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Bom dia amigos.

Nesta semana, em homenagem ao aniversário de nascimento do escritor Machado de Assis, no dia 21, compartilho aqui na página contos, dicas de leitura e depoimentos sobre esse importante escritor brasileiro.

Acompanhe!

 

Sugestão de leitura

50 Contos de Machado de Assis

 

Um homem que tem o estranho prazer de torturar ratos, e encara a morte da mulher com a mesma satisfação; uma mulher tão obcecada em esconder a idade que impede a filha de se casar; um afortunado compositor de melodias populares que deseja desesperadamente escrever música clássica; um rapazinho de quinze anos que se deixa empolgar pela visão dos braços de uma mulher mais velha.

Essas são algumas das situações e personagens desta nova antologia de contos de Machado de Assis, que inclui textos famosos, mas também escolhas mais inusitadas, além de uma apresentação convidativa e de notas esclarecedoras.

Seja você é um aficionado pela obra de Machado ou apenas um entusiasta da boa literatura, a amplitude e sutileza desses escritos, o prazer que se extrai da maneira como as histórias são contadas e da observação de pequenos detalhes vão fazê-lo ler, reler e redescobrir um dos maiores escritores brasileiros.

Carlos Drummond de Andrade dizia que ler Machado era uma tentação permanente, quase como um vício a que tivesse de resistir: não há melhor lugar para se dedicar a esse vício do que este livro.

 


Conto de Escola, de 1896

Machado de Assis

 

A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant'Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão. 

 

Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro. Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes. 

Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinqüenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos. 

 - Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o filho do mestre. 

 Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinqüenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco. 

 - O que é que você quer? 

- Logo, respondeu ele com voz trêmula. 

Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 


POR SER UMA HISTÓRIA GRANDE, CONTINUA NA PÁGINA ACIMA, NO INÍCIO DO BLOG (CONTOS DE MACHADO DE ASSIS), JUNTO COM AS PÁGINAS CONTOS, MINICONTOS E CRÔNICAS



Depoimento do corretor de imóveis Adilson, acompanhe:

 

 

Adilson Luiz de Sousa fala sobre Machado de Assis

 

“Machado de Assis foi um excelente escritor, contista, romancista, deixando-nos uma vasta obra.

Gosto do estilo dele, de seu jeito irreverente de escrever suas histórias, sempre próximas a qualquer época.

Machado é atual, porque sua leitura vem sendo acompanhada por décadas. Ele foi um gênio da literatura, e mesmo assim, não conseguiu viver de suas publicações. Essa triste realidade acontece e aconteceu com tantos outros escritores brasileiros.

Dentre tantos romances, indico Dom Casmurro”. 

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