sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Vidas Secas – Uma Cantata Nordestina
Hoje, entrada gratuita

Vidas Secas é ganhador do Prêmio Especial do Júri de pesquisa dramatúrgica com olhar para Infância e Juventude no XVII Festival Nacional de Teatro de Guaçuí.
O espetáculo relata a vivência em uma terra seca, este sertão imaginário contido no inconsciente popular. Trata-se de uma desventurada família com sonhos no gibão, que luta para sobreviver em meio a tantas aflições e angústias, numa terra onde falta água, mas transborda esperança.
Com estética inspirada no cordel brasileiro, todo o universo sertanejo proposto por Graciliano Ramos toma vida nessa montagem inédita.
O espetáculo integra o projeto Território SESI-SP de Arte e Cultura, que visa incentivar e difundir a produção artística regional.
Ficha técnica
Elenco: Márcia Oliveira, Reginaldo Gattuso, Jonathan Well, Thiago Portela, Thais Morais e Felipe Rodrigues.
Direção Geral e Adaptação dramatúrgica - Rafael de Castro | Cenografia e Indumentária - Grupo Artemis de Teatro | Iluminação - Robson Bessa | Produção Executiva - Felipe Rodrigues |
Realização - Grupo Artemis de Teatro
Agenciamente - Belic Arte . Cultura
Livre | Gratuito

Quando?

Dia 31 de agosto, sexta-feira, às 20h

Onde?


SESI Santos - Avenida Nossa Senhora de Fátima, 366 Chico de Paula, Santos

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Coluna Dicas da Língua Portuguesa

Bom dia e ótima quinta-feira a todos nós.
Hoje é dia da Coluna Dicas da Língua Portuguesa.
Vamos relembrar construções usadas no dia a dia de forma errada pela grande maioria das pessoas.
Espero que os exemplos sejam úteis. Abraços,
Míriam



-“De vez enquando”

A forma correta é de vez em quando. Esta locução adverbial de tempo indica que alguma coisa não ocorre com muita frequência, apenas ocasionalmente, de tempo em tempos. 
·       De vez em quando eu ainda penso nela.
·       Isso acontece apenas de vez em quando.

 

-“Meia cansada”

A forma correta é meio cansada. Nesta expressão, a palavra meio atua como um advérbio, sinônimo de um tanto, um pouco, não completamente. Sendo um advérbio, é invariável em gênero e número, mantendo-se sempre igual independentemente de se referir a uma palavra no feminino ou no plural.
·       Estou meio cansada da caminhada de ontem.
·       Estou meio cansada da rotina do dia a dia.

 

-“Afim de”

A forma correta é a fim de. Esta locução prepositiva é popularmente utilizada para indicar vontade e interesse em alguém ou alguma coisa. Pode ser usada também para indicar uma intenção ou finalidade.
·       Obrigada, mas não estou a fim de ir à praia.
·       Você sabia que o Danilo está a fim de você?
·       Você está dizendo isso a fim de me dissuadir. 
A palavra afim também existe, atuando como adjetivo ou substantivo. Indica algo que é semelhante e tem afinidade, não devendo ser seguido da preposição de.



-“Sentar na mesa”

A forma correta é sentar à mesa. Embora seja possível sentar na mesa, ou seja, em cima da mesa, essa expressão é erradamente utilizada para indicar o ato de se sentar próximo da mesa, normalmente em cadeiras ou bancos.
·       Venham sentar à mesa para almoçar.
·       Meninos, lavem as mãos antes de sentar à mesa.

 

-“Nada demais”

A forma correta é nada de mais. Essa expressão indica que nada fora do normal aconteceu, ou seja, que nada foi feito acima do que é considerado normal e habitual.
·       A apresentação da estagiária não foi nada de mais.
·       Ele não fez nada de mais, mas todos ficaram chateados.

