Pular para o conteúdo principal

 


Bom dia e seguimos a quarta-feira com poesia!!

 

Deixo aqui para vocês um lindo poema de Vicente de Carvalho “A Flor e a Fonte”, do livro de Flávio Viegas Amoreira “Vicente de Carvalho Redescoberto”.

 

A Flor e a Fonte

 

“Deixa-me, fonte!” Dizia

A flor, tonta de terror.

E a fonte, sonora e fria

Cantava, levando a flor.

 

“Deixa-me, deixa-me, fonte!”

Dizia a flor a chorar:

“Eu fui nascida no monte...

Não me leves para o mar.”

 

E a fonte, rápida e fria,

Com um sussurro zombador,

Por sobre a areia corria,

Corria levando a flor.

 

“Ai, balanços do meu galho,

Balanços do berço meu;

Ai, claras gotas de orvalho

Caídas do azul do céu...”

 

Chorava a flor, e gemia,

Branca, branca de terror.

E a fonte, sonora e fria,

Rolava, levando a flor.

 

“Adeus, sombras das ramadas,

Cantigas do rouxinol;

Ai, festa das madrugadas,

Doçuras do pôr do sol;

 

Carícias das brisas leves

Que abrem rasgões do luar...

Fonte, fonte, não me leves,

Não me leves para o mar!”

 

As correntezas da vida

E os restos do meu amor

Resvalam numa descida

Como a da fonte e da flor

 

Imagens: Mí Santiago

Museu do Porto de Santos




Vicente de Carvalho

Vicente de Carvalho (Vicente Augusto de Carvalho), advogado, jornalista, político, magistrado, poeta e contista, nasceu e faleceu em Santos/SP, em 5 de abril de 1866/22 de abril de 1924.

Conheça um pouco mais sobre o autor no site da Academia Brasileira de Letras (ABL):

https://www.academia.org.br/academicos/vicente-de-carvalho/biografia

 

 

Flávio Viegas Amoreira


Amoreira é poeta, escritor, contista e crítico literário; uma das vozes mais destacadas da nova literatura brasileira surgida na virada do século com a chamada "Geração 00".

Desde abril de 2024, Amoreira é o curador da Casa das Culturas de Santos e ainda no mesmo ano assumiu as cadeiras das Academias, Santista de Letras, e Artes e Letras de Praia Grande.

Conheça um pouco mais sobre o autor:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Viegas_Amoreira

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

  Imagem pública Google Giro pela Cultura e História Hoje tem Sarau Literário-Gastronômico em Santos   Amantes da literatura brasileira não podem perder o sarau literário-gastronômico que se realiza nesta quinta-feira (18/06), das 19 às 21 horas, na Casa das Culturas de Santos.   Além de conhecer a biografia e poemas do poeta, cronista, cotista e jornalista Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac, mais conhecido como Olavo Bilac, considerado o "príncipe dos poetas brasileiros", os quitutes foram inspirados na tradicional e sem igual Confeitaria Colombo do Rio de Janeiro, frequentada pelo poeta.   O evento é totalmente gratuito e sem necessidade de inscrição basta comparecer no horário e participar, quem quiser leve seu poema e leia! A casa fica na Rua Sete de Setembro, 49, Vila Nova, Santos. Imagem pública Google   Olavo Bilac Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro/RJ, em 16 de dezembr...
Poesia Telha de Vidro Rachel de Queiroz Uma boa semana a todos nós! Ontem foi um dia complicado porque fui fazer um curso e no sábado estive numa festa. Só tenho a avaliar que meu final de semana foi ótimo! E nada melhor para relaxar na segunda com uma poesia, não é? Ainda mais depois da turbulência política de ontem, que começou na sexta (só lembrando que este veículo serve aos leitores temáticas culturais e não discuto aqui nada sobre política, somente uma pequena pincelada, para que este meu projeto não se torne um salseiro). Então vamos a Poesia Telha de Vidro da ilustre Rachel de Queiroz, espero que gostem. Tchau pessoal, até amanhã, Míriam Quando a moça da cidade chegou   veio morar na fazenda,   na casa velha...   Tão velha!   Quem fez aquela casa foi o bisavô...   Deram-lhe para dormir a camarinha,   uma alcova sem luzes, tão escura!   mergulhada na tristura   de sua treva e de sua única portinha... A moça nã...
Bom dia. Segue o conto “O homem que espalhou o deserto”, de Ignácio de Loyola Brandão. Importante texto que serve de reflexão sobre a prática danosa da derrubada de árvores indiscriminada, uma tendência mundial de devastação da natureza. O homem que espalhou o deserto Ignácio de Loyola Brandão Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome, filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pou...