Cantinho da Literatura
Sarau Poético Orides Fontela
Olá, bom dia queridos
amigos, e desejo muita harmonia nesta quinta-feira e semana, início de maio.
O Cantinho da Literatura desta quinta-feira (30.04) homenageia a poeta paulista Orides de Lourdes Teixeira Fontela, mais conhecida como Orides Fontela, com grande Sarau Poético pela Academia de Artes, Letras e Ofícios de Praia Grande.
Fontela faleceu há 28
anos, aos 58 anos em Campos do Jordão/SP, no dia 02 de novembro de 1998, devastada
pela tuberculose.
https://quatrocincoum.com.br/noticias/flip/orides-fontela-entre-o-rigor-e-a-critica/
Homenagem em Praia Grande
Poemas
Fala
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.
Tudo será
capaz de ferir.
Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.
Não há piedade nos
signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Toda palavra é
crueldade.)
[Do livro
Transposição]
Teia
A teia, não
mágica
mas arma, armadilha
a teia, não
morta
mas sensitiva, vivente
a teia, não
arte
mas trabalho, tensa
a teia, não
virgem
mas intensamente
prenhe:
no
centro
a aranha espera.
[Do livro Teia]
Elegia (I)
Mas para que serve o
pássaro?
Nós o contemplamos inerte.
Nós o tocamos no mágico fulgor das penas.
De que serve o pássaro se
desnaturado o possuímos?
O que era voo e eis
que é concreção letal e cor
paralisada, íris silente, nítido,
o que era infinito e eis
que é peso e forma, verbo fixado, lúdico
o que era pássaro e é
o objeto: jogo
de uma inocência que
o contempla e revive
— criança que tateia
no pássaro um esquema
de distâncias —
mas para que serve o
pássaro?
O pássaro não serve. Arrítmicas
brandas asas repousam.
[Do livro Helianto]

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