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Pertenço à outra alma
Marcos Martins

Bom dia meus amigos, iniciamos mais uma semana.
E como hoje é segunda, um dia mais tranquilo, que tal um pouco de poesia?
Recebi de meu amigo poeta, escritor e jornalista Marcos Martins seu mais recente trabalho: “Pertenço à outra alma”, que disponibilizo aqui no Cantinho da Poesia e espero que gostem.

Conheça outros poemas do autor, acesse:

http://poemasdecaverna.blogspot.com.br/




Como pode um peito guardar tanto amor assim;
Como posso caminhar se não sei nem mais me sentir;
Como dizer “sim” se o “não” vive a escoltar-me;
Como posso ser feliz se apenas me restou o sonhar.

Os braços querem abraçar a lua e corteja-la, dizer-lhe segredos que só o amor permite criar, mas sempre há degraus tão altos.

Como pode um peito conter tanto sangue assim, sentir as batidas de um coração que sofre por não poder sentir. (Por não tocar a face que sente ser parte de sua carne).

Como posso vagar sem rumo se sei o caminho de casa? Mas não me sinto mais em casa quando chego, sento e tiro os sapatos castigados da longa caminhada infinita.

Pertenço a outro corpo. Pertenço à outra alma – minh’alma fica apagada por não ser parte dela por inteiro.

Ó, confissões que não posso confessar; 
Ó, amor que não posso tocar porque és subjetivo e proibido... Mas não há mais guardiões no éden, então por que o temor de seguir sem olhar para trás?

Como pode um corpo amar tanto; 
Como pode um ser desejar tanto;
Como pode um sentimento dominar a razão e dela fazer descaso; 
Como pode o infinito ser um dia tocável.

Sinto essa dor dilacerante em meu peito, porém não quero que cesse, pois, com essa dor sinto que vivo estou. 
Sinto que vivo estou.

Abraços a todos e até amanhã.
Míriam


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