Translate

segunda-feira, 13 de agosto de 2018


Cantinho da Poesia
Um pouco de Mario Benedetti

Olá amigos, bom dia e excelente início de semana.
A Coluna Cantinho da Poesia desta segunda traz a poesia de Mario Benedetti, um dos mais influentes escritores e poetas da literatura uruguaia, confira:



Mario Benedetti
Mario Benedetti possui mais de 80 livros e é considerado  principal embaixador da literatura uruguaia no mundo, traduzidos a mais de 20 línguas. Nasceu em Paso de los Toros (departamento de Tacuarembó) em 1920, mas desde criança morou na capital. Buenos Aires e Madrid formam também suas cidades de residência durante o exílio político na Ditadura dos anos setenta.
Benedetti se iniciou nas letras na redação do semanário marcha, onde se desempenhou entre 1945 e 1974. Também foi crítico literário nas publicações Marginalia, Número e La Mañana.
Sua obra literária cultivou todos os gêneros: conto, novela, poesia, ensaio, drama. Seu primeiro volume de contos foi Esta mañana y otros cuentos(1949), ao que seguiram Montevideanos (1959), Con y sin nostalgia (1977), Geografías (1984) e Despistes y franquezas (1989) como suas obras mais representativas em narrativa breve.
Sua primeira novela foi Quién de nosotros (1953), embora seu reconhecimento internacional chegasse com La Tregua (1960), que originou uma versão cinematográfica em 1974, nomeada ao Oscar como melhor filme estrangeiro. Gracias por el fuego (1965), El cumpleaños de Juan Ángel (1971), Primavera con una esquina rota(1982), La borra del café (1992) e Andamios (1996) completam sua produção de novelas, todas obras de grande êxito.
Sua obra poética se reúne em mais de trinta volumes, onde se destacam Cotidianas, Poemas de otros, Viento del exilio e Las soledades de Babel. O mais significativo de sua poesia se compila no Inventario Uno (1963), Inventario Dos (1994) e Inventario Tres (2003), livros mais que recomendados para se aproximar à vasta criação do autor. O retrato cotidiano de Montevidéu, o exílio e o compromisso com os outros são alguns dos temas abordados em sua literatura.

Por que cantamos
Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel

você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos

antes mesmo de explodir a vergonha
você perguntará por que cantamos
se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram árvores e céu

se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro
você perguntará por que cantamos
cantamos porque o rio está soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino

Pesquisa: Revista Prosa Verso e Arte, Pensador, Poesia Latina 

Nenhum comentário: