Olá amigos, tenham uma excelente segunda-feira.
Deixo para leitura um conto romântico O jardim de
Vivian, e espero que gostem.
Abraços,
O jardim de Vivian
Desde que adoecera a senhora Vivian nunca mais pode
cuidar de seu lindo jardim, que para ela era a razão de levantar cedo todos os
dias para estar junto de suas preciosas flores.
Ela vivia na casa
onde crescera, pois os irmãos depois da morte dos pais não se importaram em Vivian
continuar a morar na casa.
Como não teve filhos,
seus sobrinhos cuidavam dela depois da doença, uma fraqueza da idade avançada
que a impediu de sair de casa e passar horas no quintal cuidando do jardim; era
uma determinação médica e ela não podia fazer nada até se restabelecer
fisicamente.
Numa certa noite,
quando a sobrinha já estava dormindo, Vivian sentiu um aroma delicioso e
envolvente entrar em seu quarto; ela conhecia muito bem aquele perfume de “Dama
da noite”. Uma bruma estranha envolveu todo o quarto da senhora Vivian. Ela não
se conteve e desceu da cama. Pegando a bengala calçou os chinelos e abriu a
porta.
Nisso, ao sair do
quarto, Vivian viu que várias flores estavam pelo chão do corredor, como se
enfeita a igreja em dia de casamento.
A pobre senhora
desceu com dificuldade as escadas e se apoiando no corrimão, foi até a porta de
entrada. Ao abri-la se deparou com o lindo jardim, que estava florido como de
costume na Primavera.
Quem cuidou de meu jardim? Indagava a senhora, pois os sobrinhos
não tinham tempo para isso, e também não se importavam com as flores.
Nisso, a
senhora Vivian vê um senhor no jardim. Ele acena para ela.
A senhora Vivian não
hesitou e lentamente foi caminhando até lá. Quem
é esse homem que está mexendo em meu jardim? Pensou a idosa com raiva.
Ela não hesitou e mesmo com dificuldade para andar, foi
devagar verificar quem seria o estranho que estaria lá com suas flores. O pouco
que percorreu já foi motivo para cansaço, e sua respiração ficou alterada.
— Quem é o senhor? —
Pergunta Vivian ao pobre homem. — Meus sobrinhos não mencionaram que um
jardineiro estaria cuidando de meu jardim. — Falava ela desconfiada e com
ciúmes de suas flores.
O homem estende as
mãos para Vivian e a fita-lhe nos olhos.
— Você não está me
reconhecendo? — Diz o senhor à Vivian. O homem tinha um sotaque estrangeiro.
Ela se levanta do
banco e vai até ele. Olha bem no fundo dos olhos azuis do sujeito e
boquiaberta, o reconhece.
— Não pode ser! É
você Arturo? — Pergunta Vivian ao homem.
— Sim minha querida,
sou eu, que estou aqui cuidando de suas flores porque você não pode mais.
— Mas como você sabia
que eu ainda morava aqui? — O que fez nesse tempo todo? — E sua família, nossa
tenho muito a perguntar. — Falava Vivian sorridente ao homem.
— Meu amor, eu nunca
me casei, assim como você.
— Mas você foi
embora, achei que não me amasse mais e que fosse viver a sua vida.
— O homem segurou as
mãos de Vivian enquanto falava. Você sempre soube que seu pai, por causa das
condições financeiras da sua família, não aprovava o nosso namoro. Eu sou de
uma família pobre imigrante e era o empregado da casa, o jardineiro, como ele
aprovaria isso? Seu pai queria que você tivesse um bom partido. — Dizia o
senhor Arturo.
Vivian foi recordando
o passado, e as cenas foram voltando à sua mente...
Estavam no ano de 1950 e o pai de Vivian era um advogado
bem sucedido. Além da casa que moravam já possuíam outras duas. A família tinha
quatro filhos, sendo Vivian a caçula com muita diferença dos demais. Dos três
irmãos, a mais velha estava casada e os outros dois, um era médico e o outro
advogado e não moravam mais com os pais de Vivian, somente ela, com 15 anos.
