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O uso dos porquês
Coluna dicas da Língua Portuguesa

Ótimo dia a todos nós, férias terminaram, vamos trabalhar!
A coluna Dicas da Língua Portuguesa desta semana esclarece uma das mais corriqueiras dúvidas que é o uso dos porquês.
Para esclarecer de vez, consultei o professor Pasquale Cipro Neto por meio do site da BBC News Brasil.
Abraços,
Míriam

"Por que" separado 

“O ‘por que’ separado sempre pode embutir a palavra ‘razão’ ou a palavra ‘motivo’”, explica o professor.
Isso vale para perguntas diretas - “Por que você não foi?" vira "Por que razão você não foi?" e "Por que você não pagou a conta?" vira "Por que motivo você não pagou a conta?".
E também para frases terminadas com ponto final - “Você sabe por que eu ajo assim” vira “Você sabe por qual razão eu ajo assim” ou “Você sabe por qual motivo eu ajo assim”.
“E existe ainda um outro ‘por que’ separado", acrescenta Pasquale. “Lembra aquela música? ‘Só eu sei as esquinas por que passei’, lembra?”.
Com esse exemplo, ele explica que o “por que” também é separado quando equivale a "pelo qual", "pela qual", "pelos quais", "pelas quais".
No caso da música, a letra também poderia ser: “Só eu sei as esquinas pelas quais passei”.

 

"Porque" junto 

O “porque” junto é uma conjunção que indica causa, motivo, justificativa ou explicação.
Um exemplo: "Eu não fui porque estava doente".
De acordo com o professor, "Porque estava doente" é a oração que indica a razão pela qual ele não foi.
Nesses casos, o “porque” é junto e sem acento.
Com isso, é possível existir “porque” junto mesmo em frases que terminam com interrogação, como esta: “Será que ela está chateada comigo porque eu não fui ao aniversário dela?”
Alguns professores recomendam tentar trocar o "porque" junto por "pois". Se der certo, está correto o uso do "porque" junto.

 

Imagem pública
"Por quê" separado com acento 

O “por quê” separado e com acento é um “por que” separado localizado antes de uma pausa na fala ou na escrita.
“É preciso que haja uma pausa, um ponto final, um ponto de interrogação..." explica Pasquale.
Exemplo: “Por quê?”
Só isso. É o mesmo que perguntar "Por qual razão?", "Por qual motivo?".
De acordo com o professor, esse "quê" vira tônico na entonação. Assim, quando há um “por que” separado encerrando uma frase, ele ganha o acento e passa a ser “por quê”.

 

"Porquê" junto com acento

Nesse caso, o “porque” vira sinônimo da palavra "motivo".
O professor exemplifica: “Qual é o porquê de tanta tristeza?".
É o mesmo que perguntar “Qual é o motivo de tanta tristeza?".

Reportagem: Paula Reverbel / Imagens e edição: Isadora Brant  
11 abril 2017

Comentários

Ricarte disse…
MUITO ÚTIL!!

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