da festa queriam William.
Voaram sobre ele rasgando suas roupas.
Gritos, vidros e sangue por todo o lado noite afora...
...
Ao amanhecer, o silêncio tomou conta da vila.
Na estrada, uma carruagem se aproximava.
Na praça, um homem aguardava.
Antes de entrar na carruagem, William olhou para o
céu e despediu-se da lua que partia...
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Trem fantasma
Sempre tivera medo de cemitério, filmes de terror e
tudo do gênero. Era o garoto medroso da rua. Para acabar com o pavor ele
apostou que andaria no trem fantasma.
Rogério enfim encarou o brinquedo. Com o coração na
mão tomou coragem e partiu para o carrinho. Os amigos de longe acenaram para
ele. Ao passar pela cortina que se abriu ao som da música tenebrosa, Rogério
sentiu um frio na espinha. O carrinho prosseguia e no escuro, as criaturas
apareciam diante de seus olhos. A garganta secara. A cada curva um monstro
diferente vinha em sua direção para agarrá-lo. Suava frio. Lentamente começou a
subir e o primeiro andar reservava as piores surpresas. De repente, o carrinho
parou. Gelado e com o suor escorrendo escutou passos em sua direção. O carrinho
não se movia. Saltou e correu pela escuridão. Os passos estavam mais próximos.
Algo segurou sua camisa.
Minutos depois os amigos aguardavam ansiosos do lado
de fora após terem arranjado toda aquela encenação dentro do trem fantasma, mas
Rogério não saiu.
Interditaram o brinquedo e começaram a vasculhar.
Em cima da tumba da múmia encontraram Rogério. Seus
olhos estavam arregalados e a cabeça ensanguentada.
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Agora ela
mesma tocava sozinha e a bailarina criara vida própria e seus passos eram
feitos fora da caixa.
Caixinha de música
Na festa de
regresso de seu tio, um rico empresário paulistano, que estivera seis meses na
Europa, Marcella ganhara de presente uma linda caixinha de música da
Inglaterra, toda enfeitada com fios de ouro.
Ao som da
caixinha a bailarina se destacava dançando graciosamente hipnotizando os olhos
de Marcella e sugando a sua energia.
Agora ela
mesma tocava sozinha e a bailarina criara vida própria e seus passos eram
feitos fora da caixa.
Marcella
cada vez mais fraca não tinha como evitar tudo aquilo principalmente a força
maligna da bailarina. Certa noite a moça escutou a música e sentiu a dançarina
sobre ela dominando o seu ser e entrando em seu corpo.
— Estou
presa, não consigo me mexer. Pensou Marcella ao acordar depois do terrível
acontecido com a bailarina na noite anterior e aos poucos, foi percebendo que
se tornara ela, a sua forma e estava dentro da caixinha.
...
— Não! O
grito de Marcella ecoou somente em sua mente, pois ninguém poderia ouvi-la. Se
debatendo, Marcella acordou. Suada notou que fora um pesadelo.
Desceu
rapidamente as escadas de sua casa com a caixinha de música e jogou no lixo o
lindo presente do tio, ainda aterrorizada pelo que aconteceu.
Respirou
aliviada, pois o caminhão do lixo estava para passar e assim a caixinha iria
embora para sempre.
...
Tentava
descansar quando acordou com um barulho vindo da rua. Olhou pela janela e viu
uma menininha rasgando o saco de lixo.
Nas mãos da
pobre criança, viu reluzente a caixinha de música...
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Noite de lua cheia
Acordou com
o sol batendo em seu rosto. A janela estava aberta e a cortina também. Viu que
suas roupas estavam rasgadas, sujas e jogadas por todo o quarto, assim como
objetos espalhados pelo chão. “Aquele pesadelo outra vez!”, sussurrou.
As dores de
cabeça recomeçaram e com elas, lembranças... Era uma moça loura correndo pelo
matagal. Ela gritava, mas ninguém conseguia ouvi-la! Atrás dela um bicho enorme
rosnando e babando. Correndo desesperada e olhando para trás, a moça tropeça e
cai. A criatura, em cima do corpo franzino da jovem, com um golpe certeiro de
suas garras, abre o peito dela ao meio. O enorme focinho vai chegando bem perto
do pescoço da moça ensanguentada, abre-se e...
Um tiro
certeiro, bem no meio do peito do monstro que cai para trás. Cambaleando e
longe da vítima ele tenta rastejar. O caçador se aproxima e dá outro tiro. O
bicho cessa e...
Game Over!
—
Maravilhoso meu rapaz! Que imaginação, é um jogo excelente! Foi você mesmo quem
escreveu a história e bolou toda a animação? Já está contratado, o emprego é
seu...
Francis sai
do prédio fascinado. Conseguira uma vaga na Capcom. Inacreditável!
Percebe os
raios de sol partindo. Olha para o céu e vê ao longe a lua.
