terça-feira, 30 de abril de 2019


Música que me faz…  

Contos sobre o que a música é capaz de fazer

 

O Grupo Andross Editorial recebe contos e poesias até o final de maio. Interessados, Música que me faz... antologia organizada por Leandro Schulai recebe contos até dia 31/05/19, com previsão de lançamento do livro em 12/10/2019.

 

SINOPSE: 
Se sua vida fosse um filme, qual seria a trilha sonora? Dependendo do momento, pessoas ouvem músicas capazes de consolar corações aflitos, acalmar mentes inquietas, extravasar nervos pilhados. Escritores e poetas as usam para se inspirarem e, assim, compor suas obras. Há quem diga que elas fazem voar aqueles que não conseguem andar, há quem diga que elas dão voz a almas reprimidas. Afinal, pra você, o que a música é capaz de fazer?

Serviço:
Música que me faz...
Antologia promovida pelo Grupo Andross Editorial
Prazo: até dia 31/05/19
Organizador: Leandro Schulai
Lançamento: dia 12/10/19 no evento Livros em Pauta

Leandro Schulai:
Autor da série de livros O vale dos anjos, além de ter organizado mais de dez coletâneas literárias para a Andross Editora. Em 2017. Publicou o livro Vidas em single, primeiro volume de Playlist, uma série de livros que se propõe a trazer contos baseados em letras de músicas famosas das décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010. 

Regulamento e envio de contos:


segunda-feira, 29 de abril de 2019


Cantinho da Poesia

O Cantinho da Poesia desta segunda traz um pouquinho de Cecília Meireles.
Singelo e direto, os versos convocam o retorno do amado. O poema, presente no livro Retrato natural (1949), também conjuga elementos recorrentes na lírica da poetisa: a finitude do tempo, a transitoriedade do amor, o movimento do vento.

Canção
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo… 

sábado, 27 de abril de 2019

45ª edição do Festival 
Sesc Melhores Filmes

O Festival Sesc Melhores filmes comemora sua 45ª edição, sendo o mais antigo e um dos mais tradicionais festivais de São Paulo. Criado em 1974, o festival oferece ao público a oportunidade de ver ou rever o que passou de mais significativo no ano anterior ao evento, a preços populares e com atenção à acessibilidade: toda sessão possui audiodescrição e legendas open-caption.


Entre os selecionados para a programação dos melhores filmes de 2018, estão “Os Incríveis 2”, “Roma”, “Vingadores: Guerra Infinita”, “A Forma da Água”, “Aquaman”, “Viva: A Vida é uma Festa” e ”Bohemian Rhapsody”.
O Festival os Melhores Filmes fica em cartaz até o dia 1º de maio, no CineSesc, de segunda a domingo, em vários horários. Os ingressos custam até R$12, com muitas sessões gratuitas.

Acesse o site do evento:

sexta-feira, 26 de abril de 2019


Dica gratuita para este sábado


Cantor da nova geração da MPB apresenta show autoral composto por um repertório autoral e inédito. Tudo A Seu Tempo constrói narrativas e apresenta o resultado do encontro entre Leandro Léo e o músico Bruno Werner. Com o formato duo, eles fazem um show potente levando carisma, alegria e poesia para o público.
Representando o cenário da atual MPB com seriedade e profissionalismo, Leandro mostra arranjos singulares e conta com um momento voz e violão, onde inclui algumas releituras de sucesso. 
O show acontecerá no próximo sábado (27), às 20 horas, no teatro do SESI Santos: Av. Nossa Senhora de Fátima, 366,  Jardim Santa Maria
Mais informações: (13) 3209-8210  

quinta-feira, 25 de abril de 2019


Dicas da Língua Portuguesa
Há ou a?

Olá excelente quinta-feira a todos nós.
A coluna Dicas da Língua Portuguesa de hoje traz o uso correto de e A, expressões para passado e futuro.
Espero que as dicas sejam úteis, abraços,
Míriam


Fontes: brasil escola e guia do estudante 

segunda-feira, 22 de abril de 2019



Cantinho da Poesia

Olá excelente início de semana a todos nós.
A coluna Cantinho da Poesia desta semana traz um representante da poesia cubista, escrita em dezembro de 1916, espero que gostem.
Abraços a todos,
Míriam

Poema Il pleut (Chove) de Apollinaire

"Chovem vozes de mulheres como se estivessem mortas mesmo na recordação. Chovem também vocês maravilhosos encontros de minha vida ó gotinhas, e estas nuvens empinadas se põem a relinchar todo um universo de cidades minúsculas. Escuta se chove enquanto a mágoa e o desdém choram uma antiga música. Escuta caírem os laços que te retém embaixo e em cima."

