domingo, 9 de fevereiro de 2020


Recital de Poesia na Casa das Rosas
Vá se programando para o próximo sábado

Olá amigos, tenham um excelente domingo, muito calor aqui na Baixada Santista e praias lotadas.
Para quem curte poesia, no próximo sábado a Casa das Rosas promove evento inusitado e gratuito.

Imagem pública

Expresso Poesia: O Stand-Up da Casa das Rosas

O museu convida poetas de diversas gerações para servirem doses altamente concentradas de poesia, vale de poema a performance, tudo em contato direto com o público.
Não perca o expresso da poesia, que acontecerá no próximo sábado (15), às 15h, com Pedro Blanco.

Pedro Blanco 
É falhador de poesia, pescador de peixe fora d’ água e achador de causas perdidas. Usuário de Rita Lee. Infelizmente resiste em São Paulo. Autor do livro Inmôcodo (2018).

Serviço:
Expresso Poesia: O Stand-Up da Casa das Rosas
Quando: sábado, dia 15.02 – às 15h
Local: Museu Casa das Rosas
Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo
Mais informações: (11) 3285-6986/3288-9447
Evento gratuito  

sábado, 8 de fevereiro de 2020


Revista Conexão Literatura Fevereiro 2020

Olá, bom dia e excelente sábado a todos nós.
Semana cheia e atribulada de tanto serviço e atividades externas, pois além da minha demanda habitual ainda acrescentei as da gestora, que está em férias, então já viu, né? Muito serviço, que me deixou tecnicamente sem condições de postagem aqui na página, mas pretendo colocar tudo em ordem.
Para quem ainda não viu divulgação, desde o dia 1º a edição de fevereiro da Revista Conexão Literatura pode ser baixada gratuitamente, aproveitem a leitura! Há, participo com o conto Desaparecidos, espero que gostem de toda edição, abraços, até amanhã.

Clarice Lispector ganha destaque 

“Faz um bom tempo que desejo destacar Clarice Lispector numa edição da Revista Conexão Literatura, uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX. Mas tudo tem a sua hora. Saiba mais sobre essa importante escritora nas páginas desta edição e aproveite para conhecer as novas dicas de livros, contos e muito mais, basta acessar gratuitamente o link da edição. As nossas edições são gratuitas, basta baixar para ler. A única coisa que pedimos é que você curta a nossa fanpage e se possível compartilhe nossas publicações com seus amigos. Esse é nosso trabalho em prol do incentivo à leitura”, ressalta o Editor-chefe Ademir Pascale.

“Valorize quem te ama, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto, bom... ninguém nunca precisou de restos para ser feliz.” - Clarice Lispector


Para saber como participar das nossas próximas edições, clique no link:

Para baixar a edição:



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020


Poema Instantes de Jorge Luís Borges

Olá, bom dia.
O Cantinho da Poesia desta semana ressalta a maravilhosa e perfeita poesia Instantes de Jorge Luís Borges, esse é um dos poemas que mais aprecio.
Abraços.

Se eu pudesse viver novamente minha vida, Na próxima,
trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão
perfeito, relaxaria mais, Seria mais tolo ainda do que
tenho sido, Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios. Iria a lugares onde nunca fui, tomaria
mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e
menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e
produtivamente cada minuto da vida: claro que tive momentos
de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter
somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita
avida, só de momentos; não perca o agora. Eu era um desses
que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de
água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse
a viver viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do
outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais
amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra
vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que
estou morrendo.

domingo, 2 de fevereiro de 2020


Curso A Literatura e os Novos Caminhos
Na Casa das Rosas, inscrições abertas

O curso, ministrado por Rodrigo Bravo, acontece toda terça-feira, das 19h às 21h, nos dias 04, 11, 18 e 25 de fevereiro, no Museu Casa das Rosas, em São Paulo, gratuito.

Quais as possibilidades atuais de suporte para a criação literária e de meios de difusão das obras? Os novos recursos afetam o modo como se produz literatura hoje? Estas e outras questões correlatas serão objeto desta discussão.



