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Bom dia meus queridos amigos, vamos a mais uma semana, graças que tem feriado!
Deixo aqui o conto Cemitério que faz parte da Revista Conexão Literatura nº 05. Um detalhe, quem conhece Santos identificará o local na história.
Espero que gostem.
Obrigada por sua presença em minha página.
Abraços,

Míriam

 

Conto: Cemitério

Já era tarde da noite e o rapaz se prepara para o trabalho.
O jovem, que aparentava uns 19 anos, pega a mochila e o pé de cabra e parte para mais uma noitada a praticar seus atos inescrupulosos noturnos.
Calmamente ele desce o Morro São Bento, passa pelas escadarias do Museu de Arte Sacra, atravessa a rua e caminha por ruas escuras do Centro de Santos – dizem ser Centro Histórico, mas o poder público nada faz para melhorar o aspecto turístico de uma das cidades mais antigas do Brasil – passa por becos onde trabalhadores partem para suas residências após o dia cansativo de serviço, e também àqueles que já se fartaram em botecos e cambaleando, tomam o rumo de casa. O jovem de pele clara e cabelos curtos escuros observa o cotidiano das pessoas, que não são de seu interesse. Não tinha pressa, já que de onde vinha até seu destino era uma caminhada de mais ou menos vinte minutos, pois quanto mais tarde chegasse a seu destino melhor seria para que ninguém o visse entrar.
Ao chegar à praça do cemitério de Filosofia, também conhecido como Saboó, o local estava sem movimento algum naquela noite fria de agosto. Ele olhou em frente para a unidade da Sabesp, que finalizara o expediente há algumas horas, não havia mais nenhuma criança correndo por ali, assim como nas casas ao redor, tudo tranquilo.
— Esta será uma noite de sorte! Acho que hoje irei me dar bem! — Exclama o rapaz ao se aproximar do cemitério fiscalizando a vizinhança. Mesmo assim, ele preferiu entrar pelos fundos, na rua detrás que era mais tranquila para não chamar a atenção.
Jogou papelão sobre o arame farpado do cemitério, deu impulso e facilmente conseguiu pular o muro; força do hábito, diga-se de passagem!
Caminhava por entre os túmulos em busca de algo fácil para roubar e carregar. Já tinha conseguido duas placas de bronze quando percebeu um vulto que sumiu por entre jazigos.
         Cheio de pavor, o jovem pegou a mochila e resolveu encerrar a noitada, mesmo tendo mais lápides a verificar.
         No mesmo horário na noite seguinte, lá estava ele pulando o muro do cemitério.
         Quando o rapaz já havia terminado de pegar mais alguns objetos das campas, viu o vulto novamente. Era uma mulher, também jovem e com roupas claras. O ladrão não teve tempo de se esconder, pois a moça apareceu bem na sua frente. O rapaz, com o coração à boca, ficou paralisado de medo. Ela se aproximou mais e apontou para ele. As enormes olheiras se destacavam na palidez do rosto magro que continha uma boca grande e roxa. Era de arrepiar!
O jovem engolindo em seco saiu correndo sem olhar para trás.
Pelo caminho foi pensando na aparição, e porque será que apontou para ele.
— Que situação estranha! — Indagou o jovem ladrão, que só parou de correr bem longe do cemitério.
...
Ao se passarem dois dias, novamente o ritual do assalto ao cemitério e o jovem estava lá com sua mochila.
Ao percorrer os jazigos em busca de pertences a roubar, viu novamente o vulto. Ele se escondeu e nem teve tempo de procurar por nada, pois a moça apareceu novamente.
Dessa vez o ladrão não correu. A aparição chegou perto dele. O jovem engoliu em seco, mas teve coragem de perguntar:
— O que você quer comigo? Porque você está me perseguindo?
Ela apontou para o jazigo 11 de adultos e desapareceu.
O ladrão no momento ficou sem entender.
Com a mochila ao ombro, o rapaz não hesitou, caminhou até onde ficava o jazigo apontado por ela.
Observando o número na parede, o jovem ladrão entrou no jazigo 11 e no corredor, não viu nada de errado nas campas que estavam nos dois lados do corredor. Contudo, continuou andando.
Nisso, sentiu uma energia estranha e começou a se lembrar do passado. Como num flash, as imagens apareciam nitidamente em sua mente, dos dias de roubo nesse cemitério, até que numa noite, a polícia foi avisada e entrou atrás dele. Ele resistiu, agrediu um policial e o outro atirou. Um zunido invadiu seu ouvido e ele se viu caindo ao chão.
Neste instante, a cena sumiu. O ladrão virou-se. Estava parado em frente à campa 37. Olhando fixamente, viu sua foto no jazigo e em letras garrafais o seu nome.
A mochila foi escorregando dos ombros... e ele simplesmente desapareceu.


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