Cantinho da Poesia
Centenário de Thiago de Mello
Nessa segunda-feira, dia
30 de março, o poeta e tradutor amazonense Amadeu Thiago de Mello completaria
cem anos de nascimento (30.03.1926).
Em 1947, Thiago de Mello
publicou seu primeiro volume de poemas, “Coração da Terra”. Em 1950 publicou
seu poema “Tenso Por Meus Olhos”, na primeira página do Suplemento Literário do
Jornal Correio da Manhã. Em 1951 publicou “Silêncio e Palavra”, que foi muito
bem acolhido pela crítica. Em seguida publicou: “Narciso Cego” (1952) e “A
Lenda da Rosa” em (1957).
Leia mais:
https://www.ebiografia.com/thiago_de_mello/
Grupo Cantos Literários em grande espetáculo na Casa das
Culturas de Santos
No sábado, dia 21/03 o
Grupo Cantos Literários apresentou na Casa das Culturas de Santos um espetáculo
lítero-musical maravilhoso sobre o poeta amazonense Thiago de Mello, que
completará 100 anos de nascimento no dia 30 de março.
A história de um dos
maiores escritores contemporâneos do Brasil, suas poesias ao som de belas
canções encheram de alegria os corações dos participantes.
Parabéns Eunice
Tomé , Clarinha
Sznifer , Nadja Soares e Plácido Pereira por mais um espetacular sarau
enriquecedor!
Jornal A Tribuna
Poeta Thiago de Mello
Míriam Santiago -
Santos
Poema Arte de amar
Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.
Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.
Poema
Narciso cego
Tudo o que de mim se perde
acrescenta-se ao que sou.
Contudo, me desconheço.
Pelas minhas cercanias
passeio — não me frequento.
Por sobre fonte erma e esquiva
flutua-me, íntegra, a face.
Mas nunca me vejo: e sigo
com face mal disfarçada.
Oh que amargo é o não poder
rosto a rosto contemplar
aquilo que ignoto sou;
distinguir até que ponto
sou eu mesmo que me levo
ou se um nume irrevelável
que (para ser) vem morar
comigo, dentro de mim,
mas me abandona se rolo
pelos declives do mundo.
Desfaço-me do que sonho:
faço-me sonho de alguém
oculto. Talvez um Deus
sonhe comigo, cobice
o que eu guardo e nunca usei.
Cego assim, não me decifro.
E o imaginar-me sonhado
não me completa: a ganância
de ser-me inteiro prossegue.
E pairo — pânico mudo --
entre o sonho e o sonhador.
Mais poemas no site vida secreta:
https://vidasecreta.weebly.com/thiago-de-mello-dez-poemas.html



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