Poesia Telha de Vidro
Rachel
de Queiroz
Uma boa semana a todos nós! Ontem foi um dia complicado
porque fui fazer um curso e no sábado estive numa festa. Só tenho a avaliar que
meu final de semana foi ótimo!
E nada melhor para relaxar na segunda com uma poesia,
não é? Ainda mais depois da turbulência política de ontem, que começou na sexta
(só lembrando que este veículo serve aos leitores temáticas culturais e não
discuto aqui nada sobre política, somente uma pequena pincelada, para que este meu projeto não se torne um
salseiro). Então vamos a Poesia Telha de
Vidro da ilustre Rachel de Queiroz, espero que gostem.
Tchau pessoal, até amanhã,
Míriam
Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão
feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
Rachel de
Queiroz (1910 – 2003), romancista e cronista
brasileira. Nasceu em Fortaleza, Ceará, e residiu na cidade do Rio de Janeiro.
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| Foto Google |
No início da década de 1970, a Academia Brasileira
de Letras modificou seus estatutos para receber Rachel de Queiroz, primeira
acadêmica mulher do Brasil.
Faleceu em 04 de novembro de 2003.

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