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Sedução
Poesia de Adélia Prado

Olá amigos, bom início de semana a todos nós.
Hoje é segunda e dia da coluna Cantinho da Poesia, que conta com a ilustre Adélia Prado, representante brasileira do Modernismo.


A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.


Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.

(Do livro Bagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 60)

Adélia Prado
Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida apenas como Adélia Prado, nasceu dia 13/12/35, em Divinópolis, Minas Gerais. É poetisa, professora, filósofa e contista brasileira ligada ao Modernismo. 
Seus textos literários retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único.

Silêncio poético
A literatura brasileira, além de ser fortemente marcada pela presença de Adélia Prado, também foi marcada por um período de silêncio poético no qual a escritora "emudeceu sua pena". Depois de O Homem da Mão Seca, de 1994, Adélia ficou cinco anos sem publicar um novo título, fase posteriormente explicada por ela mesma como "um período de desolação". São estados psíquicos que acontecem, trazendo o bloqueio, a aridez, o deserto". Oráculos de Maio, uma coletânea de poemas, e Manuscritos de Felipa, uma prosa curta, marcaram o retorno, ou a quebra do silêncio. Rubem Alves refere-se a esses silêncios em A Festa de Babbete.

Poesia
Bagagem, Imago – 1975
O Coração Disparado, Nova Fronteira – 1978
Terra de Santa Cruz, Nova Fronteira – 1981
O Pelicano, Rio de Janeiro – 1987
A Faca no Peito, Rocco – 1988
Oráculos de Maio, Siciliano – 1999
Louvação para uma Cor
A duração do dia, Record – 2010
Miserere, Record - 2013

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