Programa de aulas:

Aula 1: As funções do discurso poético através da História – da prática civilizatória à reflexão sobre a linguagem;

Aula 2: "Será o fim da poesia?" – O discurso poético diante das mídias contemporâneas;

Aula 3: Estudo de caso I – A poesia no gênero fantástico e na ficção científica;

Aula 4: Estudo de caso II – A presença do haikai na animação japonesa.

Faça sua inscrição online, neste link, ou presencialmente, na recepção da Casa das Rosas até o preenchimento das vagas. Emissão de certificado digital aos participantes que atingirem o mínimo de 75% de frequência. É necessário confirmar a inscrição frequentando a primeira aula de cada curso. Faltar na primeira aula sem justificativa prévia (que pode ser feita por meio de contato@casadasrosas.org.br) implicará o desligamento automático do inscrito.



Rodrigo Bravo
Doutorando em Tradutologia, Mestre em Linguística, Bacharel em Letras Clássicas e Bacharelando em Letras - Hebraico pela Universidade de São Paulo. Professor, tradutor e pesquisador em linguística com ênfase em tradução literária, literatura comparada. Desenvolve pesquisa junto ao Departamento de Letras Modernas (DLM) da Universidade de São Paulo. Professor do curso de pós-graduação em Música Popular da Faculdade Santa Marcelina. Curador da exposição "TransFormações", na Casa das Rosas (SP) (2017). Membro do conselho editorial e criador da série literária Neûron, na editora Córrego. Co-criador e editor da revista eletrônica de poesia brasileira contemporânea traduzida para o inglês "Saccades/Sacadas" (2018). Autor dos livros "Ernesto na Torre de Babel" (2016), "Poligonia do Haikai" (2017), "Um Livro para Rufino" (2018), "Teso" (2018) e "Mavórcio Libreto" (2018), além de artigos e capítulos de livro na área de tradução e crítica literária.

Serviço:
Curso A Literatura e os Novos Caminhos
Quando: terças, das 19h às 21h, nos dias 04, 11, 18 e 25/02 Local: Museu Casa das Rosas – Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo
Telefones: (11) 3285-6986 / 3288-9447

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Peça imersiva na Casa das Rosas

Imagine assistir a uma peça na Casa das Rosas que conduz a uma viagem no tempo. Essa é a proposta do espetáculo imersivo “As Palavras da Nossa Casa”. A peça transporta o espectador para a década de 1960. Tudo começa quando uma famosa cantora lírica resolve passar uma temporada na casa que sua única filha divide com o marido pastor presbiteriano.
O público pode acompanhar de pertinho a história, transitando por diversos cômodos da Casa das Rosas, como se também fosse hóspede na mansão. É a última peça no local antes do casarão passar por uma reforma de dois anos. Nesse período, as atividades do museu acontecerão no jardim da instituição e em organizações parceiras.



Serviço:
Peça “As Palavras da Nossa Casa”
Local: Casa das Rosas - Avenida Paulista, 37, Paraíso, São Paulo
Quando: até 27/3 (exceto 21/2), toda sexta, das 18h30 às 20h
Valor: R$ 60  

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020


Dicas da Língua Portuguesa
Relembrando


 Fonte: blog do tavinho

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Dica de leitura
Seja Foda!, de Caio Carneiro

Olá, excelente quarta-feira a todos nós!
Recebi mais uma dica de leitura, desta vez do leitor Fábio S. Sousa, que está lendo o livro e adorando.
Obrigada ao Fábio pela indicação, abraços.
Se você também está lendo um livro “foda” e quer compartilhar, por favor, me passe a dica por e-mail: miriansssantos@gmail.com


O livro do autor Caio Carneiro, da editora Buzz é um dos mais vendidos atualmente, que ensina sobre comportamentos e atitudes necessárias para conquistar, em todos os aspectos da sua vida, resultados incríveis. Ele irá te inspirar o espírito elevado e a sonhar com coisas inimagináveis, além de ajudar o leitor a se tornar consciente do que precisa fazer para realizar cada um desses sonhos.
O autor explica sobre a analogia de cinco pilares da construção do sucesso que estão na palma da mão e prometem contribuir na jornada de cada um como empreendedor. Esses elementos são tão importantes, que o levou a criar um sistema para enxergar exatamente o que é preciso para ter sucesso. Dentre eles são: compromisso e valores; visão e direção; atitude e outros.

