Conto:
Aparecida
Por
Míriam Santiago
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A |
parecida, nascida sob os escombros de uma humilde
casa, sempre fora uma pessoa de muita fé, tamanha era essa força espiritual que
a ajudava a combater os males de uma vida de muito trabalho e pouco dinheiro.
Em momentos únicos em
sua pobreza monetária, a moça conhecera um homem, apaixonou-se perdidamente e
entregara-se de corpo e alma, uma paixão daquelas que se vê em filmes e até
achamos bobagem, assim aconteceu o amor na vida de Aparecida.
Radiante em seus vinte e
dois anos de uma vida só de trabalho, sem uma trégua para mais nada, mesmo
assim ainda conseguiu achar o amor, mesmo o sentimento acabando em tão curto
tempo, Aparecida manteve a paixão acesa na esperança de que o homem de sua vida
voltasse, o que nunca aconteceu.
Desonrada e com uma
barriga em crescimento, a pobre moça tivera que deixar a casa dos pais, que não
aceitaram a situação. Partiu então para uma moradia mais miserável ainda,
levando consigo a fé infalível.
E quando o momento final
do estágio em que traria ao mundo o seu herdeiro, percebeu que a hora chegara e
solitária, sem ninguém a acolher, tentou ajuda, de uma situação que não tinha.
Perdera tempo e não foi a um hospital, e desesperada começou a chorar e
implorar pelo amor de Nossa Senhora, a mãe que nunca a abandonara em todos os
seus momentos.
E no poder da fé, de suas
lágrimas e dos gritos, uma mulher apareceu em sua súplica, Aparecida que quase
desfalecida encontrava-se sem saber o que fazer, foi acolhida nos braços “de um
anjo”, que enxugou suas lágrimas, a limpou e a preparou para o parto.
“Lembrai-vos,
ó clementíssima Mãe Aparecida, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que
têm a vós recorrido, invocado vosso santíssimo nome e implorado vossa singular
proteção, fosse por vós abandonado. Animados com esta confiança, a vós
recorremos.”.
A mulher, a
quem Aparecida nunca a tinha visto ali pelas redondezas, tinha a rapidez de uma
profissional da saúde, com mãos ávidas foi conduzindo o nascimento de mais uma
pobre alma a este mundo, para juntar-se à pobreza coletiva de anjos famintos
entre os que estão à margem da sociedade.
Aparecida em
momento de força, repetia incansavelmente palavras à Nossa Senhora, e a oração
a fortalecia e abrandava a dor. E sob o comando da mulher, cuja luz do sol
refletida em seu rosto por frinchas do barraco encobria a sua identidade.
- Força minha
jovem, força! Repetia a mulher.
E assim, o seu
pequeno tesouro foi sendo conduzido à luz deste mundo, guiado pela bondade de
uma desconhecida, que o embalou em panos limpos e o deixou no aconchego de sua
mãe Aparecida.
Entre lágrimas
que escorriam de seu rosto a jovem estava feliz e num piscar de olhos, a doce
mulher partira tão rápido como chegara. Aparecida em fervor, continua com a
oração à sua salvadora.
“Tomamo-nos de hoje para sempre por nossa Mãe,
nossa protetora, consolação e guia, esperança e luz na hora da morte.
Livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos e a vosso Santíssimo Filho, Jesus.
Preservai-nos
de todos os perigos da alma e do corpo; dirigi-nos em todos os negócios
espirituais e temporais. Livrai-nos da tentação do demônio, para que, trilhando
o caminho da virtude, possamos um dia ver-vos e amar-vos na eterna glória, por
todos os séculos dos séculos. Amém".
E como ocorreu com os
pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia ao encontrarem a imagem
da santa no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, em 1717, história contada por
diversas vezes na missão em louvor à Nossa Senhora, e que após a descoberta um
dia ruim de pescaria encheu as redes dos pescadores com abundância em peixes, assim
aconteceu com Aparecida, que trouxe seus pais arrependidos por tê-la expulsado
de casa e moradores da redondeza, que a levaram a um hospital.
Era o milagre do dia 12 de
outubro, Dia da Padroeira do Brasil, dia de glória para os seguidores da fé na
bondade e na transformação do espírito.
Salve Nossa Senhora, ícone de
todas as mães do Brasil.
Mães solteiras, mães casadas,
mães separadas, mães divorciadas; mãe negra, branca, parda, amarela ou
vermelha, já que mãe não tem cor e nem conceito porque mãe é mãe e ponto final!


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