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Dança
Sentia-se
nas nuvens! Aos poucos foi recordando da noite maravilhosa. Lembrava-se que
conhecera aquele “deus grego” no meio do salão. Dentre alguns copos de bebida,
de repente ele estava ao seu lado na pista de dança. Alto, moreno,
musculoso e dono de um sorriso de dar inveja a qualquer mortal, o belo
misterioso apertou-lhe o corpo junto ao seu e os dois dançaram a noite inteira.
Ele era rápido e voraz nos beijos e na dança. Movia-se sensualmente junto dela.
Mordia-lhe o pescoço e as mãos ágeis percorriam todo o seu corpo.
Estava
completamente entregue ao estranho e sentia-se atraída por ele. Aquele magnetismo,
o modo como ele a olhava. Nunca havia sido seduzida por ninguém. Ele tinha algo
de misterioso que a fascinara e ao mesmo tempo, a deixara louca...
... Tosse e
falta de ar. A garganta estava seca. Foi abrindo os olhos e apalpando...
Socorro!
Isso aqui não é uma cama.
Arranhava,
chutava, forçava com os pés. Tossia. Seu coração agora batia devagar e perdera
as forças. Os pensamentos divagavam-se em lamentos. Nãotinha
mais o que fazer. Ninguém sabia que ela estava ali, se debatera em vão! Nunca
conseguiria sair daquele caixão.
... Na
semana seguinte, no mesmo salão, uma garota sozinha se vê abraçada por um belo
rapaz na pista de dança...
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A viagem de Virgínia
Depois de dirigir por horas, o carro de Virgínia
simplesmente parou. Com o celular sem sinal, naquela estrada escura, ela não
tinha a quem recorrer. Após seis horas sem passar ninguém, o frio e o medo começaram
a tomar conta de Virgínia. Era quase meia-noite e a lua estava cheia. De longe
ela avistou faróis se aproximando e iluminando o caminho. Dois homens grandes
chegaram e rebocaram o carro dela até um posto mais próximo.
A tranqüilidade durou pouco. Logo Virgínia observou
olhares estranhos e risos sinistros. As conversas ela não mais as escutava. Trovões
ecoaram pela estrada, que parecia sem fim. Virgínia começou a ter calafrios e o
pavor a dominou. Não conseguia mais distinguir os rapazes, que a ela, não pareciam
mais humanos. Desesperada, ela saltou do carro quando chegaram ao posto e atravessou
a via correndo tentando escapar das criaturas. Um clarão surgiu em sua direção
e com o impacto, ela não viu mais nada...
- Pois foi isso que aconteceu seu guarda, explicava
um dos rapazes. Começou a chover e a moça saltou do automóvel assustada e
correu por entre os arbustos. Nós gritamos e tentamos alcançá-la, mas não deu
tempo, pois um raio a acertou em cheio. Coitada , ainda não entendemos o que a fez
agir assim...
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Estranha Paixão
Todas as
noites a jovem sonhava com o rapaz desconhecido.
Ele
apareceu nas comemorações de São Pedro. Belo e alto, ele trajava uma roupa
social branca e um chapéu da mesma cor. Muito falante e cordial, logo se
aproximou dela, que cedeu aos seus encantos.
Era o
príncipe que entrou somente uma vez nos sonhos da jovem tornando-a radiante, momentos
inexplicáveis em seus 17 anos. Mariana desde aquela noite não conseguia mais
esquecê-lo. Quem seria ele? Para ela não importava saber, nem mesmo o seu nome
ela conseguiu ouvir, apenas queria sentir a presença dele em seus braços e a pureza
de seu amor.
Nos
estudos, começou relaxar até que abandonou a escola. Que fantasia seria aquela?
A filha estaria louca?
A loucura
cessou depois de nove meses, quando nasceu o menino Pedro. Pouco se soube sobre
o paradeiro do pai da criança.
Dizem os
vizinhos que foi o Boto...
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Flashes da morte
Corro aqui e ali e o mesmo homem todo dia por ruas
escuras e mal cheirosas do Centro da Cidade.
Ruas e avenidas quartos e motéis homens e mulheres
vibrações negativas revoltas morte e cadáver.
Eu me deparo com ele em uma rua sem saída com grandes
latões de lixo e o silêncio absoluto. O homem bem vestido e com um chapéu negro
se aproxima de mim e pára na direção da rua, fechando minha saída. Não tenho
para onde fugir. Ele calmamente se aproxima. Agora posso ver seu rosto; um
sorriso sarcástico toma conta de todo aquele ser, que parece maior agora. Os
passos lentos ecoam e as batidas de meu coração aumentam a cada passada. Ele
parou. Lentamente tirou uma faca de dentro do terno. O brilho da lâmina ilumina
todo o beco. Ele vem se aproximando de mim... não tenho como escapar...
-Enfermeira chefe, emergência no quarto 514.
-Sua filha fica agitada assim nesse horário todas as
noites. Parece pesadelo, mas ainda não temos um diagnóstico concreto, senhora
Klaus. Não sabemos se ela acordará desse coma.
Na noite seguinte, o monitor cardíaco apita
novamente.