Caio Carneiro
Nasceu em São Paulo, decidiu viver a vida de maneira intensa aproveitando todas as oportunidades, conquistando assim seu primeiro milhão aos 25 anos de idade.
Hoje, viaja o mundo inteiro fazendo negócios e contando suas histórias, desde seus primeiros fracassos até a conquista dos seus primeiros milhões na indústria do Network Marketing.
Caio Carneiro tem dois filhos e atua como palestrante e investidor. Lidera uma grande equipe ao redor do mundo, em uma gigante americana ranqueada entre as maiores empresas. Caio quer transformar vidas e se conectar mais com as pessoas, inclusive com você.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Pablo Neruda no Cantinho da Poesia

Olá, excelente terça-feira a todos.
Ontem não tive condições de postar nada aqui na página por conta de doença familiar, então deixei a coluna Cantinho da Poesia para hoje.
Já és minha, de meu poeta favorito Pablo Neruda, espero que gostem, abraços.

Já és minha
Pablo Neruda

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido...
Nenhuma mais, amor, dormira com meus sonhos...
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.
sempre viva. sempre sol... sempre lua...
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo...
teus olhos se fecharam como
duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água
que levas e me leva.
A noite... o mundo... o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho...

Pablo Neruda

Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto ou Pablo Neruda - nascido em 12 de julho de 1904, em Parral, Chile – foi poeta chileno, considerado um dos mais importantes  da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México. Neruda faleceu dia 23 de setembro de 1973, em Santiago, no Chile.

Fonte: mensagenscomamor; Wikipédia; imagem pública internet

domingo, 26 de janeiro de 2020


A cidade de Santos completa 474 anos 
Confira a programação de aniversário

Santos completa 474 anos neste domingo (26) e o ponto alto da festa terá dois shows que agitarão a praia do Gonzaga. Não tão rica a programação como aconteceu ontem com o aniversário de São Paulo, enfim, para quem vive em Santos, segue programação que a Prefeitura Municipal preparou gratuitamente a todos.
No palco montado próximo ao canal 2, o público terá o prazer de conferir dois grandes nomes da música nacional: Melim e Zeca Pagodinho. 

Confira a programação no site:




Imagem pública internet

sábado, 25 de janeiro de 2020

Aniversário de São Paulo oferece programação em todas as regiões da cidade

Prefeitura oferece mais de 300 atividades 

A programação do Aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro, contará com mais de 300 atividades gratuitas entre shows, palestras, cinema, dança, circo, teatro, programação infantil, debates e roteiros de memória, realizadas em cerca de 150 pontos da capital. Na região central, o destaque é o Grande Cortejo Modernista, com show de Ney Matogrosso, Skank, Karol Conká, Elba Ramalho com Bixiga 70, Rashid, Demônios da Garoa e a bateria da Vai-Vai.
Entre as atividades descentralizadas, nas cinco regiões da cidade, tem, por exemplo, Centro Cultural Tendal da Lapa, haverá apresentação do cantor Emicida na zona leste, grupo Falamansa na zona norte. Já no Marcelo Jeneci. O ritmo dá o tom da programação do M’Boi Mirim, na zona sul, com a turnê “30 anos, 30 sucessos”, apresentada por Rodriguinho, ex-vocalista do grupo Travessos.

Para conhecer toda a programação, acesse o site:




sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Conheça o Parque Ecológico Imigrantes

Excelente sexta-feira a todos nós.
Já estive no parque e gostei muito. Nesta semana recebi a indicação de visita de um leitor da página, que repasso a quem tiver interesse. Agradeço a colaboração do Valter S. Oliveira, que gentilmente enviou a dica por e-mail.
Abraços a todos e, em especial, ao leitor Valter, que assim como eu, é um amante da natureza!


