Conto Amor
infinito
Bom dia. Hoje é Dia dos Namorados, e para comemorar, deixo aqui na
página o meu conto Amor infinito, que faz parte da edição deste mês da Revista
Conexão Literatura, esperoque gostem, abraços, obrigada.
E toda vez que o vento
soprar seu ouvido, não será só apenas o vento, mas eu dizendo que te amo.
(Poeta Silvio César
Rabélo Lopes)
Olhei no relógio duas
vezes e pensei: ela está atrasada! Bem, também acho que vim cedo demais, deve
ser isso.
E não tardou e minha amada
chegou; eu é que estava muito ansioso para vê-la!
E o casal se abraça e
permanece unido por um bom tempo! Lágrimas rolam pelas faces dos amantes até o
esperado beijo acontecer. Nada importa naquele momento, pois é o tempo deles.
Ambos aguardavam por aquela cena, que até parecia de uma novela qualquer ou de
um filme romântico bem produzido, daqueles que te faz chorar do começo ao fim e
você sabe o final feliz que está por vir.
- Você demorou, já estava
aflito, diz Tomás, um homem de cabelos e barba ruivos, olhos claros aparentando
quarenta e poucos anos.
- Vim logo assim que pude,
sabia de nosso compromisso firmado há tempos, como poderia esquecer? – Responde
Isolda, na flor da beleza em seus trinta e poucos anos.
- Você está maravilhosa,
tão bela e com semblante de felicidade, isso me faz recordar de nossa primeira viagem
que fizemos juntos a Portugal, lembra?
- Oh, sim! Foram dez dias
maravilhosos naquele país encantador que oferece excelente gastronomia, bom clima
e pontos turísticos interessantes. Andamos e nos perdemos a procura da Torre de
Belém, você se lembra? Pergunta Isolda.
- Recordações
inesquecíveis de todos os momentos juntos, minha vida sem teu cheiro, sem o frescor
de teus cabelos em minhas mãos, teu beijo doce, sem tudo isso não tem sentido!
Amo-te para toda eternidade! Responde Tomás.
- O Elevador de Santa
Justa, o jardim e museu dos Jerónimos, o Castelo de São Jorge, nossa foram
tantos lugares lindos nossa viagem foi perfeita! Acrescenta a jovem.
E o casal se abraça
novamente completamente apaixonado. Um amor desses que ultrapassa as barreiras
do tempo.
- Isolda, estava aqui com
meus pensamentos quando te conheci, você trajava um vestido surrado, cabelo
despenteado, mas com fisionomia feliz, e foi essa pureza de espírito que eu
mais gostei em você, pena termos passado todos aqueles entraves por causa de
minha família. – Diz Tomás, segurando bem forte a mão da amada.
- É verdade, fui feliz e
triste ao mesmo tempo só porque te amei. Acredito que esta não seja uma boa
lembrança de nosso amor, tivemos momentos em outras ocasiões muito mais
agradáveis. – Retruca Isolda, fazendo sinal para que ele ficasse calado, para
aproveitarem os poucos momentos.
- Mas são tantas histórias
que temos a relembrar, momentos preciosos que faço questão de falar, de pensar
para jamais esquecê-los, diz Tomás.
E Isolda levanta-se e
estende a mão a ele, vamos caminhar, venha!
E os dois andam calmamente
por uma praça com um jardim cheio de flores e folhagens que só a primavera oferece!
- Vamos sentar, o pouco
que caminhamos estou cansado. Meu peito doe, pois sei que está chegando a hora,
veja o relógio, nosso tempo está se esgotando.
- Eu sei, já não estou mais sentindo os pés, disse
Isolda.
Tomás segura e beija as
mãos da amada.
- Pelo menos conseguimos
passar o Dia dos Namorados juntos, estou feliz por isso. Ao nos despedirmos
marcamos esse encontro e conseguimos nos ver, mesmo por pouco tempo, mas para
mim valeu a pena, acrescenta Isolda.
- Nunca é pouco tempo
quando estamos com quem amamos, cada minuto, segundo vale a pena ser vivido e
estamos juntinhos neste banco acompanhando as badaladas do Big Bang, diz Tomás,
que não conseguia mais sentir as mãos dela. Ele virou o rosto para não ver que
seu amor estava partindo, seu corpo agora era quase invisível se diluindo ao
vento.
- Eu te amo! Grita
desesperado Tomás, deixando que o eco acompanhasse Isolda para onde quer que
fosse.
Agora sozinho ele
imaginava quanto tempo mais haveria de passar até que ele a encontrasse
novamente. E no banco, suas lembranças novamente de tempos remotos ele
lembrou-se de quando a viu antes desse encontro, foi há quase 200 anos, quando sua
família de nobres portugueses o enviou a um convento e ele fugiu, pois não
tinha aptidão religiosa. Depois de perambular pela África foi parar na
Calábria, quando conheceu uma jovem italiana bem mais nova, fugindo com a moça.
Desembarcaram então,
graças economia da jovem no Porto de Santos, formando família naquela cidade
brasileira. Mesmo com dificuldade o amor sempre prevaleceu entre os dois, sendo
interrompido quando ela adoeceu e faleceu.
E assim as duas essências
sempre acabam por se encontrar, não importando o tempo e tão pouco a classe
social, pois o amor verdadeiro se sobrepõe a imensidão, à eternidade!
...
Tomás está ansioso, pois é
chegado o grande dia de retorno. Anda aflito, pois não sabe nada sobre sua nova
morada.
Segundos antes de partir a
seu destino, um só pensamento: rever e estar com Isolda, o grande amor.
...
Passando-se alguns meses
Fabíola não se continha de felicidade com seu lindo bebê, que chamava a atenção
de amigos e familiares pela meiguice com ela: fitava-a o tempo todo com carinha
risonha e sempre segurava com cuidado os cabelos da mãe.

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