Meus amigos queridos tenham um Feliz Natal
recheado de presentes e comidas deliciosas!
Deixo um conto para a ocasião, é uma história
de 26/10/2008 que fez parte de um compêndio de contos promovido pelo Elos Clube
de Santos e remexendo em minhas pastas, me deparei com ela.
Bem, espero que gostem e até amanhã.
Grande abraço,
Miriam
Esperança de
Natal
Estava
perambulando pela rua há quase três horas. Olhei no relógio, quase onze da
noite. Andava e olhava para as casas enfeitadas e cheias de luzes com desenhos
natalinos, as pessoas felizes e bem arrumadas passavam com presentes. Eu,
todavia, maltrapilho e com a minha grande companheira, a garrafa de cachaça.
Meus
filhos há sete anos que eu não os via. Regalado da vida boa que tinha troquei
tudo só pelo prazer de beber. Fui um homem bom e trabalhador, hoje, roto e
gasto pelo tempo e pela vida desregrada, não tenho mais nada e nem tenho como
voltar.
“É
Noite de Natal”, pensou o pobre homem em sua solidão mortífera. “Mas não tenho
o que comemorar”, retrucou sua consciência, e a dor corroeu-lhe a alma e o
fígado. Contudo, continuou seu caminho.
Com
as lojas já fechadas, procurou abrigo em uma marquise no Gonzaga, em Santos, juntamente
com outros que ali já estavam. Antes de dormir, o homem cumprimentou os outros
e fez um pedido baixinho, pois mesmo longe da fé, estava na Noite de Natal.
Ainda era madrugada quando tentava enxergar por trás daquela imensa luz branca e
brilhante que viera do nada. O medo do incerto me fez saltar e cambalear pela
calçada. Nisso, vi um homem de barba branca e roupas vermelhas sorrir para mim.
Olhei para a garrafa vazia no chão e pensei: “Que efeito dessa vez, estou vendo
até Papai Noel!”
Ao
retornar para meu canto, o velho se aproximou calmamente em minha direção e
tomou-me o braço. Ele olhou-me profundamente e abaixou a barba, com lágrimas a
escorrer, abraçou-me.
—
Pai, até que enfim encontrei o senhor! Há anos que o procuro. Já desacreditado
e sem esperanças de nunca mais vê-lo, estava em casa pronto para distribuir os
brinquedos a meus filhos, mas um pensamento invadiu minhas ideias e como num
estalo, me veio a imagem dessa marquise. Peguei o carro e corri para cá, pois
alguma coisa me dizia que você estaria aqui. Era a minha última esperança,
disse o filho.
Ficamos
abraçados por algum tempo. Ele me levou consigo e a minha vida mudou por
completo, ou melhor, retornou o que era antes .
...
Dois
anos depois
—
Hoje estou aqui, dando as boas vindas a todos vocês, que por algum motivo
procuraram essa clínica e estão dispostos a parar de beber. É quase Natal. Não
desanimem, façam um pedido, nunca desistam de seus sonhos! — Ressaltou Renato,
que ministra palestras voluntárias uma vez por semana.
E
a vida é assim, feita de momentos bons e ruins, de altos e baixos, mas o
importante é não perder o foco, seguir sempre em frente e não desanimar porque
dias melhores sempre virão!


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