 O Parque Ecológico Imigrantes, inaugurado em 2018, no coração da Mata Atlântica e a uma hora de São Paulo, possui uma área de quase 500 mil metros de área preservada. O passeio convida a todos que apostam na preservação da natureza a se conectarem com a fauna e a flora do local por meio de seis trilhas, que priorizam pontos de beleza cênica, curiosidades da flora ou da história de interferência do homem na região.
Há uma trilha sensorial inclusiva, pensada para proporcionar experiências de aprendizado aos deficientes. Por meio de passarela elevada, é possível observar toda a beleza que a paisagem do parque oferece. A construção, que dá a impressão de sobrevoar a floresta e fica em meio à copa das árvores, é o principal meio de circulação dos visitantes e foi construída com madeira plástica, a partir da reciclagem de resíduos plásticos.

Serviço:
Parque Ecológico Imigrantes
Endereço: Rodovia Imigrantes, São Bernardo do Campo
Visitas gratuitas até 6 de abril – passeios monitorados
Reserva individual: sextas, das 9h às 12h, para grupos de até 5 visitantes
Reserva para grupos diversos: segundas, das 8h30 às 12h, para grupos de até 50 visitantes

Agende sua visita e conheça o site:

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020


Coluna Dicas da Língua Portuguesa
Relembrando o uso do negrito

Bom dia e excelente quinta-feira a todos nós.
A coluna desta semana relembra o uso do negrito, que pode parecer banal para muitos, mas o uso correto no texto pode ser a diferença tanto no serviço como também em trabalho que passará por avaliação.



 Uso do Negrito
O negrito é usado para marcar o texto destacando partes importantes. Acompanhe algumas dicas de utilização:

Evite o uso exagerado
Cuidado com o exagero de palavras em negrito no texto, e procure a utilização para enfatizar uma frase ou palavra importante para chamar a atenção do leitor;

- Utilize itálico
Quando estiver escrevendo palavras estrangeiras que ainda não foram incorporadas ao nosso idioma utilize itálico. Muita gente ainda coloca a palavra em negrito;

- Uso de negrito e sublinhado
Use com moderação o negrito ou sublinhado para ênfases no corpo do texto. 

Fonte: gramática da língua portuguesa e imagem pública internet

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020


Poemas de Niterói
Dica de leitura

Olá, bom dia e excelente quarta-feira a todos nós.
Achei interessante a descrição do livro Poemas de Niterói, escrito por Marcos Jorge Nasser no site da Revista Conexão Literatura. Então fica a dica.


Responder como é a vida, com a coragem que os poemas que escreve incita, é a proposta de Marcos Jorge Nasser no seu livro de estreia: Poemas de Niterói - O Inominado (Autografia) – Volume I. O autor não tenta usar atalhos para responder a esta interrogação e com versos bem encadeados e musicais, além de rimas, lança mão de recursos para reforçar a possibilidade de se viver bem e com a alegria.
A inspiração vem da cidade fluminense de Niterói, onde o autor mora desde 1952, quando deixou, aos nove anos, Vitória, no Espírito Santo, onde nasceu. Já nas primeiras páginas, o livro apresenta ao leitor uma voz poética voltada para o cotidiano comum, como se fosse Marcos Nasser o andarilho ou errante pela cidade em que decidiu morar, segundo a avaliação do crítico literário Erick Bernardes.
Poemas de Niterói – O Inominado (Volume I) trabalha a beleza do grotesco nos interstícios do discurso, oferecendo aos leitores um livro contaminado pelo germe de um "eu" crítico e que reforça a marca psicológica existente na sua literatura.

"O sol se
encobre sobre as nuvens. / O sol é resto
de nada" - mas o sol sempre se levanta,
todos os dias, independentemente das
nossas vontades, como uma verdade eternizada,
mesmo que seja "noite pelas ruas,
/ pelo sol". 