O poeta francês Guillame Apollinarie foi o responsável pelo primeiro manifesto da literatura cubista, logo após as primeiras exposições de artistas como Pablo Picasso e Braque.
Apollinarie nasceu dia 26/08/1880, em Roma, Itália e faleceu em Paris, França, dia 09/11/1918.

domingo, 21 de abril de 2019


Feliz Páscoa!

Olá queridos amigos, excelente domingo de Páscoa a todos nós! E para melhorar o dia festivo, duas mensagens especiais.
Abraços a todos,
Míriam


“Algumas coisas são explicadas pela ciência, outras pela fé. A Páscoa ou Pessach é mais do que uma data, é mais do que ciência, é mais que fé, Páscoa é amor”, Albert Einstein.

“Ainda hoje somos homens e mulheres de passagens; somos filhos da Páscoa. Os mares existem; os cativeiros também. As ameaças são inúmeras. Mas haverá sempre uma esperança a nos dominar; um sentido oculto que não nos deixa parar; uma terra prometida que nos motiva dizer: Eu não vou desistir! E assim seguimos. Juntos. Mesmo que não estejamos na mira dos olhos. O importante é saber, que em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos em travessia...”, Padre Fábio de Melo


Páscoa
Páscoa ou Domingo da Ressurreição é uma festividade religiosa e um feriado que celebra a ressurreição de Jesus ocorrida três dias depois da sua crucificação no Calvário, conforme o relato do Novo Testamento. É a principal celebração do ano litúrgico cristão e também a mais antiga e importante festa cristã. 

sábado, 20 de abril de 2019

Sexta edição do Rio Santos Jazz Fest
Vá se programando!

A partir de segunda (29) até 1º de maio, vários espaços da cidade de Santos recebem a sexta edição do Rio Santos Jazz Fest, com programação bem diversificada. O evento se realiza durante o mês de comemoração do Dia Internacional e Municipal do Jazz, celebrado em 30 de abril.
Com apresentações gratuitas, o festival traz shows de grandes nomes da música.
A abertura acontece na próxima segunda (22), na Aliança Francesa de Santos com exposição de fotos Kelly Petraglia, às 20h, e às 20h30, exibição do filme – Show ”Diana Krall Live In Rio”.


Acompanhe a programação completa:

22 abril – ALIANÇA FRANCESA DE SANTOS
20h – Exposição de fotos Kelly Petraglia
20h30 – Exibição do filme – Show “Diana Krall Live In Rio”

23 abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
20h – Abertura Oficial – Cortejo Rio Santos Street Band
20h45 – Show do By Night Trio

24 abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
20h – Show de Sebastian Rot

25 abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
20h – Show de Carla Mariani Quartet e Guilherme Doneaux

26 abril – LICEU SÃO PAULO
10h45 – Cortejo Rio Santos Street Band
11h15 – Show do Conjunto de Violões do Projeto Esculpir
26 de abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
20h – Show de Giu Nogueira & Bina Coquet Trio

27 abril – ALIANÇA FRANCESA DE SANTOS
16h – Exibição do filme “Cotton Club”
27 abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
19h – Show de Ricardo Baldacci Trio – Homenagem ao que seria o 100º aniversário de Nat King Cole

28 abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
19h – Show de Aton Quintet

29 abril – PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO
20h – Show do Conjunto Vocal SP 101
20h45 – Show de Mario Tirolli Trio

30 abril – SESC SANTOS
DIA INTERNACIONAL E MUNICIPAL DO JAZZ
18h – Workshop de Guitarra, com Nelson Faria (sala 2)
19H – Workshop de Canto, com Cris Delanno (sala 2)
20h – Cortejo da Rio Santos Street Band (área de convivência e foyer do Teatro)
21H – Show de Taryn Szpilman & Trio (Teatro)

1º maio – SESC SANTOS
16h – Workshop de Bateria e Percussão, com Cláudio Infante (auditório)
17h – Laboratório Vocal, com Taryn Szpilman (auditório)
20h – Show de Cris Delano & Nelson Faria (lançamento do CD “Bossa is her name”).

