Olá, que a segunda seja boa para todos nós.
Para hoje, segue o poema Ser poesia do amigo escritor e poeta Marcos Martins e espero que
gostem.
Abraços,
Miriam
Ser
poesia
Marcos Martins
Quando
me vi poeta, meu mundo ficou sem luz por dois segundos, depois tudo acendeu e
ascendeu com tamanha força, com tanto brilho que senti que iria ficar cego para
sempre, mas logo à vista foi recuperando o foco e nunca mais foi à mesma.
Passei a enxergar com todos os sentidos. Passei a sentir com todos os sentidos.
Passei a ouvir com todos os sentidos. Passei a viver, a morrer, a chorar, a
sofrer, a sangrar, com todos os sentidos.
Quando
descobri que o bicho que comia lixo não era um simples bicho e sim o rei da
cadeia evolutiva, meu chão desapareceu, meu eu foi amaldiçoado pela necessidade
de parir esses versos (poesia que de mim se faz brotar).
Ser
poeta é sentir tudo em demasia, é viver todo dia como se fosse o único dia –
versos líricos, epifania que não se deve, nem se pode explicar.
Ser
poeta é ser só, enxergar as entrelinhas, tocar a última estrela do universo
indiferente, dar nomes a cada fase do luar, se dilacerar, viver tudo em
demasia, conviver com o caos que sempre está lá (dentro da origem).
A
poesia contida em mim chega a machucar meu peito, como se alguém esmagasse meu
tórax me privando o respirar.
Poesia
é sentimento por osmose, vontade de se libertar, seja em versos
milimetricamente pensados ou versos livres como o espírito humano ao chegar
nesse mundo de correntes; é ser vivo todo ardente, labareda em meu eu que
ninguém a de apagar.

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