Saiba mais sobre o livro e o autor, acesse o site:  





terça-feira, 21 de janeiro de 2020


Conto: O mundo de Alice
Por Míriam Santiago



   A
lice estava sentada no chão de terra batida quando passou correndo um coelho branco com olhos cor-de-rosa dizendo para si mesmo: “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado! E depois o coelho tirou um relógio do bolso do colete, e olhou para ele, apressando-se.
            A menina levantou-se rapidamente e pôs-se a correr atrás do coelho e ao vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo de uma cerca ela fez o mesmo. A toca dava diretamente em um túnel. E Alice andava devagar, o coelho, por sua vez, estava longe, já que estava atrasado!
            Mesmo no escuro do túnel, que parecia sem fim, sem medo, a menina foi caminhando, pois queria saber onde iria dar. De repente, o buraco foi recebendo uma leve claridade, que foi aumentando até aparecer uma saída.
            Alice ficou estarrecida ao ver a linda paisagem oriunda da estreita passagem de onde viera, e quem veio recebê-la foi o coelho.
            - Alice venha comigo quero te apresentar algumas pessoas.
            E a menina foi respondendo para um coelho. A princípio achou estranho, mas a beleza do lugar a encantou. Em fila, várias crianças uniformizadas, com suas mochilas às costas, lindas e sorridentes. A casa era imensa a perder de vista toda sua extensão.
            - Vamos Alice, quero te mostrar este lugar, falava o coelho, que não mais estava atrasado, já que deixara o relógio de lado.
            - Que lugar é este, nunca estive aqui.
            - Vamos andando, veja que a casa é muito grande e aos fundos, temos várias quadras de jogos, falava e apontava o coelho.
            - Nossa, e não vejo nenhuma criança correndo, tem duas piscinas!
            - É que as crianças estão em aulas, depois é que vão para as quadras, após o horário das aulas, explicava o coelho.
            - Como é seu nome? E porque me trouxe para cá? Argumenta Alice.
            - Me chamo Hélio, e assim que te vi sentada naquele lugar lendo, presumi que quisesse conhecer esta escola, não é legal? Responde o coelho.
            - Mas assim do nada, responde Alice, estou adorando conhecer tudo isso, sai correndo a menina, que nunca estivera em uma escola tão magnífica como aquela; aliás, há alguns anos não frequentava escola alguma.
            E os dois caminharam por todo o espaço. A área tinha belos jardins bem cuidados e floridos, com espaços para balanços, escorregadores e outros brinquedos. Tudo muito limpo, com várias pessoas cuidando do lugar, que sorriam para Alice.
            - Nossa, nunca estive em um lugar assim, e é uma escola, não é um clube, tudo isso para que todas essas crianças possam usufruir, gostaria de estudar aqui, falava Alice a Hélio.
            - Eu sei que é um ambiente novo para você minha cara, vou falar com a diretora, para que possam encaixá-la em uma classe, responde Hélio.
            E os dois caminhavam pelo lugar conversando, tão incomum por ser ele um coelho, e as pessoas não se importavam, tudo parecia um conto de fadas! Era, com certeza, um mundo perfeito do qual ela não pertencia, nunca havia estado, já que sua classe social não permitia, mas ali sentia-se bem-vinda, as pessoas não a expulsavam e sim, sorriam e acenavam para ela. No fundo de seu coração ela sabia que seu mentor coelho e ela não se encaixavam na perfeição, na riqueza e grandiosidade daquele todo, e mesmo assim isso não tinha a menor importância para aquelas pessoas, muito gentis.


