Rústica, de Florbela Espanca
Bom dia e bom início de semana a todos nós, com direito a mais um
feriado!
E nesta segunda, no Cantinho da Poesia, vamos recordar Florbela
Espanca, autora que faz parte da coletânea de poesias portuguesas.
Ser a moça mais linda do
povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Florbela Espanca
Florbela Espanca (1894-1930) foi poetisa
portuguesa, autora de sonetos e contos importantes na literatura de Portugal.
Foi uma das primeiras feministas de Portugal. Sua poesia é conhecida por um
estilo peculiar, com forte teor emocional, onde o sofrimento, a solidão, e o
desencanto estão aliados ao desejo de ser feliz.
Florbela Espanca (1894-1930)
nasceu na vila de Viçosa, Alentejo Portugal, no dia 8 de dezembro de 1894.
Filha de Antónia da Conceição Lobo, que faleceu em 1908. Florbela é então
educada pela madrasta Mariana e pelo pai, João Maria, que só a reconheceu como
filha depois de sua morte. Estudou no Liceu, em Évora, concluindo o curso de
Letras. Seu primeiro poema é escrito em 1903 “A Vida e a Morte”. Atuou como
jornalista na publicação Modas & Bordados e na Voz Pública, um jornal de
Évora.
Florbela d'Alma
da Conceição Espanca tem
hoje seus versos admirados em todos os cantos do mundo, diferentemente do que
aconteceu quando ainda viva, época em que foi praticamente ignorada pelos
apreciadores da poesia e pelos críticos de então. Os dois livros que publicou,
por sua conta, em vida, foram "O Livro das Mágoas" (1919) e "Livro de
"Sóror Saudade" (1923).
Às vésperas da publicação de seu livro "Charneca em Flor",
em dezembro de 1930, Florbela pôs fim à sua vida. Tal ato de
desespero fez com que o público se interessasse pelo livro e passasse a
conhecer melhor a sua obra. Dizem os críticos que a polêmica e o encantamento
de seus versos é devido à carga romântica e juvenil de seus poemas, que têm
como interlocutor principal o universo masculino.


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