Coluna Cantinho da Poesia
Guilherme
de Almeida, o poeta da Revolução
Olá amigos, bom dia e bom feriado.
O Cantinho da Poesia de hoje é especial à Revolução de
32, feriado somente no Estado de São Paulo.
Aproveitem o dia, abraços,
Míriam
Poesia
Nossa Bandeira
Bandeira da minha terra,
Bandeira das treze listas:
São treze lanças de guerra
Cercando o chão dos paulistas!
Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta:
Velas de Martim Afonso,
Sotaina do Padre Anchieta!
Bandeira de Bandeirantes,
Branca e rota de tal sorte,
Que entre os rasgões tremulantes,
Mostrou as sombras da morte.
Riscos negros sobre a prata:
São como o rastro sombrio,
Que na água deixara a chata
Das Monções subido o rio.
Página branca-pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:
Poema do nosso orgulho
(Eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro!
Mapa da pátria guerreira
Traçado pela vitória:
Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!
Tiras retas, firmes: quando
O inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.
São os dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça.
Fuligem das oficinas;
Cal que a cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa!
Linhas que avançam; há nelas,
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito.
Desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado!
Bandeira que é o nosso espelho!
Bandeira que é a nossa pista!
Que traz, no topo vermelho,
O Coração do Paulista!
Guilherme
de Andrade Almeida
Considerado
o “Poeta da Revolução”, exerceu a advocacia e também foi um competente
jornalista, sendo redator do “O Estado de São Paulo”, diretor da “Folha da
Manhã” e da “Folha da Noite”, fundador do “Jornal de São Paulo” e redator do
“Diário de São Paulo”.
No ano de
1917, ele publicou seu livro de poesias, “Nós”. Anos depois, em 1922, foi participante
assíduo da Semana de Arte Moderna e seu escritório serviu de redação para os
fundadores da revista “Klaxon”, mania da época.
Após auxiliar nesse processo de desenvolvimento
artístico e intelectual de São Paulo, Almeida percorreu o país difundindo suas
ideias de renovação. Seus livros “Meu” e “Raça”, ambos de 1925, são fiéis à
temática brasileira e ao sentimento nacional.
Guilherme de Almeida seria amplamente reconhecido
por seu talento com a poesia. Era um grande conhecedor dos versos e da língua
portuguesa, sendo, inclusive, um excelente tradutor. Traduziu, entre
outros, os poetas Paul Géraldy (“Eu e Você”), Rabindranath Tagore (“O Jardineiro”
e “O Gitanjali”), Charles Baudelaire (“Flores das Flores do Mal”), Sófocles
(“Antígona”) e Jean Paul Sartre (“Entre Quatro Paredes”).
Atuação na Revolução
No ano de 1932, Almeida decidiu que ia ajudar São
Paulo como pudesse. Ele desenhou os brasões de armas de várias cidades: São
Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Volta Redonda (RJ), Londrina (PR), Brasília (DF),
Guaxupé (MG), Caconde, Iacanga e Embu (SP). Compôs também um hino a Brasília,
quando a cidade foi inaugurada.
Mais do que isso, Almeida foi um combatente da
Revolução e, após o fim das batalhas, acabou exilado em Portugal. Anos mais
tarde ele seria homenageado com a Medalha da Constituição, instituída pela
Assembleia Legislativa de São Paulo.
Sua maior prova de amor ao estado de São Paulo foi
o famoso o poema conhecido como “Nossa Bandeira”. Entre outras homenagens à cidade, existem os
poemas “Moeda Paulista” e “Oração Ante a
Última Trincheira”. Também escreveu a letra do “Hino Constitucionalista de
1932/MMDC”, O Passo do Soldado, de autoria de Marcelo Tupinambá, com
interpretação de Francisco Alves.
Foi membro da Academia Paulista de Letras; do
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; do Seminário de Estudos Galegos,
de Santiago de Compostela; do Instituto de Coimbra e da Academia Brasileira de
Letras.
Guilherme faleceu em 11 de julho de 1969, em sua
casa da Rua Macapá, no Pacaembu, em São Paulo – a “Casa da Colina” –, onde
residia desde 1946. Adquirida pelo Governo do Estado na década de 1970, a
residência do poeta tornou-se o museu biográfico e literário Casa Guilherme de
Almeida, inaugurado em 1979, que abriga também, hoje, um Centro de Estudos de
Tradução Literária.
Como uma das grandes homenagens póstumas, ele
encontra-se sepultado no Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no
parque do Ibirapuera. Além dele, figuras como Ibrahim de Almeida Nobre, o
“Tribuno de 32”; os jovens conhecidos pela sigla M.M.D.C. e do caboclo Paulo
Virgínio.
Fonte:
São Paulo em foco (texto) e imagens públicas (Google)



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