Endereços:
- Aliança Francesa de Santos
Rua Rio Grande do Norte, 98, Pompéia, Santos
Telefone: (13) 3237-2403

- Pinacoteca Benedicto Calixto
Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos

- Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, Santos
Telefone: (13) 3278-9800

- Liceu São Paulo
Avenida Ana Costa, 148, Vila Mathias, Santos

sexta-feira, 19 de abril de 2019


Dica cultural gratuita
A Busca, do Grupo Teatral Moitará

Inspirado na mitologia greco-romana, o espetáculo retrata a importância do feminino para manter o equilíbrio da vida.
A Busca, do Grupo Teatral Moitará, que acontece no teatro do Sesi Santos, nos dias 19 e 20/04, sexta e sábado, às 20 horas, tem como fonte de inspiração o universo mítico feminino, arquétipos que perduram no imaginário popular por meio de lendas e mitos.
O espetáculo revela aspectos de uma trindade do Ser divino, animal e humano, despertando os sentidos do espectador para sensações que vão de encontro a sua natureza mais íntima, estimulando a refletir sobre a importância da matriz feminina para o equilíbrio da vida.
A Busca ocorre na intimidade de cada espectador, que também passa a ser coautor da história representada. A estrutura cênica sugere uma ambientação atemporal, enquanto a linguagem da máscara teatral personifica diferentes facetas de um ser sensível que percorre sua experiência mítica dentro de um espaço ritual.



Dramaturgia, 55 min, Adulto

Direção Geral: Venício Fonseca | Roteiro, texto e dramaturgia: Erika Rettl e Venício Fonseca | Atores: Erika Rettl e Venício Fonseca | Máscaras: Máscara da Maria - Donato Sartori (criação); Centro Maschere e Strutture Gestuali (confecção e pintura); Máscara das Velhas - Venício Fonseca e Erika Rettl (criação e confecção); Rafaela Azevedo (confecção) | Cenografia e figurinos: Carlos Alberto Nunes | Iluminação e adereços de Luz: Djalma Amaral | Design Gráfico: Marcos Corrêa/ Ato Gráfico | Criação e Confecção boneca: Alexandre Guimarães | Cen&oa cute; grafa e figurinista assistente: Arlete Rua | Adereços: Carlos Alberto Nunes, Arlete Rua, Carla Costa e Grupo Moitará | Confecção de figurinos: Carla Costa | Perucaria: Tainá Lasmar | Pintura de arte: Regina Katayama | Cenotécnico: Álvaro de Souza | Direção e concepção musical: Venício Fonseca | Pesquisa da dramaturgia musical: Venicio Fonseca e Erika e Rettl | Música tema: Criação: Erika Rettl | Arranjo da música e preparação acordeom: Fáthima Rodrigues | Música tema da boneca: Venício Fonseca | Transcrição e adaptação do tema: Fáthima Rodrigues | Músico: Her Agapito | Pesquisa da trilha sonora em off: Rodrigo Gondim e Grupo Moitará | Edição trilha sonora em off: Rodrigo Gondim / Operação de luz – Jorge Raibott / Operação de som – Deisi Margarida

Treinamento de Ator com linguagem da máscara teatral

A proposta da oficina, que acontece no sábado (20), às 14h, é desenvolver um trabalho com ações físicas e vocais, que serão base para o jogo de máscara teatral. O treinamento com a máscara teatral é uma prática importante para a formação do ator, um exercício de entrar e sair do personagem.
Voltada para artistas e/ou estudantes de teatro, acima de 18 anos a oficina tem duração de 3h e possui 18 vagas. Ministrantes: Venicio Fonseca e Erika Rettl.
As inscrições: telefones 3209-8230- ou 3209-8210.

Serviço:
Peça Teatral A Busca
Quando: dias 19 e 20/04, às 20h
Reservas de ingressos gratuitos:
Treinamento de Ator
Quando: dia 20/04, às 14h
Local: Teatro do Sesi Santos: Av. Nossa Senhora de Fátima, 366, Jardim Santa Maria
Mais informações: (13) 3209-8210 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Dicas da Língua Portuguesa
Ler e escrever!

A coluna Dicas da Língua Portuguesa desta semana ressalta a importância da leitura para compor um bom texto.
Gostei das informações do site imaginie redação e disponibilizo aqui na página, espero que sejam úteis.
Abraços, até amanhã,
Míriam

Para se sair bem na produção de uma redação, é importante entender que o que faz um bom texto é a forma como ele se estrutura. Aprender como escrever bem é também aprender a escolher o material de leitura mais adequado à sua necessidade.
Ao contrário do que se pensa, não é preciso ler muito para ter uma boa escrita. Na maioria das vezes, ter o hábito de leitura não é sinônimo de ler grandes quantidades de livros. Mais interessante do que volume de textos lidos, é a sua qualidade! 


