Sexta-feira
Treze!
E tem também não muito comentada, uma
antiga lenda escandinava em que Friga, a deusa do amor e da beleza, teria se
transformado numa bruxa após a conversão dos nórdicos ao cristianismo. Como
vingança, Friga passou a se reunir todas as sextas-feiras com outras 11 bruxas
e o demônio. Juntos, os 13 ficaram lançando feitiços sobre os novos cristãos.
Legal, né? Eu adoro essas coisas
pertencentes à data e sempre escrevo alguma história para não deixar passar em
vão.
Espero que gostem
do conto.
Beijão, até mais,
Míriam
Conto: Lívia
e o terror da Sexta-feira Treze!
Lívia acorda assustada e dá um salto da
cama. Com o coração à boca, ela escuta barulho e passos na cozinha. Desesperada,
tranca a porta do quarto. Sem saber o que fazer, fica quieta rente à parede.
O barulho continua. Tenta pensar em
algo, mas nada passa em sua mente.
— Onde está a faca, tenho que me
proteger, pois sei o que me espera lá embaixo! — Pensa Lívia.
Nisso, a moça escuta passos pesados
subindo a escada. Ela tenta abrir a janela, mas a grade a impede de fugir.
A
cada degrau, um ranger estridente da madeira. Lívia tenta secar o suor de seu
rosto, que encharcou seus olhos. Tremendo, ela empunha a faca, na tentativa de
se defender. Longe da parede e da porta, Lívia vê a fechadura se mexer e por
estar trancada, a porta começa a receber socos, e tão fortes, que em poucos
minutos, uma mão enorme empurra os destroços da madeira e logo alcança a chave;
e a porta é aberta.
Lívia sabe que não tem o que fazer. Em
uma última tentativa, ameaça com a faca. O imenso vulto se aproxima dela e a
arma é arrancada de sua mão. O vulto se aproxima mais e a comprime contra a parede.
Está tão próximo que ela não tem como escapar. Ela sente o hálito do monstro em
seu rosto e quando ele se aproxima de seu pescoço, Lívia grita
desesperadamente...
...
Num salto a jovem acorda toda suada e
com o corpo molhado. Sem entender nada, vê a mãe jogada ao chão olhando para
ela. Ao enxugar o suor do rosto, percebe ao redor pães e bolos espalhados pela
cama e sua roupa toda suja de café com leite. A mãe, que agora estava em pé tem
nas mãos uma bandeja vazia.
— Pesadelo novamente? — pergunta a mãe.
E Lívia não sabe explicar.
— Já não disse para não ler livros de
terror? Veja que estão em sua cama, finaliza a mãe com semblante reprovador. —
Você estava sonhando e quando me aproximei com a surpresa pelo seu aniversário,
você jogou tudo longe ao salto de um grito, disse a mãe batendo a porta do
quarto.
Lívia ficou sem graça. Mas feliz que
todo aquele terror não passou de um pesadelo. Ao chuveiro, já estava calma e
pensando no que poderia fazer para se desculpar com a mãe.
A moça se apronta para tomar o café.
Ao
descer os degraus, tropeça em um pedaço de madeira podre. Lívia sente um frio
no estômago.
Antes
de entrar na cozinha, vê que a parede da antessala estava totalmente
arranhada...


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