            Alice estava tão feliz que mal se cabia. Podia andar sossegada, cheirar o perfume das flores, andar na grama sem que ninguém a enxotasse, se sentia querida, importante, normal.
            - Hélio, minha mãe nunca terá dinheiro para pagar, jamais poderei estudar nesta escola e em nenhuma outra, dizia cabisbaixa a menina.
            - Não fique triste, como te falei, vou dar um jeito para você estudar nesta escola, só desejo vê-la feliz. Você só diz minha mãe, e seu pai?
            - Ele faleceu, quando era vivo tínhamos mais chance, mas depois do acidente, nossa vida mudou.
            - Entendo, bem, vamos andando que ainda temos muito a explorar! Dizia o mentor à frente e a menina atrás saltitando de felicidade, já que o coelho era divertidíssimo e falava muitas coisas engraçadas. Os dois foram ter à cozinha da escola e uma senhora sorridente com um avental muito branco e um turbante azul a segurar os cabelos entregou à Alice um pedaço de bolo de chocolate, que estava delicioso. Há muito tempo não comia um bolo assim.
            - Venha Alice, lá está a diretora, vou apresentá-la para que você inicie seus estudos. E Hélio gritando a frente o nome da mulher, Laura se vira e acena para eles. A bonita e simpática diretora trajava um vestido rodado marrom-claro abaixo do joelho com um avental que complementava a roupa, cabelos penteados e presos à nuca davam um charme a silhueta esguia da mulher, que ficou parada a espera de Alice.
            Ao se aproximar da diretora, que esticara o braço para cumprimentá-la entregando-lhe um livro, um barulho estrondoso balançou a cabeça da menina, que desorientada escuta um som ao longe, alguém grita o seu nome bem devagar, e ao ouvir A L I C E! Ela se dá conta de que é a mãe, era a voz de sua mãe e mal apertara a mão da diretora ela se vira e começa a correr deixando para trás Laura, a diretora e Hélio, o coelho, que grita Adeus Alice!
            A menina então mais veloz do que nunca correra antes na vida vê de longe a abertura do túnel de onde viera e entrar em velocidade no buraco, esbarrando nas paredes em barro, mas ela não perde tempo, já que o som de seu nome parece estar mais próximo de seus ouvidos e num estalo, levantasse do chão!
            - O que foi mãe, você me assustou! Diz a menina.
            - Andei a sua procura e não te encontrava em parte alguma, pensei que tivesse partido! Fala a mãe com rosto sofrido.
            - E eu partiria para onde, não tenho outro lugar senão estar aqui, diz Alice.
            - É que está escurecendo, já fecharam a porta, as pessoas já foram embora e isso aqui é muito grande, fico preocupada com você andando por aí.
            E a menina se dá conta que retornara de sua agradável aventura conduzida por seu mentor coelho a um mundo tão diferente o qual mesmo não pertencendo seria aceita. Olhou ao redor e viu sua realidade, dormia juntamente com mais 50 sem-teto no cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo. O  abandono do local ao longo dos 350 mil m² do cemitério, o segundo maior de São Paulo, com 21 mil sepulturas e gavetas, parte delas encobertas por um matagal que atinge a altura da cintura de um adulto e foi justamente nesse lugar hostil que elas vieram parar no final de 2017 permanecendo já há um ano ali, juntamente com o resto das pessoas.
            - O que tem nas mãos Alice? Pergunta-lhe a mãe.
            - Um livro de história, diz a menina com lágrimas aos olhos.
            - E onde encontrou esse livro? Deixe-me ver, diz a mãe e a menina mostra a capa: “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”.
A menina abraça o livro com todo o cuidado e segue a mãe que vai a frente com outras mulheres do grupo.               
           


O início e a ideia de aventura do texto se basearam na obra célebreAs Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, escrita por Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, publicada em 4 de julho de 1865.
Lewis Carroll é considerado precursor e um dos maiores impulsionadores da literatura nonsense (tipo de literatura que expressa situação ilógica ou linguagem absurda), um gênero literário que subverte os contos de fadas tradicionais, criando narrativas que não seguem as regras da lógica.
E precisamente nesse caráter de absurdo que parece estar a singularidade da obra, que se tornou um ícone literário e cultural, que tem sido representada e recriada na pintura, no cinema, na moda e nas mais diversas áreas.