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Dia da Consciência Negra

Reflexão e Sarau Poético sobre o tema

 

No feriado em reflexão ao Dia da Consciência Negra, compartilho com vocês, queridos leitores, artigo divulgado no dia de hoje (20/11), no jornal A Tribuna, de grande circulação na cidade de Santos.

Também aproveito para convidar ao Sarau Poético que acontecerá nesta quinta-feira (20/11), das 15h às 18h, na Casa das Culturas de Santos.

Abraços,

Míriam Santiago

 

Carta para Tribuna Livre

Dia da Consciência Negra

Míriam Santiago, jornalista

 

 

Muito mais que comemorar o Dia da Consciência Negra, feriado que entrou no calendário nacional em 2003, o Dia concebido a Zumbi dos Palmares um dos maiores líderes da resistência negra contra a escravidão no Brasil e ao racismo, nos remete à reflexão do papel de nossa sociedade no tratamento aos negros e na luta contra a desigualdade racial.

 

A meu ver, ainda há muita conscientização quanto à essa questão, haja vista matéria em pouco mais de um mês que deflagrou cenas racistas oriundas de uma torcedora de 41 anos contra um atleta de 12 anos durante o jogo entre Manthiqueira e Corinthians, pelo Campeonato Paulista da categoria Sub-12, no estádio de Guaratinguetá/SP. É de se arrepiar que cenas cruéis como essas ainda façam parte de matérias em veículos de comunicação em pleno século 21.

 

Minha homenagem à data firma-se em duas personalidades santistas, que ao longo dos anos ficaram no esquecimento. Um deles, que vi ressurgir graças à atuante presença do Comitê Chaguinhas, é o cabo negro do Primeiro Batalhão de Santos no período do Império Português, Francisco José das Chagas ou Chaguinhas, que foi enforcado em 1821 porque reivindicou salários atrasados e igualdade de valores no pagamento para os militares brasileiros e portugueses. Ele foi preso e levado a São Paulo, no bairro Liberdade. Condenado à morte, a corda rompeu em três tentativas de enforcamento, o que resultou pela população em sinal divino de sua inocência. E mesmo assim, Chaguinhas foi morto a pauladas e pedradas. 

 

Já a história de Joaquim Pinto de Oliveira, conhecido como Tebas, conheci durante a 10ª edição do Santos Film Fest (Festival de Cinema de Santos), em 2024, sendo homenageado no curta-documentário “Triângulo de Tebas”, de Luciano Quirino e Lukinha Figueiredo, que abordou a vida desse renomado arquiteto durante o Brasil Colonial. Tebas, que teve sua memória resgatada por meio de faculdades de Arquitetura, muito contribuiu para a mudança arquitetônica da capital paulista, apreciada nas fachadas dos mosteiros São Francisco, São Bento e Carmo, além da antiga Catedral da Sé.

 

        Refletindo em pessoas que estão ganhando espaço merecidamente na literatura e cultura, destaco a recente nomeação, no último dia 7, da primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Gonçalves, autora do livro de grande sucesso “Um defeito de cor”. Ainda na literatura, cito Maria da Conceição Evaristo de Brito (Becos da Memória); Carolina Maria de Jesus (Quarto de despejo: diário de uma favelada); Maria Firmina dos Reis, (Úrsula); e Djamila Taís Ribeiro dos Santos (Pequeno Manual Antirracista).

 

São pequenos destaques de um universo repleto de talentos negros que despontam em nossa sociedade, galgando e alcançando espaços ora antes ditos impossíveis. E essa ascensão da cultura negra que se insere em campos antes não permitidos que me faz seguir apostando em dias melhores, mas que ainda exigem de nossa parte insistência no combate ao racismo dentro de casa com nossos filhos, pais e avós, levados e combatidos nas escolas, com vizinhos, é não perder o sentimento de que todos nós somos iguais perante a Deus e a nossa Constituição Brasileira, e, portanto, todos merecem um lugar ao sol.

 

 


Sarau Poético

 

"Venha participar do Sarau da Consciência Negra, um encontro de valorização da arte, da memória e da resistência do povo negro.

O evento acontecerá na Casa das Culturas de Santos, no dia 20 de novembro, das 15h às 18h, na Rua Sete de Setembro, 49.

Será um momento de celebração da identidade, da ancestralidade e da luta por igualdade, reunindo vozes, ritmos, poemas e vivências que reafirmam a importância da Consciência Negra para toda a sociedade. Participe e fortaleça essa construção coletiva!", Alexandre Miguel Souza/Instagram






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