segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Cantinho da Poesia

Bom dia, iniciamos mais uma semana e graças a Deus, curta por conta do feriadão, ufa, amém!!!
Dias difíceis até no final de semana por conta de plantão imprensa, faz parte!
A coluna Cantinho da Poesia traz Al Berto, mais um famoso poeta português para quem não conhece.


Ofício de Amar
já não necessito de ti 
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste 
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras 
                                             [galáxias, e 
                                             [o remorso 

um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração 
não, não preciso mais de mim 
possuo a doença dos espaços incomensuráveis 
e os secretos poços dos nómadas 

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto 
deixei de estar disponível, perdoa-me 
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo 
  
Al Berto
Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, animador cultural, poeta, pintor e editor português de Coimbra, nascido a 11 de janeiro de 1948 e falecido em 13 de junho de 1997, em Lisboa.
Dentre seus livros, destacam-se O Anjo Mudo, O último coração do sonho, Vigílias, Lunário, Horto de Incêndio, A secreta vida das imagens, e O medo: trabalho poético: 1974-1997, entre outros.

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