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Poesia Telha de Vidro
Rachel de Queiroz

Uma boa semana a todos nós! Ontem foi um dia complicado porque fui fazer um curso e no sábado estive numa festa. Só tenho a avaliar que meu final de semana foi ótimo!
E nada melhor para relaxar na segunda com uma poesia, não é? Ainda mais depois da turbulência política de ontem, que começou na sexta (só lembrando que este veículo serve aos leitores temáticas culturais e não discuto aqui nada sobre política, somente uma pequena pincelada, para que este meu projeto não se torne um salseiro). Então vamos a Poesia Telha de Vidro da ilustre Rachel de Queiroz, espero que gostem.
Tchau pessoal, até amanhã,
Míriam

Quando a moça da cidade chegou 
veio morar na fazenda, 
na casa velha... 
Tão velha! 
Quem fez aquela casa foi o bisavô... 
Deram-lhe para dormir a camarinha, 
uma alcova sem luzes, tão escura! 
mergulhada na tristura 
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada, 
mas mandou buscar na cidade 
uma telha de vidro... 
Queria que ficasse iluminada 
sua camarinha sem claridade...

Agora, 
o quarto onde ela mora 
é o quarto mais alegre da fazenda, 
tão claro que, ao meio dia, aparece uma 
renda de arabesco de sol nos ladrilhos 
vermelhos, 
que — coitados — tão velhos 
só hoje é que conhecem a luz doa dia... 
A luz branca e fria 
também se mete às vezes pelo clarão 
da telha milagrosa... 
Ou alguma estrela audaciosa 
careteia 
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia! 
— Você me disse um dia 
que sua vida era toda escuridão 
cinzenta, 
fria, 
sem um luar, sem um clarão... 
Por que você na experimenta? 
A moça foi tão bem sucedida... 
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Rachel de Queiroz (1910 – 2003), romancista e cronista brasileira. Nasceu em Fortaleza, Ceará, e residiu na cidade do Rio de Janeiro.
Foto Google
Com a publicação de O quinze (1930) tornou-se a única representante feminina do "romance do nordeste". Nos livros seguintes, João Miguel (1932), Caminho de pedras (1937), As três Marias (1939), foi aperfeiçoando sua temática social e regionalista. Dora, Doralina (1975) e Memorial de Maria Moura (1992) são seus romances mais recentes: "De mim ele só chegava perto quando de serviço ou chamado meu. Nunca me tocou nem com a ponta do dedo, nunca também me olhou nos olhos. Nunca me sorriu." Dedica-se ainda à literatura infantil, ao teatro e à tradução.
No início da década de 1970, a Academia Brasileira de Letras modificou seus estatutos para receber Rachel de Queiroz, primeira acadêmica mulher do Brasil.
Faleceu em 04 de novembro de 2003.  

Comentários

Unknown disse…
Adoro a Raquel ! Lindo demais !
Cleo Terez disse…
Linda poesia sim. Difícil não saber a fonte. Em que livro encontra-se a poesia? Alguém sabe responder?

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