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Conto Recordações
Por Ricarte Carlos Mariusso da Silva

Olá queridos amigos, muito sol aqui na Baixada Santista, embora tenha amanhecido com muita chuva.

Tive emergência na manhã toda e somente agora consegui acessar o computador e entrar aqui na página.
Hoje temos um convidado muito especial, o Ricarte Carlos Mariusso da Silva, que é fã da Revista Conexão Literatura e por ela mantemos contato também aqui na página.
Para mim é uma grande honra apresentar o trabalho desse amigo, o conto Recordações, que é bem legal, vale a pena.
Abraços ao Ricarte, agradeço pela participação, história e amizade.


Recordações

Existem momentos que ficam guardados em nossa memória de modo que certas situações nos fazem revivê-los

N
ão por acaso, Pedro - hoje já um senhor de 74 anos, cabelos brancos e pálpebras pesadas - sempre lembra da infância que teve, quando, ao passar pela rodovia que liga São João do Caiuá a Paranavaí, avista a fazenda em que foi criado.
         "Ora, a vida é assim mesmo: uma passagem feita de boas e más recordações" - pensa ele consigo.
         De tanto passar por essa estrada e de lembrar-se de seu tempo de menino, decidiu, um dia, parar o carro e caminhar até a casa em que nascera. E, conforme se aproximava de seu antigo lar, seu coração era tomado cada vez mais de fortes sentimentos, de maneira que, sem nenhuma explicação, viu-se diante de uma criança cuja mãe lhe falava em voz alta: 
   
 – Pedro, tá na hora de ir para a escola. Vem logo tomar o leite que ainda tá quente; tirei da vaca agorinha - disse Dona Elza, enquanto preparava o lanche para o filho levar.
      –   Tá bom, mãe, tô indo. Sabe onde deixei minha mochila? Não estou achando.
     Os olhos de Pedro se encheram d'água ao ver seu antigo quarto, ao ver sua imagem de quando era um menino de apenas 9 anos e, principalmente, ao ver sua mãe, já falecida.        Começou, então, a se recordar dos ensinos que ela lhe dera nessa época: "Pedro, guarde minhas palavras; ate-as em seu pescoço e leve-as aonde quer que vás, pois certamente serão luz para os seus olhos e lâmpada para os seus pés. Seja humilde sempre, meu filho; conserve a integridade dentro de ti, não negocie seus princípios, nem se apegue muito ao material. Outra coisa: lembre-se dos pobres e necessitados."
      –   Coloquei o bilhete dentro do seu guarda-roupa; estava jogada no chão. Vê se guarda da próxima vez! Agora vem, toma seu leite e vai para não chegar atrasado à aula.
     O garoto obedeceu, pegou o lanche que a mãe fez e disse:
      –   Obrigado, mãe, até mais tarde. Te amo!
      –   Até mais tarde. Cuidado. Vai com Deus. Também te amo - respondeu ela.
     Enquanto via o menino ir para a escola, Pedro teve outra visão e viu sua mãe - agora idosa e muito doente - e ele próprio de novo, com uns 30 anos mais ou menos.
     
 –   Ah meu filho, minha hora está chegando. Como tudo passou rápido! Queria eu ter mais tempo, viver um pouco mais, sobre essas coisas a gente não tem controle, Ele é que tem!
     Sentado ao lado do leito e segurando a mão da mãe, ele dizia soluçando: "Mãe... mãe... não...".
     Nesse instante, Pedro voltou à realidade e, ainda um pouco confuso (não sabia se sonhava ou era uma revelação), apenas sentiu uma imensa saudade de dona Elza e falou: "Por trás de um grande homem está a boa mira de uma mãe".
     Quão importante são os pais na vida e formação dos filhos!

Ricarte Carlos Mariusso da Silva, formado em Ciências Contábeis onde atua no Escritório Lex de Contabilidade, na cidade de São João do Caiuá, Paraná, Rio Grande do Sul 

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