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Cantinho da Literatura

Sarau Poético Orides Fontela

 

Olá, bom dia queridos amigos, e desejo muita harmonia nesta quinta-feira e semana, início de maio.

O Cantinho da Literatura desta quinta-feira (30.04) homenageia a poeta paulista Orides de Lourdes Teixeira Fontela, mais conhecida como Orides Fontela, com grande Sarau Poético pela Academia de Artes, Letras e Ofícios de Praia Grande.

Fontela faleceu há 28 anos, aos 58 anos em Campos do Jordão/SP, no dia 02 de novembro de 1998, devastada pela tuberculose.

 E celebramos 86 anos de seu nascimento em São João da Boa Vista/SP, em 21 de abril de 1940.

 Por sua rica e original poesia, será a homenageada neste ano da Festa Literária Internacional de Paraty/RJ, a realizar-se entre os dias 22 a 26 de julho de 2026.

 Continue lendo a matéria, acesse:

https://quatrocincoum.com.br/noticias/flip/orides-fontela-entre-o-rigor-e-a-critica/

 

Homenagem em Praia Grande

 Acontece nesta quinta-feira (30.04), às 15h30, Sarau Poético.

 


Poemas

Fala

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir.

Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.)

[Do livro Transposição]

 

Teia

A teia, não
mágica
mas arma, armadilha

a teia, não
morta
mas sensitiva, vivente

a teia, não
arte
mas trabalho, tensa

a teia, não
virgem
mas intensamente
prenhe:

no
centro
a aranha espera.

[Do livro Teia]

 

Elegia (I)

Mas para que serve o pássaro?
Nós o contemplamos inerte.
Nós o tocamos no mágico fulgor das penas.
De que serve o pássaro se
desnaturado o possuímos?

O que era voo e eis
que é concreção letal e cor
paralisada, íris silente, nítido,
o que era infinito e eis
que é peso e forma, verbo fixado, lúdico

o que era pássaro e é
o objeto: jogo
de uma inocência que
o contempla e revive
— criança que tateia
no pássaro um esquema
de distâncias —

mas para que serve o pássaro?
O pássaro não serve. Arrítmicas
brandas asas repousam.

[Do livro Helianto]

 


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