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Tenham um bom dia.
Semana de Halloween, deixo aqui na página um conto sobre o assunto para comemorar o Dia das Bruxas.
Bem, por hoje é só.
Abraços,

Míriam



Conto
Noite de Halloween

Era sexta-feira dia 31 de outubro, Noite de Halloween e a rua estava cheia de crianças fantasiadas pedindo doces. As mães com pratinhos de quitutes e chapéus de bruxa na cabeça brincavam junto com os filhos.
Eu assistia a tudo, mas sem me envolver.
Sentei-me num banco e fiquei acompanhando a comemoração que acontecia na rua Kalil Nader Habr que estava fechada para o trânsito.
Achei muito legal tudo aquilo, pois nunca havia presenciado uma festa daquele estilo aqui no Brasil, mas percebi como é bom ter por perto uma escola de idiomas, que sem dúvida, trouxera mescla de cultura e interação aos moradores da Vila Moraes, em São Paulo.
Acompanhava a comemoração quando um homem sentou-se a meu lado. Ele estava com calça jeans preta, camisa polo e sapatos também pretos.  
— Você está gostando da festa? — Pergunta o homem misterioso, com uma voz maravilhosa e máscula.
— Sim. — Disse eu a ele gaguejando e envergonhada sem olhá-lo.
— Você mora aqui no bairro? Nunca te vi andando por aqui. — Questionei. 
— Não, sou de outro lugar. — Disse o homem.
Quando eu ia perguntar de onde era, ele virou-se e me perguntou se eu queria ir a outro lugar para nos conhecermos melhor.
Relutei, e envergonhada, disse que não, sem olhar para ele. Mas o homem, que disse chamar-se Renan, segurou meu rosto até que eu o olhasse. Seus olhos eram negros e brilhantes, maravilhosos. Um rosto grande e quadrado, nariz e dentes perfeitos numa boca avermelhada. Os cabelos negros e sedosos até os ombros se misturavam à barba a fazer. — Que Deus grego! Suspirei eu, olhando todos os detalhes de um rosto perfeito; aliás, ele era perfeito por completo, dos pés a cabeça.
O estranho então me perguntou pela segunda vez se eu gostaria de acompanhá-lo e desta vez, falou mais perto de mim, bem rente a meu ouvido e ao me virar para responder-lhe, seus olhos me seduziram, a ponto de eu nem responder-lhe, apenas me levantei e lhe estendi as mãos.
Estava fascinada por aquele misterioso homem maravilhoso de lindo e cordialmente gentil; um cavalheiro a moda antiga, tão raro no século XXI.
Ela era uma jovem retraída e não tinha muitos amigos.  Tinha duas colegas que também não eram populares e assim, o mundo de Rachel era solitário e sem brilho.
Quando já estavam longe da rua, o homem convidou-a para tomar uma bebida e comer alguma coisa, e Rachel não hesitou.
Renan então a levou para um lugar mais reservado e eles foram ao apartamento dele, que ficava do outro lado da cidade, na avenida Paulista.
Rachel passou uma noite maravilhosa com o belo desconhecido.
No dia seguinte, a moça estava exausta e não se lembrava de nada; o estranho foi saber que ao abrir os olhos, estava em seu próprio quarto e na sua cama. Durante o dia ela indagou se tudo não foi uma ilusão de sua mente que tentava driblar a solidão.
No entanto, depois de dois dias, sensações estranhas começaram a acontecer com ela, que a cada dia se sentia com mais vigor físico, sem contar na aparência, que se modificara, tornando-a sedutora.
Sem entender o que acontecia, Rachel tinha vontades estranhas e seus hábitos modificaram-se.
Perambulava pelas ruas à noite tentando reencontrar a paixão misteriosa.
Na escola, Rachel tornara-se popular e todos os que a fizeram sofrer por bullying saciaram a sua fome.
E a vida de Rachel foi se modificando, e ela foi se adequando à sua nova realidade.
...
Depois de uma no, chegou novamente a noite de Halloween.
Para Rachel a expectativa de reencontrar o amado e assim ela tratou de se arrumar para a festa que acontecia na rua, do mesmo jeito do ano anterior.
A moça sentou-se então no banco à espera da misteriosa paixão, mas o amado não apareceu e ela resolveu voltar para casa, deixando a festa que continuava a todo vapor.
Nisso, ela notou que um rapaz vestido todo em negro vinha em sua direção. Rachel parou e aguardou.
— Não pode ser ele, pois está muito diferente, franzino e sem nenhum atrativo, pensava Rachel.
Mas o rapaz veio até ela. O jovem parou e fitou-a nos olhos e ao entregar-lhe uma carta, rapidamente desapareceu por entre as ruas do bairro.
Ansiosa Rachel tirou a carta do envelope e em poucas linhas, antes de partir Renan agradecia e se despedia dela, dando-lhe o endereço de sua nova e eterna morada: Cemitério do Morumbi.
— Depois de tantos anos consegui achar uma pessoa compatível para continuar com essa maldição... ou sorte...

E Rachel ficou estarrecida segurando a carta de seu amado.

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