São 23 horas e 24 minutos...
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Do outro lado
Caminho tranquilamente por ruas desertas. O silêncio
e a escuridão refletem um mundo a ser desvendado. Penso em minha solidão!
Que frescor tem as madrugadas de outono.
Epa... Quanta gente correndo em minha direção. Surgiram do nada! São muitos e feios. Rostos
sisudos, sujos, tenebrosos! Estão me apontando!
Corro pelas ruas, olho para trás, mas eles continuam a
me seguir e a gritar! Corto caminho... Parece que os despistei.
Avisto o
prédio onde moro. Subo os três andares correndo e com o coração a milhão; não
paro de tremer e de imaginar aqueles seres horrendos.
Do corredor escuto o despertador me chamando. Isso me
deixa aliviada e as batidas fortes em meu peito vão voltando ao normal.
Entro em casa e caminho até meu quarto. Ao me
aproximar do relógio vejo alguém deitada em minha cama... O coração se acelera
novamente. Dou a volta e me deparo com meu rosto pálido e triste. O corpo, sem
vida. Ao lado dele, um frasco vazio de remédios para dormir.
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Alucinações
Quando deu por si, estava sozinha em casa. O marido havia saído
e como ela cochilava, ele não a acordou. Tentou não entrar em pânico. Ligou a
televisão para se distrair. Rodou quase todos os canais e nada a satisfazia. Com
o coração disparado, ela andava de um lado para outro, entrava e saia dos
cômodos, mas a sensação de que alguém a observava foi tomando conta de seus
pensamentos, de suas ideias, que já não distinguiam mais nada. De repente, a
casa ficou sem luz. Passos ecoavam do andar de cima.
Cambaleando e se arrastando ela caminhou até a
cozinha para pegar uma lanterna. As mãos tremiam demais e o equipamento caiu ao
chão, quebrando-se. Nisso, um vulto enorme passa pela copa. A mulher se
escondeu atrás da geladeira. Gélida e sem voz ela sentiu a presença da enorme
figura parada na entrada da cozinha e um som estridente tomou conta do lugar. A
pobre esposa num impulso saiu correndo pela porta da cozinha. Tropeçou nos
degraus, caiu e bateu com a cabeça.
Após o enterro, Renato foi para a casa de um tio.
Mesmo sendo esquizofrênica, Mariana fora sua eterna paixão. Consolado por ser
uma doença sem cura, ele tentava se restabelecer.
... Depois de uns dias o marido retorna a casa.
Encontra objetos quebrados por todo o quarto. Os batentes da copa e da cozinha
arranhados...
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Lugar escuro e sombrio seres horríveis! Monstros sem
cabeças seres rastejantes e grandes, sangue e perversidade. Correm atrás de
pessoas apavoradas de medo no meio da lama da sujeira e da brutalidade.
Uma moça que pula de um abismo faz aquilo todos os
dias. Seu rosto pálido e sem vida olha para o vazio da imensidão e ela se
atira. O corpo cai rapidamente o grito ecoa, todos param, e em minutos o mundo
infernal recomeça. Aqui, não há esperança para ninguém!
Almas vagando torturadas por seus pecados e corpos
amontoados como lixo!
Lembro-me de como vim para cá. Desgostosa com a vida,
tomei um frasco de remédio para dormir. Acordei neste lugar! Não sei quanto
tempo permanecerei, mas tenho certeza que será por um longo período.
Chegou a hora. Os vermes já estão à espera da
horrenda cena. Sedentos por ver a pobre pecadora, que a cada dia, reafirma sua
eterna estadia.
Aguardam com água na boca. Tudo cessou. Ela vem
caminhando devagar. Lágrimas escorrem por seu rosto. Ela passa por entre as
criaturas e continua andando. A mulher chega à beira do abismo...
Pára e sorri. Um sorriso iluminado.
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O beco
Correndo por becos escuros e com as mãos
ensanguentadas. Olha ao redor e só vê lixo, ratos e sujeira. Um lugar perfeito
para esconder-se. Atrás de latões ele aguarda por mais uma vítima. Um vulto se
aproxima, é uma prostituta que entra no beco para cortar caminho até a outra
rua. Ela caminha devagar e se distrai contando dinheiro.
Os olhos dele seguem a figura da mulher. Ela não
percebe. Com água na boca ele sente o frescor do pescoço dela. O perfume barato
da mulher aguça o olfato dele. Os olhos avermelham-se e a sede fica
incontrolável.
De repente ela escuta algo estranho e aperta o passo.
Ele também. A moça agora com a respiração ofegante corre em direção ao final da
rua. Ele consegue alcançá-la, empurra-a contra a parede, tampa sua boca e a
aperta em seus braços. Sob a capa negra, os dentes pontiagudos perfuram o
pescoço da pobre prostituta...
Acorda em sua cama. Depois de alguns minutos se dá
conta que está numa camisa de forças. Senta na cama e observa os médicos pelo
vidro.
Sua boca tem gosto de sangue...











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