Olá, bom dia e excelente domingo a todos nós.
Aqui em Santos, hoje também é feriado, Dia de Nossa Senhora
do Monte Serrat.
O conto faz parte da edição de setembro da Revista Conexão
Literatura, espero que gostem. Abraços.
Conto:
Mundo hostil
Depois da escuridão, uma porta sempre se abre,
para nos receber!
É a mais pura verdade!
Enfim, cheguei
novamente neste paraíso! Nesse mundo que aparentemente, me parece acolhedor,
sem a burocracia e a rotina diária, que deixa qualquer um louco só de pensar! E
por conta dessa vida repetitiva a que nós, “reles humanos” estamos acostumados
a padecer é que me trouxe para este novo mundo! Se sou feliz por estar aqui
ainda não tenho uma resposta conclusiva, mas digamos que me sinto mais
aliviado, mais livre, leve e solto das obrigações!
E foi assim que
resolvi sair da “zona de conforto” para explorar novos horizontes, conquistar
um mundo estranho e tudo o que fiz foi dar o primeiro passo, abrir a porta
oculta da minha vida!
Estou do outro
lado, tenho muito a explorar, com a certeza de que a cada vez um episódio
inédito eu hei de encontrar!
- Achei que
estivesse sozinha, e a propósito, você sabe que lugar é este?
- Não sei, e você
apareceu assim do nada, pensei que este mundo fosse só meu. Moça, você é
estranha, porque está vestida toda de branco? É um anjo ou coisa parecida?
- Para ser sincera,
eu gosto dessa cor de roupa, não sou um anjo, sou alguém que se importa com a
vida. Posso te acompanhar? Eu também estava solitária e acabei parando aqui,
não fiz nada, nem cogitei vir pra cá e acabei te avistando caminhando nesse
mundo hostil.
- Hostil? Porque
diz isso? Até agora não vi nada de errado. Então vamos caminhar, pois temos
muito a conhecer. Meu nome é Carlos e o seu?
- Sou Fernanda,
pode me chamar de Nanda.
- Veja lá adiante,
parece um caminho no meio da mata Nanda, acho que devemos ir nessa direção.
Estou gostando desse passeio, pois mesmo em plena floresta, é o que me parece
ser isso aqui, não tem mosquito, não tem barulho algum. Acho que vou morar aqui
para sempre!
- Para sempre é
muito, você nem sabe o que tem neste mundo Carlos, devagar!
- Mulheres! Sempre
medrosas! Vamos andar, conhecer e curtir! Temos a vida toda pela frente e me
sinto em paz neste lugar!
- Como você veio
para cá, já se perguntou?
- Não sei, adormeci
nervoso e vim parar aqui, este recanto me deixa calmo e com vontade de ser quem
sou, não há cobrança de ninguém, não há preconceito e nem mesmo discriminação.
- Me parece um rio, que lindo! Estou amando!
- Carlos, realmente
o rio é bonito, mas creio que vi algo nele, uma sombra a se mexer, não sei!
Olha lá, veja, e está vindo em nossa direção!
- Você tem razão e
é grande, corra, vamos sair da beira, depressa, vamos nos esconder!
- Carlos, é um
monstro! Ai que medo, que horror! É muito grande, com duas cabeças, e vem nos
pegar!
- Nanda, vamos
correr, depressa, me dê sua mão.
- Olha Carlos,
outro monstro se aproximando, e estão brigando! É uma luta territorial, que
cauda imensa ele tem e solta fogo, é um dragão! Que força descomunal, como se
atacam e se mordem, depressa partimos daqui a nos esconder na mata.
- Ufa, conseguimos
despistar, ainda escuto os dois se duelando.
- Carlos, olhe, tem
uma cabana logo adiante. Vamos pedir ajuda, estamos perdidos!
- Verdade, me
parece abandonada.
- Ó de casa! A
porta está destrancada, venha Nanda, vamos descansar um pouco e beber água.
- Calma aí, acho
que não devemos, o dono pode chegar a qualquer momento e achará que invadimos,
melhor irmos.
- Ficaremos poucos
minutos para descansar. É impressão minha ou a cabana é maior do que vimos do
lado de fora?
- Muito estranho
isso, não estou gostando, devemos partir agora!
- Tá bem, me deixa
ao menos beber água. Minha nossa!
