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Autobiografia Precoce de Pagu

 

Olá, bom domingo a todos.

Hoje é dia de descanso e porque não um bom livro?

Como adoro a Pagu, deixo a dica, já que encomendei o meu exemplar. 

Autobiografia precoce é um relato emocionante sobre a vida de Pagu e único texto autobiográfico deixado pela autora.

 

Apresentação

 

Escrito em 1940, após uma das 23 vezes que Pagu sai da prisão, Autobiografia precoce fala sobre a militância política, os filhos, os relacionamentos e várias outras camadas da vida de uma das mulheres mais emblemáticas do Brasil.

O texto mostra Pagu sem subterfúgios, de forma sincera e corajosa. Do lado pessoal, ela relata sua iniciação sexual precoce e o conturbado casamento com Oswald de Andrade; da vida pública, ela conta sobre a militância no Partido Comunista e o desencanto com o regime soviético.

Patrícia Galvão quase sempre foi vista pela lente masculina: seja por seus relacionamentos ou por como sua arte se comparava à de homens da época. Em Autobiografia precoce, não existem intermediários: temos acesso a uma Pagu que escreve sobre si. Um livro essencial para se compreender uma das personagens mais intrigantes da história brasileira.

 

Capa: Elaine Ramos

Páginas: 144
Formato: 14.00 X 21.00 cm
Peso: 0.185 kg
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 02/10/2020

ISBN: 9788535933505
Selo: Companhia das Letras



Início do livro

 

Não escreverei aqui hoje sobre a morte ou sobre mortes. Quero escrever sobre a vida, pois há pequeninas flores sob as esbeltas palmeiras, é uma noite com certa aragem respingada finíssima e fria, e o visitante foi embora depois do Porto de honra em homenagem a… Devo guardar um pouco de modéstia. Lembrar, no entanto, a visita de Vida que você me fez, com o seu livro de notas da escola, os resultados de sua obstinação, depois de sessenta dias pregado na cama.

Agradeço, hoje, a visita de Vida que você me fez e a sua bondade, e os seus olhos, e o seu sorriso de criança. E fico pensando na vida das naus que partem deste porto de pedra, que se vão para os seus destinos pela costa, pelas enseadas, um amor em cada porto, um porto em cada trecho de areia, e o sonho que perseguem com as suas velas brancas abertas aos ventos, brancas velas de alvíssimas aves, o olhar audacioso bicando a cortina distante do horizonte. O mais, sim, o mais é a viagem.

 

Pagu

 


Escritora, jornalista e uma das grandes mulheres do movimento modernista brasileiro, essa foi Patrícia Rehder Galvão. Ganhou do poeta Raul Bopp o apelido Pagu, que se enganou pensando que seu nome era Patrícia Goulart e fez uma brincadeira com as iniciais. Bopp escreveu um poema para a então Zazá (apelido de Patrícia Galvão na infância) “O coco de Pagu”, e o apelido ficou.

Nascida em São João da Boa Vista em 9 de junho de 1910, Pagu mudou-se para a capital em 1912, aos 2 anos. Morou na Liberdade, no Brás, na Aclimação, na Bela Vista e em uma chácara no então município de Santo Amaro. Depois de breves períodos no Rio de Janeiro e em Paris, para fugir da repressão, encontrou sossego em Santos, onde morreu em decorrência de um câncer. Por conta da doença, Patrícia tenta suicídio, o que não se consuma. Sobre o episódio, ela escreveu no panfleto "Verdade e Liberdade": "Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas".

Diferente das moças de sua época, Pagu usava blusas transparentes, fumava na rua e dizia palavrões. Com 15 anos, passa a colaborar no Brás Jornal, assinando Patsy.

Apresentada aos artistas Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, Pagu aos 18 anos se integra ao movimento antropofágico, de cunho modernista. Após 2 anos casa-se com Oswald e tem seu primeiro filho, Rudá de Andrade. E então junto ao seu marido inicia na vida política, tornando-se militante do Partido Comunista.

 

Leia mais sobre a vida da autora:

https://www.infoescola.com/biografias/pagu/

 


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