Olá,
bom feriado a todos.
Pesquisando
sobre o Dia da Consciência Negra, feriado mais que justo, pois o Brasil foi o
último país a libertá-los, e também porque fazer um irmão de escravo só por
causa da cor, isso é a coisa mais baixa que se espera de um ser humano, mas
enfim, sem mais delongas, acho legal divulgar o criador da data e como foi
poeta, algumas poesias dele, pois muitos não conhecem. Espero que gostem.
Grande beijo,
Miriam
20 de novembro:
Dia da Consciência Negra
Há mais de 30 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeriu
que se comemorasse em 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, pois
essa data era mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o 13
de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão",
assim definia Silveira o Dia da Abolição da escravatura em um de seus poemas,
referindo-se à lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de
trabalhar e viver com dignidade.
Em 2003, o Congresso Brasileiro aprovou uma lei federal
criando esse dia. A mesma lei tornou obrigatório nas escolas o estudo sobre
história e cultura afro-brasileira. A ideia é ensinar aos alunos de todo o país
a história dos povos africanos, a luta dos negros no Brasil e a influência do
negro na formação da sociedade nacional.
O dia 20 de novembro é aniversário da morte de Zumbi, grande líder guerreiro do quilombo dos Palmares, assassinado em 1695, há mais de 300 anos. Ele é considerado
símbolo da resistência contra a escravidão, por isso, as entidades e
organizações não governamentais dos movimentos negros no Brasil definiram esse
dia para manter viva a memória dessa figura histórica e sua importância na luta
pela libertação dos escravos.
Oliveira Silveira
Oliveira
Ferreira da Silveira – Poeta negro brasileiro, nascido em 1941 na área rural de
Rosário do Sul, Estado do Rio Grande do Sul. Filho de Felisberto Martins
Silveira, branco brasileiro de pais uruguaios, e de Anair Ferreira da Silveira,
negra brasileira de cor preta, de pai e mãe negros gaúchos.
Graduado
em Letras – Português e Francês com as respectivas Literaturas – pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS. Docente de português e
literatura no ensino médio. Atividades jornalísticas. Ativista do Movimento
Negro.
Um dos
criadores do Grupo Palmares, de Porto Alegre. Estudou a data e sugeriu a
evocação do 20 de Novembro, lançada e implantada no Brasil pelo Grupo Palmares
a contar de 1971, tornando-se Dia Nacional da Consciência Negra em 1978,
denominação proposta pelo Movimento Negro Unificado contra a Discriminação
Racial, MNUCDR.
Como
escritor, publicou até 2005 dez títulos individuais de poesia – Pêlo escuro,
Roteiro dos tantãs, Poema sobre Palmares, entre outros – e participou de antologias
e coletâneas no país e no exterior: Cadernos negros, do grupo Quilombhoje, e A
razão da chama, de Oswaldo de Camargo, em São Paulo-SP; Quilombo de Palavras,
organização de Jônatas Conceição e Lindinalva Barbosa, em Salvador, na Bahia;
Schwarze poesie/Poesia negra e Schwarze prosa/Prosa negra, organizadas por
Moema Parente Augel e editadas na Alemanha por Édition diá em 1988 e 1993, com
tradução de Johannes Augel; ou revista Callaloo volume 18, número 4, 1995, e
volume 20, número 1 (estudo de Steven F. White), 1997, Virgínia, Estados Unidos.
Na
imprensa, publicou artigos, reportagens, e alguns contos e crônicas. Participou
com artigos ou ensaios em obras coletivas, caso do ensaio Vinte de novembro:
história e conteúdo, no livro Educação e Ações Afirmativas, organizado por
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e Válter Roberto Silvério – Brasília:
Ministério da Educação/Inep, 2002.
Entre
algumas distinções recebidas: menção honrosa da União Brasileira de Escritores,
do Rio de Janeiro, pelo livro Banzo Saudade Negra em 1969; medalha cidade de
Porto Alegre, concedida pelo Executivo Municipal em 1988; medalha Mérito Cruz e
Sousa, da Comissão Estadual para Celebração do Centenário de Morte de Cruz e
Sousa – Florianópolis-SC, 1998; Troféu Zumbi, obra de Américo Souza, concedido
pela Associação Satélite-Prontidão, da comunidade negra de Porto Alegre, 1999;
Comenda Resistência Civil Escrava Anastácia, da Rua do Perdão, evento cultural
negro, Porto Alegre, 1999; e Tesouro Vivo Afro-brasileiro, homenagem do II Congresso
Brasileiro de Pesquisadores Negros, realizado entre 25 e 29 de agosto de 2002
na Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, em São Carlos-SP – ato em 27 de
agosto.
Poesias de Oliveira
Silveira
MÃO-DE-PILÃO
Água no oco,
palha, grão.
Soca, soca,
Mão-de-pilão.
Longe que é, longe que fica
e a mão-de-pilão esmurrando a cangica.
Longe que é, longe que fica
e a mão-de-pilão tocando cuíca.
Água no oco,
palha, grão.
Soca, soca,
mão-de-pilão.
Socando, socando aos sol da manhã,
o eco na serra parece tantã.
Bate, bate... pra quê bate tanto?
Longe tão longe que não adianta.
Água no oco,
palha, grão.
Soca, soca,
mão-de-pilão.
O MURO
eu bato contra o muro
duro
esfolo minhas mãos no muro
tento longe o salto e pulo
dou nas paredes do muro
duro
não desisto de forçá-lo
hei de encontrar um furo
por onde ultrapassá-lo
TRANSMISSÃO
Querem que a gente saiba
que eles foram senhores
e nós fomos escravos.
Por isso te repito:
eles foram senhores
e nós fomos escravos.
Eu disse fomos.
NEGRINHO
Um naco de fumo escuro
negrinho
da tua cor, no monturo.
Um toco de pito aceso
negrinho
cor de teu sangue indefeso.
Muito estancieiro safado
negrinho
formigueiro à beira-estrada.
Contra as manhas dessa malta
negrinho
se vai de cabeça alta.
E peço: clareia o rumo
negrinho
de teus irmãos cor de fumo.
Poesias extraídas de: ANTOLOGIA
CONTEMPORÂNEA DA
POESIA NEGRA BRASILEIRA, organização de PAULO
COLIMA. São
Paulo: Global
Editora, 1982. 103 p.
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