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Conto Sexta-feira Treze!

                                  

        Laura sabia que o dia não seria muito bom para ela, pois hoje é sexta-feira treze!

Extremamente supersticiosa, Laura era daquelas pessoas ligadas a crendices populares das mais diversas. Não passava em baixo de escada, não chegava perto de gato preto por causa do mau agouro e por aí afora.

        E hoje ela sabia que seria mais um dia em que deveria se preocupar até para atravessar uma rua!

        E assim a moça tomou as precauções devidas para poder não faltar ao trabalho. Sim, porque da última vez que calhou 13 numa sexta, Laura telefonou ao serviço e disse que estava doente, isso só porque leu no horóscopo logo cedo, que seu signo estaria em perigo por causa da data. E assim, ela não trabalhou naquela sexta-feira 13. O que dizer de pessoas assim? Nada, pois são figuras raras e necessárias ao nosso folclore!

         — Meu Deus, hoje é sexta-feira treze! — Exclamou logo cedo, ao olhar, religiosamente na folhinha, o dia da semana.

A moça, para não perder o costume, foi consultar o “seu oráculo”, o horóscopo pela internet.

Que bom, hoje, apesar do dia azarento, não acontecerá nada de diferente, e está escrito para eu não me preocupar com animais. Lia em voz alta.

Apressou-se para não chegar atrasada e conseguiu chegar ao serviço no horário.

Já era noite quando a jovem conseguiu sair do trabalho e retornar a casa. Desceu no ponto e foi caminhando. Estava uma noite fria e com chuvisco e a rua completamente deserta.

Estranho não ter ninguém por aqui! Pensou Laura, já engolindo em seco com a situação. Ela tentou apressar o passo quando, ao virar a esquina, se deparou com um gato preto na calçada. O bicho ficou parado e olhando para ela. Era um gato grande e gordo e os olhos verdes a fitavam a cada passo.

A jovem observou que o bichano a seguia com os olhos.

Não posso continuar nesta calçada, não conseguirei passar ao lado dele, pois sei que ele poderá me atacar! Pensava ela, já desesperada.

Mas li que não me preocupasse com animais, mas justo um gato preto? O horóscopo nunca me deixou na mão! Tentava Laura, com todas as suas forças, ignorar o pobre animal.

Ao atravessar a rua, Laura olhou para o outro lado e viu que o gato atravessou também.

Ela apressou o passo. Laura mal conseguia respirar de tanto nervoso e o bichinho indefeso vinha calmamente atrás dela. Desesperada, atravessou a rua novamente e, para sua surpresa, ele continuou a segui-la.

Laura tentou correr, mas sem forças devido ao nervosismo, não conseguiu. Apressou ainda mais o passo e o gato idem.

A moça não acreditava que sua casa ficasse assim tão longe do ponto de ônibus!

De repente, ao virar por mais uma esquina, Laura se depara com um homem, que vestido completamente de preto, caminhava tranquilamente.

— Ei moça, você quase me atropelou, sorriu o jovem para ela, após segurá-la pelo braço. Por que tanta pressa? Perguntou ele.

— É que tem um gato me seguindo! Disse ela ao homem.

— Como é que é? Perguntou, com um sorrisinho de deboche.

— Me ajude, por favor, implorou ao homem!

E o gato parou diante deles. O bicho encarou o jovem e seus olhos verdes ficaram ainda maiores ao avistar o rapaz. O gato mudou de fisionomia e rapidamente, avançou no jovem, furioso.

Laura gritou de susto e medo e saiu correndo.

O homem tentou se desvencilhar do animal, que estava grudado em sua calça a mordê-lo.

Maldito gato, coitado do rapaz! Chorava Laura, enquanto conseguiu correr até sua casa.  



    Ao abrir o portão, ela escutou um miado alto e estridente e sabia que o homem havia enxotado o bicho.

Graças que aquele homem pegou o gato, ainda bem. 

Laura tomou um banho e foi preparar o jantar, pois morava sozinha. Cansada, lavou a louça rápido para dormir.

A moça começou a sentir uma fragrância agradável de flores pela casa.

Nisso, alguém toca a campainha e Laura vai até o portão. Ao chegar perto, vê que era o rapaz, estava com a roupa toda surrada e rasgada e ensanguentado, pois brigara com o gato. O rapaz mal conseguia ficar em pé sem se apoiar.

— Meu Deus, exclamou Laura horrorizada ao ver o estado do homem, o gato fez tudo isso em você? Perguntou a moça.

— Por favor, entre, disse ao estranho, que a segurou no braço para se apoiar.

A jovem sentou o homem em uma cadeira e foi buscar curativos. Após, chamaria um táxi para o jovem.

Ao retornar com a maleta de primeiros socorros, o homem não estava mais sentado onde o deixara.

Ela começou olhar pela casa, abriu a porta para ver se o via indo embora, mas nada, desaparecera. Nem sinal dele.

Vou chamar a polícia, pois ele pode estar no quarto. Como sou idiota, e se for um ladrão? Questionava-se.

Nisso, ao pegar o telefone, Laura vê um vulto se aproximar dela. Assustada, ela deixa o telefone cair de suas mãos e corre para se trancar no quarto.

Entra correndo e tranca a porta do cômodo. Gritando, ela diz que com o celular chamou a polícia.

Nisso, escuta um barulho vindo do telhado. Assustada e tremendo muito, Laura se assusta ao ver que o homem estava na janela, pois descera do telhado até o quarto. Ele entra e vem em sua direção.

— Psiu, não precisa gritar, eu não vou machucá-la disse o rapaz, que estava completamente revigorado e os arranhões haviam sumido de seu rosto.

O homem se aproxima de Laura e a seduz com o olhar. A moça estava completamente hipnotizada.

— Foi você que me convidou a entrar, disse ele baixinho, sussurrando ao ouvido de Laura e a beijou nos lábios. Quando estava com a boca perto de seu pescoço, Laura dá um suspiro forte, e molhada de suor, acorda com o despertador.

— Que sonho horrível, meu Deus! Mas ainda bem que foi só um pesadelo! Dizia Laura a si mesma.

Tomou um banho correndo para o trabalho e saiu de casa.

Ao caminhar até o ponto de ônibus, não se sentiu bem e retornou. Febril, dormiu o dia inteiro.

À noite, Laura sentia-se melhor.

Tomou um banho para relaxar. Foi ao espelho para pentear-se. Laura deixou a escova cair de suas mãos! Seus olhos estavam diferentes e avermelhados.

Laura se afastou. Encostada na parede, viu que sua imagem ia, lentamente, desaparecendo do espelho, até sumir por completo.

No portão de casa, escutou um miado. Da janela, viu que o gato preto estava a sua espera. 

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