À Virgem Santíssima
Poema de Antero de Quental
Olá bom início de semana a todos nós e que tal
um pouco de poesia para suavizar a semana?
Este é mais um poema que faz parte da coletânea
que estou lendo e achei legal disponibilizar um pouco dos poetas portugueses aqui
no Cantinho da poesia, espero que gostem Abraços,
Míriam
Num sonho todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade,
Era outra luz, era outra suavidade
Que até nem sei se as há na natureza...
Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
De noturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade,
Era outra luz, era outra suavidade
Que até nem sei se as há na natureza...
Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
Antero
de Quental
Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada, na Ilha de São
Miguel, no Arquipélago dos Açores, Portugal, no dia 18 de abril de 1842.
Descendente de família nobre, filho de Fernando de Quental e Ana Guilhermina da
Maia, Quental passou sua infância e cursou os estudos primários e secundários
em sua cidade natal, na capital da ilha de São Miguel.
Com apenas 16 anos, ingressou em Direito e foi estudar em Coimbra donde
se destacou com seu brilhantismo. Interessado pela política, filosofia e
literatura, Antero em 1862, com 20 anos, publicou seus primeiros sonetos (forma
fixa literária, composta de dois quartetos e dois tercetos), intitulado “Sonetos
de Antero”.
Junto aos poetas portugueses Luís de Camões e Bocage (um de seus amigos
íntimos) formou a tríade dos maiores sonetistas portugueses. Viajou pela
França, Estados Unidos e Canadá, entretanto, foi em seu país, Portugal, que
passou a maior parte de sua vida se dedicando à literatura e às questões
políticas.
Os
poetas da geração de 1870 formaram o grupo de literatos empenhados em renovar o
pensamento português, ligados, mais tarde, à Questão Coimbrã, uma polêmica
literária travada em 1865 entre os jovens da Universidade de Coimbra e os
poetas amigos de António Feliciano de Castilho. Assim, Feliciano critica as
ideias dos novos poetas portugueses, centradas na liberdade de pensamento,
sobretudo de Antero de Quental.
Note que Antero foi o
maior agitador da Questão Coimbrã, consagrado pelos poemas "Odes Modernas"
e o ensaio "Bom
Senso e Bom Gosto", esse último representa a
resposta violenta dada a Antônio Feliciano de Castilho.
Principais
Obras
Dono de uma obra
essencialmente filosófica, social, política, metafísica e lírica, Antero de
Quental é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa. Algumas
de suas obras:
·
Sonetos de Antero
(1861)
·
Beatrice e Fiat Lux
(1863)
·
Odes Modernas
(1865)
·
Bom Senso e Bom
Gosto (1865)
·
A Dignidade das
Letras e as Literaturas Oficiais (1865)
·
Defesa da Carta
Encíclica de Sua Santidade Pio IX (1865)
·
Portugal perante a
Revolução de Espanha (1868)
·
Primaveras
Românticas (1872)
·
Considerações sobre
a Filosofia da História Literária Portuguesa (1872)
·
A Poesia na
Actualidade (1881)
·
A Filosofia da
Natureza dos Naturalistas (1884)
·
Sonetos Completos
(1886)
·
A Filosofia da
Natureza dos Naturistas (1886)
·
Tendências Gerais
da filosofia na Segunda Metade do Século XIX (1890)
·
Raios de extinta
luz (1892)


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