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Conto O Símbolo Sagrado

 

A pobreza e a extrema pobreza alcançaram em 2020 na América Latina níveis que não foram observados nos últimos 12 e 20 anos, respectivamente, bem como uma piora dos índices de desigualdade na região e nas taxas de ocupação e participação no mercado de trabalho, sobretudo das mulheres, devido à pandemia da Covid-19 e apesar das medidas de proteção social emergenciais que os países adotaram para freá-la, informou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

(site Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)

 

A informação da CEPAL é de dar medo! Milhões de pessoas que perderam tudo em suas vidas: um lar, família, emprego... Aqueles cujos salários eram abaixo do mercado com o novo coronavírus da Covid-19 simplesmente desapareceram! É um cenário aterrorizante que, infelizmente, convivemos diariamente, com pessoas sem rumo, “jogadas” em cada esquina em busca de uma moeda para sobreviver.

Essa vivência relatada acontece na cidade de Santos, no Estado de São Paulo, Brasil, tida por várias entidades que estudam os melhores lugares para se morar no País, imagina as que nem aparecem no índice!

Trabalhava em home office ainda neste ano de 2021, lá pelo mês de outubro quando o interfone me “desconecta” do serviço pelo barulho e ao atender, uma voz de homem necessitando de alguns itens de alimentos. Por sorte dele o que pediu eu tinha em casa. Coloquei entre várias sacolas, arroz, feijão, biscoitos e outros produtos em lata.

Ao descer e abrir o portão me deparei com um senhor de estatura mediana aos padrões brasileiros (1,70 m) de altura, magro, de boa aparência, barba cortada, roupas limpas. Ele logo desceu da bicicleta para receber a doação.

 — Você não sabe como os alimentos me servirão, pois já estávamos sem o básico para cozinhar, disse o pobre homem, que ficou um pouco sem jeito em pedir, notava-se que a vida agora para ele estava dura demais.

— Sempre é bom ajudarmos, pois vivemos em tempos difíceis, não é mesmo? Disse-lhe e quando já estava prestes a encerrar para retornar ao trabalho, o senhor me olhou bem dentro dos olhos dizendo que eu passava por momentos de tristeza.

— O quê? Sim, isso mesmo, passo por momentos infelizes, mas logo estarei bem, retruquei.

— Espere, se me permite dizer, sei porque está triste e digo-lhe que a pessoa está bem, não se preocupe.

— Mas como o senhor pode saber o que se passa comigo?

— Sei muitas coisas e se a pessoa está triste, ela emite um pensamento correspondente, o qual é convertido em uma determinada onda mental, a qual vibra de uma forma específica.

— Impressionante o que disse senhor, como sabe dessas coisas?

— Sou uma pessoa que já estive pelo mundo em áureos tempos, em que conseguíamos ir aqui e ali com uma mochila nas costas e nada acontecia. Não tinha essa violência que a cada dia se destaca entre as necessidades das cidades, disputando com a falta de saúde e educação. Nesse momento eu esquecera por completo do serviço, pois a maneira como ele se pronunciava, a expressão facial e os olhos que procuravam os meus para chamar minha atenção, me aguçou a saber mais sobre aquela pessoa.

— O senhor mora aqui perto? — Não sou daqui de Santos e muito menos do Brasil. Vim para cá há alguns anos, para que eu possa conhecer as pessoas, nesta Cidade estou há um mês e logo já partirei para outra dessa região ou lá para o Planalto, ainda não sei.

— E veio de onde? Da Europa?

— Sim, nasci lá por aquelas bandas, o Velho Continente! Minha infância foi rude, cujo sofrimento senti bem cedo, ainda criança. Na adolescência, a necessidade de viajar para conhecer as pessoas, ver como lidavam com os problemas, os governantes como tratavam o povo, tudo isso para saber como estava o mundo e o comportamento dos seres humanos, seus sentimentos, aflições, parti sem rumo para descobrir se aprenderam alguma coisa com o legado deixado por aquele cuja cruz foi semear o amor. Parece que falar em bondade e perdão não dão audiência, ou como dizem nos tempos modernos, não rendem cliques!

— É verdade, o senhor está correto, dizer a verdade e praticar a bondade e humildade estão fora de moda.

— Sim, é o que parece, me dê suas mãos! Disse o senhor já com as dele esticadas aguardando as minhas.

— Estiquei as minhas e o senhor as deixou sobre as dele. Foi como estivéssemos conectados, e tudo o que ele falou foi sendo revelado em imagens, o vi andando pelo mundo entre os pobres e miseráveis na África, ajudando àquelas pessoas a sobreviver. Depois ele estava entre os pedintes e não só eu assistia a tudo como sentia as emoções de cada ação humanitária realizada eu podia sentir as ações de solidariedade. E assim acompanhei a trajetória vivenciada pelo senhor.

...

No dia seguinte, me sentia como se estivesse acordado de um sonho espetacular, estava confusa se fora realidade ou não o contato com aquele senhor, mas ao olhar minhas mãos, percebi, minusculamente, em uma delas, dois arcos que se cruzam para formar o perfil de um peixe, me marcando para sempre ao símbolo mais antigo do cristianismo: “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador!”

 

Desejo a todos os leitores e amigos da Revista Conexão Literatura Boas Festas, e que os símbolos da bondade e da fé estejam presentes em todos os dias de nossas vidas, forte abraço e obrigada por estarem conosco nesta jornada literária!

 

 

Revista Conexão Literatura Dezembro 2021

http://www.fabricadeebooks.com.br/conexao_literatura78.pdf

 



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