Flexão do verbo haver
Dicas da Língua
Portuguesa
Olá meus amigos, hoje é quinta-feira e dia da
coluna Dicas da Língua Portuguesa com a explicação
de um erro muito comum, observado principalmente na comunicação oral, que é a
flexão do verbo “haver”.
Esse verbo, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, é impessoal. Isso significa que
permanece na terceira pessoa do singular, sem sujeito. Portanto, é errônea a
flexão do verbo no plural. É provável que a origem do erro seja a associação da
conjugação do verbo “haver” com os verbos “existir” e “ocorrer”. Estes têm
sujeito e, portanto, flexionam-se de acordo com o número e a pessoa.
Exemplos:
Ocorrerão mudanças.
Existirão mudanças.
Com o verbo “haver”, a regra é diferente –
permanece no singular:
Haverá mudanças.
Como sinônimo dos verbos “ocorrer” e “existir”,
portanto, o verbo “haver” permanece invariável.
Não se pode, no entanto, afirmar que o verbo
“haver” nunca vai para o plural. Ele pode, por exemplo, desempenhar a função de verbo auxiliar (que indica
pessoa, tempo e modo verbal, sinônimo de “ter” nos tempos compostos). Nesse
caso, o verbo é conjugado no plural.
Exemplos:
Eles haviam chegado cedo.
Eles tinham chegado cedo.
Além disso, como verbo pessoal (com sujeito), pode
assumir o sentido de “obter”, “considerar”, “lidar”, ainda que esses usos sejam
menos recorrentes:
Houveram (= “obter”) do juiz a comutação da pena (sujeito:
“comutação da pena”).
Nós o havemos (=
“considerar”) por honesto. (sujeito: “nós”)
Os alunos houveram-se (= “lidar”) muito bem nos exames. (sujeito:
“os alunos”)
O verbo “haver”, portanto, precisa ser usado com
atenção (especialmente, quando ele é impessoal), para evitar erros gramaticais.
Gostaram das dicas de hoje? Boas, não?
Abraços, até mais,
Míriam

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