Pesquisa: Uol educação e dicio 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


Acompanhamento e desenvolvimento de 
projetos em pintura, com Eurico Lopes

O acompanhamento propõe uma discussão sobre pintura abordando o uso dos materiais expressivos como meio para solução de questões poéticas. Partindo da análise comparativa de obras artísticas e de paralelos entre produções nacionais e internacionais, o acompanhamento tem como objetivo apresentar o universo da pintura considerando seus aspectos históricos e o campo ampliado de suas possibilidades no mundo atual.
Pensado para o pintor conhecer e dominar seus materiais, considerando suas características, suas possibilidades de expressão é fundamental para a formação de uma personalidade artística. Aliando experiência à reflexão, o acompanhamento pretende estimular um terreno de investigações pessoais voltadas à prática artística e à ampliação de conhecimento específico sobre arte que contribua para o contato crítico e sensível com questões da visualidade contemporânea.


Conteúdo/Temas:
01. O fenômeno cromático na pintura, a cor e a linguagem.
02. Técnica e poética: Superfícies e suportes da pintura.
03. As transformações do discurso pictórico na modernidade.
04.  A pintura e os novos meios de produção de imagem.
Data e horário: a combinar (Atendimentos Individuais)
Investimento: R$ 480,00 por mês para atendimentos semanais com duração de 3 horas
Também por telefone (11) 2337-3015

Local: Casa Contemporânea – Rua Capitão Macedo, 370, Vila Mariana, São Paulo 

Prof. Dr. Eurico Lopes 
Doutor em artes visuais na ECA-USP (2012), mestre em artes visuais pela ECA-USP (2005) e formado em artes plásticas pela ECA-USP (2001). Faz parte do grupo de pesquisa da cor, na mesma instituição. Trabalhou com oficinas de pintura em ateliê e em instituições como colégio São Luis, Collégio das Artes, SESC, Casa do Olhar e na ECA-USP como professor substituto em 2011. Participou de exposições como: I Mostra CCSP, como artista convidado CCSP 2012; e A Pintura em Jogo, MAC-Ibirapuera 2012, entre outros trabalhos. 

terça-feira, 28 de agosto de 2018


Evento Especial na Casa das Rosas
Simpósio Haroldo de Campos

Olá amigos, excelente dia a todos nós.
Evento especial na Casa das Rosas, acompanhe:

O Simpósio Haroldo de Campos acontece nos dias 31/08 e 01/09, das 19h às 21h, na Casa das Rosas, em São Paulo.
Transcorridos 15 anos do falecimento de Haroldo de Campos, a edição deste ano do Simpósio pretende proporcionar uma reflexão a respeito dos desenvolvimentos da fortuna crítica  de sua obra.
O evento conta com três mesas de diálogo associadas, respectivamente, a três campos abrangentes da atuação de Haroldo. O simpósio abre com palestra de Lucia Santaella que, para além de todos os méritos de sua trajetória, foi interlocutora privilegiada de Haroldo. As mesas reúnem pesquisas em torno de áreas fundamentais da atuação do poeta de Galáxias: Teoria e Criação, Crítica e História e Criação e Tradução.
Os participantes são pesquisadores de grande destaque e investigadores sagazes de sua obra. A última mesa conta com a presença de Inês Oseki-Dépré, outra importante interlocutora de Haroldo. O Simpósio se encerra com o lançamento de um livro que resultou da edição do Simpósio de 2015.

Inscrições:

Inscrições presenciais ou pelo e-mail:
até o preenchimento das vagas. Será fornecido certificado de participação (com 75% de presença no total de mesas e palestras)

Programação completa no site:

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

domingo, 26 de agosto de 2018


GCI lança guia de combate à desinformação

Resultado de debates promovidos pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), o guia "Internet, Democracia e Eleições" traz diretrizes para o combate à desinformação e dicas práticas para que os usuários não sejam vítimas ou compartilhem notícias falsas. A publicação está disponível para download gratuito no site do CGI.
A iniciativa reflete a preocupação com recentes escândalos envolvendo a disseminação de desinformação de forma coordenada, além da multiplicação de agressões direcionadas a grupos específicos.
Dividido em cinco partes, o material inclui, entre outros temas, uma explicação sobre o funcionamento das redes sociais; questões relativas às eleições, à propaganda eleitoral e aos fenômenos de desinformação on-line; e dicas para não ser vítima ou compartilhar notícias falsas.
Partilhamos algumas dessas dicas com você:



Guia "Internet, Democracia e Eleições"
Para download gratuito, acesse:

sábado, 25 de agosto de 2018



 Músicos de quatro continentes se apresentam no Sesc Jazz 2018

Até o dia 2 de setembro, em São Paulo (Pompeia) e nas cidades de Ribeirão Preto, Campinas, Birigui, Araraquara, Piracicaba e Sorocaba, no interior paulista, acontece o Sesc Jazz, festival que celebra o tradicional estilo musical norte-americano em suas variadas expressões.


