Chove. Há silêncio, porque a mesma
chuva
Poesia
de Fernando Pessoa
Muito bom dia a todos nós. Nada melhor
para quarta-feira, metade da semana do que uma poesia, não é mesmo? E
aproveitando que depois de um mês mais ou menos sem chover aqui na Baixada,
hoje iniciamos o dia com o céu cinza e depois com muita água!
Aproveitando a ocasião, para comemorar,
a poesia é de nada menos do que Fernando Pessoa.
Chove. Há silêncio, porque a mesma
chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu
sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa
Fernando
Antônio Nogueira Pessoa foi um dos mais importantes escritores e poetas do
modernismo em Portugal. Nasceu em 13 de junho de 1888 na cidade de Lisboa
(Portugal) e morreu, na mesma cidade, em 30 de novembro de 1935.
Pessoa
passou a ter contato mais efetivo com a literatura portuguesa, principalmente
Padre Antônio Vieira e Cesário Verde. Foi também influenciado pelos estudos
filosóficos de Nietzsche e Schopenhauer. Recebeu também influências do
simbolismo francês.
Em
1912, começou suas atividades como ensaísta e crítico literário, na revista
Águia.
Fernando
Pessoa utilizou-se em sua obra de três heterônimos com personalidades próprias
e características literárias diferenciadas, são eles: Álvaro de Campos, Alberto
Caeiro e Ricardo Reis.
Obras:
· Do
Livro do Desassossego
· Ficções do interlúdio: para além do outro oceano
· Na Floresta do Alheamento
· O Banqueiro Anarquista
· O Marinheiro
· Por ele mesmo
· Ficções do interlúdio: para além do outro oceano
· Na Floresta do Alheamento
· O Banqueiro Anarquista
· O Marinheiro
· Por ele mesmo
Poesias:
· A barca
· Aniversário
· Autopsicografia
· À Emissora Nacional
· Amei-te e por te amar...
· Antônio de Oliveira Salazar
· Elegia na Sombra
· Isto
· Liberdade
· Mar português
· Mensagem
· Natal
· O Eu profundo e os outros Eus
· O cancioneiro
· O Menino da Sua Mãe
· O pastor amoroso
· Poema Pial
· Poema em linha reta
· Poemas Traduzidos
· Poemas de Ricardo Reis
· Poesias Inéditas
· Poemas para Lili
· Poemas de Álvaro de Campos
· Presságio
· Primeiro Fausto
· Quadras ao gosto popular
· Ser grande
· Solenemente
· Todas as cartas de amor...
· Vendaval
Prosas:
· Pessoa e o Fado: Um Depoimento de 1929
· Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação
· Páginas de Estética e de Teoria e de Crítica Literárias


Comentários