Revista Conexão Literatura
Participe
da 16ª edição
Olá, meus amigos, iniciamos mais uma semana, e que seja
proveitosa para todos nós.
Estou escrevendo o meu conto para a 16ª edição da Revista
Conexão Literatura, mês de outubro e se você quiser participar com crônica,
conto, anúncio, ainda dá tempo, basta enviar e-mail para o editor Ademir
Pascale. Vale também para tratar sobre parceria.
Para
baixar gratuitamente as edições, acesse:
Complementando sobre
a Revista Conexão Literatura, deixo o meu conto que faz parte da edição deste
mês, produzido em agosto e espero que vocês gostem.
Abraços, até mais,
Míriam
Conto: Castelo
Outubro de
2011 e o nosso personagem arrumando as malas, iria embarcar para Portugal. Com
destino a Lisboa, Renato Menezes estava ansioso, pois esta seria sua primeira
viagem internacional, de muitas que irei fazer, pensava ele enquanto terminava de arrumar
as malas. Recém-separado da esposa, casamento que durou quatro anos e cinco
meses, ele queria ir para bem longe, vou espairecer, dizia aos amigos. Renato nunca teve muita
sorte com as mulheres, não pela aparência, mas pela falta de conversa, e Talia
foi a primeira namorada, mas não deu certo porque a moça tem um gênio
insuportável, além de mimada.
E sem
mágoas no coração por tê-la deixado, e com o divórcio em andamento, Renato não
faria excursão em Portugal, resolveu conhecer o lugar por si, percorrendo os
pontos turísticos a pé, ou de ônibus. Logo que desembarcou no país de
nascimentos de seus avós maternos, Renato já se sentiu em casa.
A cada
passo, a cada rua ou praça, tinha a sensação de que tudo lhe era familiar. Mas eu nunca
estive aqui, como pode ser? Os locais não me são estranhos! Conversava
consigo mesmo.
Após treze
dias de estadia, e faltando três dias para partir, Renato caminhava
tranquilamente pelo calçadão do Largo São Domingos, passando pelo marco dos
judeus com destino ao Castelo de São Jorge, que fica no local mais alto da
cidade, uma tremenda subida até chegar ao topo do morro. E foi uma caminhada
prazerosa passando por ruas estreitas, casas coloridas, lojas de presentes. Ao
chegar, logo na compra do ingresso Renato Menezes sentiu um frio percorrer a
barriga, algo que não sabia explicar. Pensei que fosse cansaço pela baita caminhada
até o topo do morro, mas depois percebi que não foi bem isso, acrescenta o
nosso personagem.
Renato e
os turistas se impressionam com a bela vista da cidade, sem contar os canhões
que outrora defenderam invasores que vinham pelo rio Tejo. E o imenso pátio
externo teve suas muralhas rodeadas de pessoas que percorriam a fortaleza
histórica. E todas elas se acomodaram para ver a apresentação medieval que
começava, eram cavaleiros, e por ser dia 25 de outubro comemoravam o Dia do
Exército no Castelo de São Jorge, padroeiro da cavalaria.
Já estava
na metade da apresentação quando Renato começa a ficar zonzo, a tontura toma
conta dele de tal maneira, que agarrado à muralha, ele começa a se abaixar
lentamente, até sentar-se ao chão, e entre piscadas, o ouvido zumbindo,
zumbindo, a visão a falhar e com a respiração ofegante, sente-se desfalecer. A
consciência ia e vinha e ao conseguir firmar a visão, algo estranho toma conta
de seu ser, e ele sentiu-se em pé, andando pela fortificação vestindo a
armadura e empunhando espada e bandeira de cavaleiro. A cena, no entanto, não
era mais o show e os turistas não estavam mais ali; tudo agora era real!
...
À frente
dos cavaleiros subia Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, que
agora vencendo as muralhas, subia pela primeira vez a fortificação. Dom
Henriques era aclamado por derrotar o inimigo. Todos gritavam e empunhavam para
cima as espadas e bandeiras.
E eu, tinha a
missão, junto de mais alguns cavaleiros, de descer o morro e percorrer o
entorno em busca dos mouros, que porventura, estivessem escondidos. Era noite
quando andávamos com tochas nas mãos pela cidadela fora das muralhas na
escuridão das ruas, e numa viela, sofremos uma emboscada. Na luta sangrenta,
fui atingido e caí ao chão. Os outros continuaram lutando e venceram o inimigo,
cerca de uns cinco mouros — conta Renato.
Sentia a dor da
perfuração da espada e em meio a tanto sangue, comecei a desfalecer e minha
respiração foi desacelerando e ficando cada vez mais fraca. Um dos cavaleiros
se ajoelhou e segurou minha cabeça, ao golfar sangue pela boca, vi a luz se
apagando lentamente...
...
— Ei moço,
acorde, moço, você está bem?
Senti alguém me
chamando e segurando a minha cabeça e minha mão, era uma mulher. Sem saber o
que acontecia, meu estômago doía e vomitei. Ela tirou um lenço da bolsa e
jogando água nele, limpou o meu rosto. As pessoas que estavam ao meu redor
tentando ajudar foram se dispersando quando a desconhecida falou que estava
tudo bem e assim fui voltando a si, e recuperando as forças para me levantar.
Ela me ajudou e me amparou com o braço em minha cintura e assim fomos sentar
num banco à sombra.
E para encurtar a
história, já que tenho poucas linhas a terminar, digo que para nós foi amor à
primeira vista. Como tinha poucos dias para partir, ficamos juntos até o meu
retorno ao Brasil. Depois de alguns meses o divórcio saiu e eu estava livre
definitivamente de Talia. Com o coração em Portugal, nos falávamos pelo SMS
diariamente, e em menos de um ano fiz acordo no serviço e vim para cá.
Atualmente estamos noivos e trabalho em comércio com o pai dela, e a propósito,
ela se chama Fátima, em devoção à santa.
Não tive mais aquela
visão, ou regressão, como dizem os esotéricos e não sei ao certo o que foi
aquilo que me aconteceu, mas uma coisa é certa nada vem por acaso e foi graças
àquele incidente que eu a conheci; obra do acaso ou não, dívida de um passado,
não saberemos a verdade, mas quem se importa com isso? O que realmente
interessa é a felicidade, sentimento que move boas energias e que nos traz
renovação.
Então, um brinde à
vida!




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