Isso porque expor-se a uma grande quantidade de textos em redes sociais, por exemplo, talvez não seja a melhor maneira para criar um repertório de referências de produção textual a serem utilizadas como inspiração para redações de concursos.
Pela razão de que as redes sociais são, em sua maioria, um ambiente em que a observância de regras gramaticais e de uma escrita dentro dos padrões formais da língua não são um aspecto comunicacional importante para os usuários, que abusam de gírias, neologismos e estrangeirismos.
Faça um apanhado: reúna um pouco de tudo, focando no gênero e estilo, crie possibilidades, produza textos segundo demandas que você acha que podem cair no exame – essa é a receita para aproveitar ao máximo os benefícios que a leitura pode trazer a sua produção textual. 

quarta-feira, 17 de abril de 2019



 Star Wars in Concert, uma Nova Esperança

Um dos mais emblemáticos filmes da história do cinema, o longa de George Lucas, “Star Wars: Uma Nova Esperança” atrai fãs do mundo inteiro desde sua estreia no fim dos anos 70.
Agora, em São Paulo, será transmitido de uma maneira especial: acompanhado pela Orquestra Sinfônica Villa Lobos, formada por músicos da Osesp (Orquestra Sinfônica de São Paulo) e da OSMSP (Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo), e regida pelo Maestro Thiago Tibério.


Serviço
Star Wars in Concert
Quando: sábado, dia 20/04
Horário: às 20h
Local: Allianz Parque –Avenida Francisco Matarazzo, 1705, Água Branca, São Paulo
Ingressos: entre R$125 a R$460
Compre ingresso:

segunda-feira, 15 de abril de 2019


Hoje a coluna Cantinho da Poesia traz a brilhante escritora e poetisa portuguesa Florbela Espanca, que adoro, com dois poemas.
Espero que apreciem!
Bom dia.




Florbela Espanca
Florbela d’Alma da Conceição Espanca (1894-1930), nome adotado por Flor Bela Lobo, foi uma poeta/poetisa e um dos mais importantes nomes da Literatura Portuguesa. Florbela abordou temas como amor, erotização, angústia e sofrimento, trazendo a figura feminina para suas obras.
A poeta portuguesa teve duas antologias publicadas em vida: Livro de mágoas (1919) e Livro de sóror saudade (1923). Outras três foram lançadas postumamente: Charneca em flor (1931), Juvenília (1931) e Reliquiae (1934). Além da poesia, a autora portuguesa escreveu para jornais e traduziu obras literárias.

Saiba mais, acesse o site brasil escola



domingo, 14 de abril de 2019


Conto: Leonor

Passava férias com minha mãe em São José do Egito. Você conhece esse lugar querido leitor? Pois bem, nem eu sabia de sua existência até o verão de 1978, quando meus pais separados, a mãe resolveu me levar para lá com ela. O município está situado no Sertão Pernambucano, pelos povoados de Batatas, Curralinho e Mundo Novo, entre outros.  Digo a vocês que de início não gostei da proposta dela, mas depois achei o passeio interessante, e uma pessoa que conheci por lá, um repentista chamado João Estranho, me “ajudou” a obter uma premiação de melhor conto na escola escrevendo sobre ele.
E lembro-me como se fosse hoje quando andávamos pelo centro da cidade, nos deparamos com João Estranho, apelidado pelos colegas repentistas por conta de seus versos estranhos e melodia prá lá de exótica!
Ao caminharmos pela praça principal, encontramos várias duplas de repentistas que cantavam e alegravam turistas com suas violas foi quando o avistei isolado dos demais encostado no muro da igreja. Puxei minha mãe pelo braço e a conduzi para o outro lado da praça, onde estava sozinho o tão homem. Ele era alto, encorpado, cabelos curtos, vestido com camisa estampada e calça de tergal azul, mas o que me chamou atenção foi o tapa-olho.
Ao passarmos perto dele, o homem foi logo nos chamando:
- Seu menino, dona moça, um minuto de atenção, não demoro a cantar a minha sofridão!
- Mãe, vamos ouvir a música, que tal? – Ele me pareceu interessante e minha mãe, que não tinha nada a fazer naquele pequeno pedaço do mundo nordestino, parou e ficamos aguardando o homem compor e tocar sua viola. A música era mais ou menos assim:

Olhem só, escutem com atenção o que tenho a contar
é uma história de amor
amor verdadeiro, mas com dor
eu já contei várias vezes, e torno a cantar
falo sozinho, com letras ao ar.
E pra buscar inspiração,
busco na minha respiração.
Na mais profunda tradição
Já que nada mudei
E nunca pequei.

