Bom dia
amigos. Lendo o jornal Opinião, achei uma matéria cultural muito interessante,
escrita por Bolivar Torres, e trouxe para vocês.
La poésie du Brésil’:
uma antologia inédita
Quatro séculos nos contemplam nessas páginas. A
tarefa de Max Carvalho, tradutor e poeta francês nascido no Rio de Janeiro, foi
das mais árduas. De Anchieta a Drummond, dos cantos de amor indígena aos
concretistas, ele selecionou, traduziu e contextualizou parte da nossa aventura
poética para o público francês. Antes de La poésie du Brésil (Edições
Chandeigne), o Brasil nunca havia ganhado uma perspectiva tão ampla – trata-se,
afinal, da primeira grande antologia de poesia brasileira publicada no país de
Molière. Recém-lançada na França, a edição bilíngue já está disponível em
livrarias de países francófonos, mas também do Brasil e de Portugal.
Com a ajuda dos tradutores Ariane Wikowski, Isabel
Meyrelles, Inês Oseki-Dépré, Michel Riaudel e Patrick Quillier, Carvalho
dedicou-se cinco anos ao projeto. No total, foram nada menos do que 130 poetas
distribuídos em 1500 páginas. Filho de cantores líricos brasileiros, Carvalho
mudou-se para Paris aos três anos de idade. Em 1992, resolveu “fugir para
o mato”, a bela e tranquila região de Cévennes, no sul da França, onde vive até
hoje. Adolescente, entrou em contato com a coleção de poesia na estante dos
pais (lia especialmente Bandeira, Cabral, Drummond), que despertou sua paixão
pela literatura brasileira. Vendo a falta de antologias gerais (além de
limitadas em seu conteúdo, a maioria está esgotada e só se encontra disponível
em bibliotecas ou sebos), empenhou-se no projeto quase solitário, que lhe
exigiu muita paciência.
Teria sido muito mais simples para Carvalho deixar
de lado tudo que veio antes do romantismo, negligenciando os mitos indígenas, o
Quinhentismo e as primeiras manifestações barrocas. Mas interessava ao tradutor
uma abordagem plurissecular, que se obrigasse a explorar uma arte a partir de
sua “infância”. É importante ressaltar que tais obras não foram incluídas
apenas com um simples interesse documental, e sim por seu valor artístico
intrínseco.
Por seu alcance e diversidade, o projeto assustou
muita gente. Apesar da ajuda de colaboradores, Carvalho se lançou praticamente
sozinho na tradução de obras de tempos e estéticas muito diferentes (ele
calcula ter traduzido cerca de oitenta por cento dos 130 poetas do
livro).
Seguindo a ordem cronológica e analisando nossa
evolução através de verbetes, a antologia acaba por lançar interrogações
inevitáveis sobre a identidade brasileira, mas também sobre a própria
legitimidade de sua tradução e organização: quando a poesia brasileira pode ser
considerada realmente brasileira? Em que momento, e através qual autor, se dá
início a sua expressão escrita? É legítimo incluir autores nascidos na Europa?
São questões que permearam o projeto de Carvalho, sem nunca chegar a respostas
definitivas. Como ele próprio afirma na introdução, a publicação não deve ser
vista como uma simples “obra coletiva” que segue piamente as leis das
antologias, mas sim como uma longa flanerie pela história poética do Brasil,
que inclui seus sentidos, seus odores, o deslumbre diante dos grandes espaços e
a descoberta das mais íntimas sensações.
A única frustração de Carvalho foi não ter
conseguido chegar aos contemporâneos. Nenhum poeta da antologia nasceu depois
de 1940. A
intenção do tradutor era chegar até os dias de hoje, mas foi vencido pelo
cansaço e o prazo que se esgotava.
O esforço titanesco de Carvalho certamente não foi em vão. A antologia vem
recebendo boa recepção na imprensa francesa nas últimas semanas. Para a
tradicional Magazine Littéraire, “este belo livro fará data”, pois incentiva
continuações: “Já conhecíamos Carlos Drummond de Andrade ou Haroldo de Campos,
mas aqui está Raul Bopp e seu sábio ‘primitivismo’, aqui está o
espirituoso Mario Quintana e o melancólico Augusto Meyer, dois poetas do Rio
Grande.
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Outro
assunto que também achei muito bom, compartilho com vocês:
Aulas virtuais oferecem
novas oportunidades
O
fornecimento de aulas na internet está transformando a educação superior e
oferecendo às melhores universidades a chance de ampliar o seu público, abrindo
oportunidades para as mais ágeis e ameaçando as instituições retardatárias e
medíocres.
As
raízes desta empreitada já existem há algumas décadas. A Open University da
Grã-Bretanha começou a ensinar via rádio e televisão em 1971; a Universidade de
Phoenix (instituição com fins lucrativos), no Arizona, vem ensinando online
desde 1989; o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e outros têm
disponibilizado aulas na internet há uma década. Mas a mudança em 2012 foi
eletrizante. Duas novas empresas de tecnologia, ambas geradas pela Universidade
Stanford, na Califórnia, estão recrutando estudantes a uma taxa impressionante
para “cursos online abertos em massa”. Em janeiro, Sebestian Thrun, um
professor de ciência da computação da universidade, anunciou o lançamento da
Udacity. A universidade começou a oferecer cursos no mês seguinte – um nanossegundo
nos padrões do processo de tomada de decisões de universidades tradicionais. Em
outubro, a Udacity angariou US$ 15 milhões de investidores e já conta com 475
mil usuários.
Em
abril, dois ex-colegas de Thrun, Andrew Ng e Daphne Koller, lançaram uma concorrente,
a Coursera, com US$ 16 milhões de capital de risco. Esta primeiramente oferecia
cursos online de quatro universidades. Em agosto, o site já contava com 1
milhão de estudantes, os quais já somam 2 milhões hoje em dia. O seu curso mais
bem-sucedido, “Como Raciocinar e Argumentar”, atraiu mais de 180 mil
estudantes. Harvard e MIT anunciaram que investiriam cada uma US$ 30 milhões
para lançar a EDX, uma iniciativa sem fins lucrativos para oferecer cursos de
universidades norte-americanas de primeira linha para alunos do mundo inteiro.
Outras universidades se uniram a esse esforço.
O
custo dos cursos pode ser diluído entre um enorme número de estudantes. Uma
única sala de aula virtual pode vir a acomodar 1,5 milhões de pessoas no
futuro. Milhares de mentes se conectam em fóruns de discussão, onde estudantes
no Peru, Finlândia ou Japão podem rapidamente responder as dúvidas de um
estudante em dificuldade, salientar pontos que não ficaram claros e até mesmo
corrigir os exercícios de seus colegas.
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