A casa sempre tivera um imenso jardim e Vivian era
apaixonada por flores. De temperamento doce e muito simples, a moça nada se
parecia com os irmãos, que almejavam posições sociais e políticas.
Vivian começou a lembrar-se de quando o jardineiro veio
para sua casa, contratado para cuidar do jardim. Vivian assim que viu o belo
jovem alto e louro, de uns olhos azuis da cor do céu, se apaixonou pelo
estrangeiro, foi amor à primeira vista para ambos, mas os pais de Vivian nunca
aprovaram.
Num certo início de manhã, o pai da moça os vê caminhado
de mãos dadas no jardim, vendo também quando a filha se beijou com o jardineiro
e isso foi motivo para despedir o sujeito.
Desesperado, o rapaz não sabia o que fazer, pois
perderia Vivian para sempre.
Vivian ficou sabendo que o pai despedira seu grande
amor. Os dois tentaram fugir, mas o plano não deu certo. Ela foi mandada para
um colégio interno e o pai disse-lhe que o rapaz aceitou dinheiro e foi embora.
Isso foi motivo para que Vivian nunca mais se
apaixonasse. Com o coração partido, a pobre moça se dedicou aos estudos e ao
trabalho.
— Me lembrei de tudo o que nos aconteceu Arturo. — Disse
Vivian ao homem. — Só não compreendo porque você aceitou o dinheiro, então você
não me amava suficientemente? — Indagou.
— Mas eu não aceitei dinheiro algum Vivian. Mesmo eu
sendo pobre não deixaria alguém comprar o meu amor. — Explicou Arturo.
— Então porque você nunca mais voltou? — Perguntou
Vivian, angustiada em saber a verdade depois de todos aqueles anos perdidos.
— Sim quando você esteve fora eu voltei duas vezes aqui
e ameacei o seu pai a contar-me onde você estava e ele não deixou por menos;
contratou uns capangas que fizeram uma emboscada para mim, da qual eu não
sobrevivi! — Disse-lhe Arturo.
Vivian sentiu uma forte dor no peito ao ouvir aquelas
terríveis palavras e se amparou nele para não ir ao chão.
— Mas não pode ser! Como você está aqui agora?
Envelhecido também? — Perguntava Vivian desesperada, sentando-se no banco para
não desfalecer.
— Vivian, eu envelheci junto com você porque o seu amor
nunca me fez morrer. Você mesmo longe, naquele colégio interno e depois na sua
vida inteira, nunca deixou de pensar em mim um minuto sequer e isso me deu vida
e assim como suas flores, eu sempre estive ao seu lado, cultivado em seu
coração, amado e querido todas as manhãs. Você sempre me chamou, falou meu nome
e amou as flores, assim como eu e nunca morri; sempre estive aqui e te amei
Vivian.
— Eu vivi neste jardim a minha vida inteira e acompanhei
a sua vida até agora.
Vivian e Arturo se
abraçaram e lágrimas corriam dos rostos de ambos e a vida de Vivian foi
chegando ao fim. Foi demais para ela tudo aquilo. Em seu último suspiro, Vivian
pediu desculpas para Arturo por ter causado tudo aquilo e faleceu em seus
braços.
Na manhã seguinte, a
sobrinha de Vivian foi ter com ela no quarto e quando viu que a tia não estava,
começou a procurá-la, encontrando o corpo no jardim.
Com o falecimento da
tia, os sobrinhos não venderam a casa e continuaram a viver ali, já que era uma
mansão e patrimônio da família.
Os sobrinhos tinham
suas vidas agitadas, mas mantinham sempre o jardim cuidado e florido, em
memória da tia.
Assim
como a vida renasce a cada dia, no jardim Vivian e Arturo agora podiam viver
suas vidas para toda a eternidade!


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