A história começa assim
caminhava eu por este sertão sem fim
quando um dia me deparei
com o senhor Serafim!
Ele era pedreiro, marceneiro e pintor
fazia tudo com muito amor.
E não era pra menos,
já que a família era grande
com muitas bocas a alimentar,
mas é somente de uma que ouso expressar!

Logo que o conheci ele começou a conversar
Mostrou sua vida, a mulher e as filhas
estavam vestidas com muita renda e fitilhas,
tão arrumadas que mal conseguiam andar!
Achei aquilo engraçado,
mal sabia eu que estava enrascado.
E que uma paixão vinha a todo vapor.
Meu coração livre de sentimento
começou a bater forte por um momento
logo que vi a Leonor.

A mais bela das irmãs,
fina flor, sedutora e formosa
quando sorria ficava ainda mais charmosa,
mas escondia um mistério,
era guardada com muito critério,
e aquilo me deixou louco de paixão,
sem raciocínio, sem razão.
Eu insisti no namoro, e o pai disse não.
Mas eu a queria a qualquer preço,
bolei um plano, seria ladrão!

E foi numa noite clara como esta,
quando a família saiu para uma seresta,
foram todos menos Leonor,
que não reclamou, não guardava rancor.
Era o momento tão esperado, eu de tocaia.
Bati à porta e fui entrando
chamei Leonor, e nem sinal do meu amor!
Foi quando achei um alçapão
que me levou até o porão,
e lá estava ela, amarrada naquele calor!

Logo que a vi fui até ela correndo
e ela gritou, que eu não sabia o que estava fazendo!
Fiquei indignado com a cena
ela disse vai embora dessa novena,
falei que não podia, que sem ela morreria.
Ela disse não fique, vais se arrepender
Tenho uma doença, logo tu vais saber!
E gritei vamos embora, vim te buscar,
É melhor você ir, pois posso até te matar!
Ela insistiu para não me prejudicar.

Foi tudo tão rápido
ela começou a se contorcer
gritava, parecia que ia morrer!
E suas roupas começaram a rasgar
fiquei branco a desmaiar!
Com visão turva vi Leonor se erguer
Dentes grandes pela boca a me morder.
Foi quando escutei um barulho
era o pai que vinha a me socorrer
Leonor então fugiu pela mata a correr!
...

- O senhor não vai terminar a melodia? Perguntamos a João Estranho, que estava nervoso e foi guardando em sua bolsa de couro a tiracolo a viola.
- Não, disse ele. Está ficando tarde, está escurecendo e é muito perigoso, é melhor vocês voltarem ao hotel, adeus!
- Mas como termina a história, perguntei-lhe louco de raiva.
- Fui salvo, não está vendo? Disse João Estranho que além de não ter uma vista ainda mancava da perna esquerda.
Eu e mamãe ficamos avaliando a história enquanto o homem, mesmo com dificuldade, andava depressa, até desaparecer por completo na escuridão.
Mesmo sem entender a atitude do homem seguimos seu conselho e retornamos ao hotel.
Não era tarde quando olhei da sacada do quarto o satélite da Terra no céu. Era noite de lua cheia e ela reinava soberana no mais profundo mistério do cosmos!

Cantoria popular

O conto deste mês mescla literatura fantástica com a cantoria ou poesia popular (repentista), que tem suas raízes na França. Segundo pesquisas, a poesia popular começou a florescer no Brasil no século XVII, através da fusão da poesia local portuguesa com a trova dos poetas franceses, alojando-se de forma mais acentuada no Nordeste, principalmente nos estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Foi aí que coube ao Brasil o privilégio do aparecimento do legítimo cantador de viola. 
Já no sul do País, nos anos 1960 - 1980, essa variação folclórica foi muito popular na região, onde era chamada de Trova. 
Ao graduar-me em Letras, me apaixonei por todas as formas de Literatura e procuro mesclar os tipos para diversificar histórias, ressaltando a beleza das letras.