segunda-feira, 29 de outubro de 2018


Camilo Pessanha no Cantinho da Poesia


Olá, bom início de semana a todos nós. Ontem dia complicado por conta das eleições e sem novidades para cultura e lazer.
Nesta segunda, a Coluna Cantinho da Poesia traz a poesia portuguesa de Camilo de Almeida Pessanha, nascido em 7 de setembro de 1867, em Coimbra, Portugal e falecido a 1º de março de 1926, em Macau, na China (língua local de influência portuguesa e cantonesa).


 Canção da partida

Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei-de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro...
        Lançá-lo ao mar.

Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado,
        Lançai-o ao mar.

E hei-de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro um carta...
--- A última, de antes do teu noivado.

A sete chaves --- a carta encantada!
E um lenço bordado... Esse hei-de o levar,
Que é para o molhar na água salgada
No dia em que enfim deixar de chorar.

Camilo de Almeida Pessanha
Poeta português. É considerado o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa, além de antecipador do princípio modernista da fragmentação.

Escreveu poemas e sonetos singulares como a sua vida. Camilo Pessanha é considerado "o representante mais genuíno do simbolismo" em Portugal. Em Macau cumpriu um exílio voluntário de quase 30 anos por causa, dizem, de um desgosto de amor. 

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