Ariano Suassuna no Cantinho da Poesia
A
viagem, com mote de Fernando Pessoa
Meu sangue, do pragal das Altas Beiras,
boiou no Mar vermelhas Caravelas:
À Nau Catarineta e à Barca Bela
late o Potro castanho de asas Negras.
boiou no Mar vermelhas Caravelas:
À Nau Catarineta e à Barca Bela
late o Potro castanho de asas Negras.
E aportou. Rosas de ouro, azul Chaveira,
Onça malhada a violar Cadelas,
Depôs sextantes, Astrolábios, velas,
No planalto da Pedra sertaneja.
Onça malhada a violar Cadelas,
Depôs sextantes, Astrolábios, velas,
No planalto da Pedra sertaneja.
Hoje, jogral Cigano e tresmalhado,
Vaqueiro de seu couro cravejado.
Com Medalhas de prata, a faiscar,
Vaqueiro de seu couro cravejado.
Com Medalhas de prata, a faiscar,
bebendo o Sol de fogo e o Mundo oco,
meu coração é um Almirante louco
Que abandonou a profissão do Mar.
meu coração é um Almirante louco
Que abandonou a profissão do Mar.
Ariano Suassuna, “Dez Sonetos com Mote Alheio”. Recife: edição
manuscrita e iluminogravura pelo autor, 1980.
Ariano
Suassuna
Ariano Vilar Suassuna (16/06/1927 – 23/07/2014), foi dramaturgo,
romancista, ensaísta, poeta e professor. Idealizador do Movimento Armorial e
autor das obras Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino, entre
outros.
Dentre peças, Auto da Compadecida, O Santo e a Porca e O Rico Avarento.
Filmes, O Auto da Compadecida, Os Trapalhões no Auto da Compadecida, A
Compadecida.


Comentários