Boa segunda-feira a todos nós. Vamos que
vamos!!!
Para começar bem a semana, a poesia TE CORTAS,
do amigo jornalista, escritor e poeta Marcos Martins, que acabou de ser
premiado com uma de suas poesias. Parabéns a ele!
Bem, por hoje é só.
Grande abraço,
Miriam
TE CORTAS
Marcos Martins
Corto o véu que me revigora, porque de mim nada
se faz nascer;
Corto as cordas do umbilical, separando-me de minha natureza forjada no mal.
Corto as cordas do umbilical, separando-me de minha natureza forjada no mal.
Sou um ser apático, vivo num mundo
monocromático – justificativa que não encontro em meu nascer.
Os poros estão obstruídos, então corto o pulmão
já carcomido com toda a esperança que o humano se faz romper.
Corto.
Descortino.
Esfolo.
Descortino.
Esfolo.
Corto o céu de minha boca para que possa tocar
as estrelas infinitas;
Corto os laços doutrinários que me forjaram, que me incomodam, causam urticarias em meu espírito.
Corto os laços doutrinários que me forjaram, que me incomodam, causam urticarias em meu espírito.
Corto.
Esfolo o espírito – angústia criativa de ter mãos e não poder escrever.
Esfolo o espírito – angústia criativa de ter mãos e não poder escrever.
Cortas a corda no pescoço, pois se depois da
morte há vida de que adianta querer morrer. Então mutilas tuas mágoas, dilacera
tuas perdas, frustrações, dissabores, tuas feridas, tudo o que de ruim já foi
vida, vivida por uma existência Frankenstein.
Cortas tudo.
Cortas o todo, cortas as feridas que nunca serão lacradas, pois a dor do existir sempre a de existir dentro da alma de todo ser que vive sua existência sem saber que viver é cortar-se; é sofrer no existir.
Cortas o todo, cortas as feridas que nunca serão lacradas, pois a dor do existir sempre a de existir dentro da alma de todo ser que vive sua existência sem saber que viver é cortar-se; é sofrer no existir.

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