Um pouco de Fernando Pessoa
Coluna Cantinho da Poesia
Olá, bom início de semana a todos nós.
A coluna Cantinho da Poesia desta segunda traz o poema Presságio, de
Fernando Pessoa.
Abraços, até amanhã,
Míriam
Presságio
O
AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que senteNão se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando António Nogueira Pessoa, português de
Lisboa, nasceu dia 13dejunhode 1888, falecendo no dia 30 de novembro de 1935. Durante toda sua trajetória foi poeta,
filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário,
correspondente comercial, crítico literário e comentarista político.


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