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Cantinho da Poesia
Dramaturgo e poeta português Gil Vicente

Bom dia amigos, excelente início de semana a todos nós.
Para a coluna Cantinho da Poesia desta segunda, destaco Gil Vicente, grande poeta português que retratou em versos a sociedade portuguesa da época, e o Auto da Barca do Inferno mostra nitidamente todo esse contexto.
Gil Vicente é um dos meus favoritos, espero que gostem, abraços,


Auto da Barca do Inferno (1517)

Á barca, à barca segura,
guardar da barca perdida!
Á barca, Á barca da vida!

Senhores, que trabalhais
pela vida transitória,
memórias, por Deus, memória
deste temeroso cais!

À barca, à barca, mortais!
Porém na vida perdida
se perde a barca da vida.

Vigiai-vos, pecadores,
que depois da sepultura
neste rio está a ventura
de prazeres ou de dores!
À barca, à barca, senhores,
barca mui enobrecida,
à barca, à barca da vida!
  
Gil Vicente
Gil Vicente (c.1465 - c.1536) é considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, ator e encenador. É considerado o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico, já que também escreveu em castelhano - partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina.
A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento.
Como dramaturgo, conservam-se hoje 44 peças suas de vários gêneros. A circulação da sua obra fazia-se, em parte, através de folhetos impressos, em literatura de cordel.
Da sua obra destacam-se: Auto da Barca do Inferno, Auto da Feira, Auto da Índia, Farsa dos Almocreves, Quem tem Farelos?, Farsa de Inês Pereira, O Monólogo do Vaqueiro, Auto de Mofina Mendes, Comédia de Amadis de Gaula entre tantas outras.

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