Tenham uma excelente quarta-feira!
Uma boa notícia, em dois dias a Revista
Conexão Literatura teve mais de mil acessos gratuitos, ótimo!
Hoje, metade da semana, deixo a poesia Ali, do
amigo escritor e poeta Marcos Martins.
Espero que gostem.
Abraços
Míriam
Ali
Marcos Martins
Vou ali. É ali, na esquina queimar mais um sem voz
que grita a toa.
Vou ali. É, vou ali, na penumbra, buscar corpos
ocos de tanto lhes dizerem que são nada – luz fraca que rasga a madrugada e bem
nunca me faz.
Sim, vou ali. Ali. Na esquina, onde homens se
devoram por um prato de passarinha, por um tubo de cachaça, se digladiam –
palavra linda que descreve de forma camuflada a desgraça.
Vou ali, é ali, naquela esquina onde Bil mijou
ontem e nenhum cachorro mais quer mijar.
Vou ali, é, ali, na esquina onde putas ganham a
vida – arriscando a vida –, labutando para tomar um pedaço de pão das mãos do
diabo que sempre sorri antes de machucar.
É, vou ali naquela casa, que fica naquela esquina,
perto daquele poste, que dá pra quela outra esquina, dentro daquele vazio que a
todos consola.
É. Vou. Já não posso mais ficar. Vou me lançar na
selva de pedra sem Deus.
É. Vou. Ali naquela esquina onde tudo é permitido.
Mas tem que ser por baixo das saias das virgens, sem que ninguém veja, do
contrário é errado.
É. Vou ali naquela esquina, onde me perdi em uma
tarde de um dia sem data.
É. Vou ali. Na esquina
dentro de mim.

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