Revista Conexão Literatura
Participe
da 15ª edição
Olá, meus amigos, iniciamos mais uma semana, e que seja
proveitosa para todos nós.
Que pena ontem foi o encerramento das Olimpíadas Rio 2016, sentirei falta, pois curti bastante os jogos
olímpicos, pena mesmo que terminou.
Estou escrevendo o meu conto para a 15ª edição da Revista
Conexão Literatura, mês de setembro e se você quiser participar com crônica,
conto, anúncio, ainda dá tempo, basta enviar e-mail para o editor Ademir
Pascale. Vale também para tratar sobre parceria.
E-mail: pascale@cranik.com
Para
baixar gratuitamente as edições, acesse:
Revista
Conexão Literatura – 14ª edição
Conto:
Há, Manoela!
Meus amigos a história que vou lhes contar é muito
parecida com a de certas princesas dos contos de fadas, que foram maltratadas
por suas madrastas, mas que ao final, tudo deu certo. Bem, na verdade, a “princesa”
não é lá essas coisas em termos de beleza, não senhor, muito pelo contrário a
começar pela idade...
Manoela Lima corria com o serviço de secretaria da
instituição de ensino onde trabalhava, em um bairro simples de São Paulo
chamado Vila Moraes, ou Jardim da Saúde, melhor dizer assim. Formada em Letras
até poderia ministrar aulas de Português, mas pela timidez e também por ser uma
pessoa retraída não conseguiu prosseguir com domínio em sala de aula e procurou
seu papel na Escola Estadual Júlio Ribeiro, metida na secretaria.
Manoela, por incentivo dos próprios colegas de
serviço e até pela diretora que consentiu que ela saísse em férias em junho,
fez um pacote de viagem à Manaus, iria conhecer a terra de nascimento dos avós
paternos e faltava exatamente uma semana para ela embarcar em sua aventura.
Em casa, porém, Manoela já havia escutado as mais
absurdas coisas da mãe dona Alzira, que não queria a viagem. Manoela era
solteirona e vivia com os pais. Caçula de dois irmãos de uma família
extremamente machista, a pobre e doce mulher foi sempre conduzida a viver em
casa, a cuidar do lar e de todos. Nunca conseguiu arrumar um namorado e assim
ela permaneceu na casa dos pais e não teve a sua própria vida independente.
E assim o tempo foi passando e a vida se
modificando para os irmãos, que construíram suas próprias famílias menos
Manoela, que vivia do serviço para casa. Concursada pela Prefeitura de São
Paulo para a Secretaria de Educação, Manoela permanecia na mesma escola há 15
anos, e a parte social de sua vida era justamente esse serviço. Querida por
todos por ser uma boa ouvinte dos problemas alheios (um dos pontos positivos do
tímido) ela tornou-se conselheira e suas opiniões eram de uma sinceridade que a
fez a pessoa mais querida do colégio.
Antes de partir para Manaus, uma companheira de
serviço ajudou-a na compra de roupas mais modernas, incentivando-a a fazer um
corte jovial nos cabelos e a se produzir.
E com um visual mais sofisticado Manoela partiu
sozinha para Manaus e lá faria parte de uma excursão para conhecer os pontos
turísticos da cidade, momentos exclusivos e unicamente só para ela, sem ter a
mãe dizendo que já estava velha demais: 40 anos de idade, e o que iriam dizer
os vizinhos vendo-a viajar sozinha. E a sua ânsia por conhecer novos territórios
e sair daquela rotina fatigante e sufocante mexeu em seu mais profundo íntimo,
o que a fez ter mais vontade em sair e explorar o novo.
E assim, com tantos contras e pessimismos vindos da
família, Manoela chegou a Manaus, e do aeroporto o táxi a levou para o Hotel
Lagoa, que fica perto do Teatro Amazonas e no dia seguinte ela iria se
encontrar com a excursão. E tudo saiu a contento e até melhor do que ela
esperava. Manoela estava radiante e curtindo a sua primeira descontração, de
muitas que ela já sonhava. O grupo era animado e como ela era a mais nova, pois
como em sua casa era chamada de ultrapassada, tia, coroa etc, ela escolheu
excursão para idosos, mas a idade do grupo não atrapalhou em nada e tudo o que
puderam conheceram: o encontro das águas entre o Rio Negro e o Rio Amazonas, o
Espaço Cultural Largo de São Sebastião e por aí afora.
— Dona Manoela, diz a camareira Lúcia, funcionária do hotel que fez amizade, a
senhora vai embora amanhã e hoje é Dia de São João, que tal conhecer uma das
tradicionais Festas Juninas de Manaus?
E Manoela nem pestanejou, aceitou o convite e às oito da noite as mulheres já
estavam se divertindo com os grupos que se apresentavam e se deliciando com
quitutes típicos. Lá pelas dez e tanto da noite a festa corria solta e a
camareira Lúcia chama a atenção de Manoela:
— Veja lá do outro lado da festa que tem um homem que não para de olhar você,
diz Lúcia.
E ao mesmo instante que Manoela se vira para tentar ver o tal homem, eis que
ele vem em sua direção. Era alto, forte, jovem e vestido com roupa social
branca e um chapéu na mesma cor. Ao passo que se desvencilhava das pessoas, ele
arrancava suspiros e olhares femininos. O homem era realmente um encanto!
... Sonolenta
e zonza da bebida, ao acordar, Manoela não lembra como retornou ao hotel. Sentindo
ainda o frescor dos lábios dele, se aprontou para partir. Da janela do avião,
se despediu da cidade com lágrimas ao rosto.
Retornou para a sua pacata vida e o pensamento
era único: no príncipe que entrou somente uma vez em seus sonhos
tornando-a radiante, momentos inexplicáveis em
seus 40 anos. Manoela desde aquela noite não conseguia mais
esquecê-lo e parecia viver num além-mundo! Mas assim como ele chegou ele
se foi e nem ao menos disse seu nome.
— Quem seria ele? Manoela fazia planos para
encontrá-lo novamente.
Em casa e no serviço todos notaram que ela estava
diferente tanto no semblante, por estar mais bonita, como também absorta em uma
lembrança sem fim.
O que estava acontecendo? Pensava a mãe.
E a mudança mesmo total de comportamento começou
quando os enjoos tiveram início e depois de nove meses, ao nascer o menino
João. E nada se soube do paradeiro do pai da criança.
Morando sozinha com o filho Manoela finalmente conseguiu
mudar de vida.
— E ainda hoje, quando a questiono sobre o
paradeiro de meu pai, ela diz não saber e com um sorrisinho no rosto, responde
que eu sou filho do Boto!
— Há, Manoela! — Diz ele à mãe!
Dia do Folclore: Esse
conto homenageia o Dia do Folclore, comemorado no dia 22 de agosto, momento de
contarmos e ouvirmos as histórias do Saci-Pererê, Mula-sem-cabeça, Curupira, Boto e Boitatá, entre outros
personagens. Nesta data, também são valorizadas e praticadas as danças,
brincadeiras e festas folclórica. Vamos manter nossa cultura popular.



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