Poemas aos homens do nosso tempo, de Hilda Hilst
Olá, bom dia e excelente início de semana a todos nós.
A Coluna Cantinho da Poesia traz hoje poema de Hilda Hilst, espero que
gostem, abraços.
Enquanto faço o verso, tu decerto
vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.
Contempla o teu viver que corre,
escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento,
desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro
não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.
Hilda Hilst
A polêmica autora paulista Hilda de
Almeida Prado Hilst, mais conhecida como Hilda Hilst (21.04.1930-04.02.2004) foi
poeta, ficcionista, cronista e dramaturga, sendo famosa por seus versos
eróticos e apaixonados.
Publicado em 1974 no livro Jubilo
Memória Noviciado da Paixão, num período de plena ditadura militar,
"Poemas aos homens do nosso tempo" se debruça sobre o próprio ofício da escrita e
sobre a condição do poeta.
Fonte:
cultura genial e imagens Google


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