- Que foi Carlos,
você está gritando.
- Olha só para
isso, que corredor imenso, não enxergo o fim dele, e tem grades... acho que são
jaulas! Vamos Fernanda, corre!
- A cabana está se
mexendo! Socorro, o que é isso? Estou tonta e não consigo andar direito.
- Eu também não
veja, tem alguém abrindo a porta. Ai não, o que é aquilo?
- Me parece uma
bruxa!!! Está com um garoto em uma das mãos!
- Já vi essa
história antes Fê... É a velha bruxa de João e Maria!
- Se apresse então
que ela nos viu e vem em nossa direção!
- Vocês quem são? O
que fazem em minha casa? Como se atrevem!
A bruxa levantou as
mãos para o alto e olhando para os dois gritou palavras em outro idioma! Ela
estava com ódio e sua feição ficou ainda mais aterrorizante. Foi quando Carlos
atirou uma lamparina acesa em cima da bruxa, e a mulher ficou em chamas!
Gritava sem parar e rodopiava contra as paredes, derrubando quadros e
porta-retratos das mesas. A cabana parou de chacoalhar e os dois conseguiram
sair, correndo novamente pela mata. Ao olharem para trás, a casa inteira pegava
fogo, a labareda em pouco tempo a consumia com rapidez e gritos se ouviam, além
de estalos do fogo destruindo o local, que ainda sofrera uma explosão.
- Meu Deus, quantas
pessoas morreram? Que horror Carlos!
- Não tinha o que
fazer, a mulher iria nos matar.
- Vamos voltar de
onde viemos, por ali, acho que é o caminho.
- Nanda, estamos
andando em círculo.
- Quieto, estou
escutando passos, alguém se aproxima...
- Alguém não querida,
é um leão enorme! Que vamos fazer agora?
- Não sei, se
corrermos ele nos alcançará e seremos devorados.
Carlos deu dois
passos para trás e não viu mais nada, caiu ao chão desmaiado.
...
- Carlos, Carlos,
levanta irmão!
- Nanda, cadê o
leão? Sumiu?
- Ei Cara, sou eu,
Joaquim. Tá sonhando? Você falava o tempo todo e chamava por uma tal de Nanda,
quem é essa mulher?
- Tudo era tão
real, estou confuso.
- Você viajou cara,
foi para outro mundo, conheceu até uma mulher!
- Então nada
daquilo aconteceu de fato? Aquele mundo inusitado não existe? Estava feliz com
ela, apesar de tanta coisa que aconteceu por lá. Fernanda era tão linda!
- Olhe ao redor, é
tarde da noite e estamos aqui embaixo de uma marquise nos abrigando da chuva e
do frio. Ainda bem que é uma marquise grande, a loja é imensa e nos acolhemos
bem.
- Preciso de uma
pedra Joaquim, quero voltar para aquele mundo!
- Não temos mais
cara. Aonde vai, volte pra cá! - Grita Joaquim, mas Carlos estava desnorteado e
tremendo.
- Vou arrumar,
preciso ver a garota, grita ele ao amigo, tremendo o corpo todo e gritando
alucinado. Nisso, ao atravessar a rua sem olhar um veículo vem em alta
velocidade e não dá tempo de parar e nem desviar e Carlos é jogado longe
inconsciente. O motorista sai do carro em desespero, mas ao avistar Joaquim que
vinha gritando, entra no carro e deixa o local rapidamente.
Joaquim chora ao
pegar a mão do companheiro de vício. Carlos abre os olhos e diz que foi feliz
nos poucos momentos em que passou ao lado de Fernanda.
...
É uma história
triste com final trágico, uma de tantas que estamos acostumados a ler em
jornais ou escutar nos telejornais. O vício tem tirado tantas vidas,
incontáveis, histórias que se acabam dia a dia, e o pior de tudo isso é que
acabamos nos acostumando.
Só para se ter
ideia, segundo Relatório Mundial Sobre Drogas lançado pela Organização das
Nações Unidas, em todo o mundo, as mortes causadas diretamente pelo uso de
drogas lícitas e ilícitas aumentaram 60% entre 2000 e 2015.
Por isso, diga não
às drogas! Veja o mundo por seu prisma, mesmo que para você ele pareça hostil,
sempre há esperança!

Comentários