O projeto conta com 68 apresentações que traçam um panorama do cenário jazzístico contemporâneo, num espectro que vai do mais tradicional ao experimental, com artistas de expressão brasileiros e internacionais, como o trio eletro groove Now vs Now (EUA), o pianista cubano Omar Sosa e o conjunto brasileiro Dorival, em uma revisão do repertório de Dorival Caymmi.
Os ingressos podem ser adquiridos pelo site do evento ou nas unidades do Sesc. Os preços são variados, mas também há eventos gratuitos.

Confira a programação:

sexta-feira, 24 de agosto de 2018


Dica cultural gratuita
Exposição “O Olhar do Minotauro”


A visitação é gratuita e o acervo revela a visão de mundo do fotógrafo Renan Rosa, que expõe, por meio de seus registros, a compreensão da diversidade cultural e reflexões sobre a consciência social.
A série apresenta a multiplicidade étnica retratada holisticamente em diferentes culturas. O mundo visto pelo fotógrafo compõe um museu imaginário itinerante, em que os indivíduos interagem em seu meio. O Olhar do Minotauro revela a sabedoria de povos ancestrais, conta histórias traduzidas em imagens captadas em cerca de 50 países por onde o fotógrafo passou nos últimos 12 anos. 
No contato com as comunidades que visita, Renan procura manter o foco nas pessoas, no modo de vida delas e de seus familiares, na sua cultura e nas suas tradições, e dessa forma, ele desvenda-lhes o coração e lhes captura o olhar, que é a alma do retrato. 



Fotógrafo Renan Rosa

É colaborador de agências fotográficas no exterior e, desde 2010, numa parceria com a curadora Aline Stürmer, produz materiais editoriais, exposições e ensaios fotográficos ao redor do mundo.
Renan Rosa é fotógrafo profissional, graduado pela Escola Panamericana de Artes de São Paulo em 2005, designer fotográfico e editor de fotografia com trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior onde já realizou várias exposições na Alemanha, Israel, Grécia e Estados Unidos, entre outros países.
Foi um dos vencedores do Concurso Fotográfico Internacional IODPC em 2009. Neste mesmo ano foi também selecionado pela Fundação FIESP-SESI Cultural para exposições por todo o Estado de São Paulo durante 5 anos, com os projetos: “O Flaneur da Babilônia” e “O Olhar do Minotauro”.


Serviço:
Exposição fotográfica O Olhar do Minotauro – Projeto SESI
Local: Sabesp - saguão do Palácio Saturnino de Brito – Av. São Francisco, 128, Centro, Santos – entrada gratuita
Visitação: de terça a sexta-feira, das 11h às 17h e sábado, das 11h às 16h 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018


Dicas da Língua Portuguesa

Olá, excelente quinta-feira a todos nós.
Hoje é dia da Coluna Dicas da Língua Portuguesa e deixo a imagem de redundâncias, espero que apreciem, abraços,
Míriam

Evite Redundâncias  



quarta-feira, 22 de agosto de 2018


Conto Corpo seco

Olá, bom dia, excelente quarta-feira a todos nós.
Hoje é Dia do Folclore e para comemorar a data destaco o conto de minha autoria “Corpo seco”, que faz parte da edição de agosto da Revista Conexão Literatura.
Espero que apreciem, abraços,
Míriam


Provavelmente, o personagem mais macabro de todos. O Corpo Seco é uma espécie de assombração. Em vida, era uma pessoa que só fazia maldades, maltratando até a própria mãe. Quando morreu, foi rejeitado tanto por Deus quanto pelo diabo, até a terra onde fora enterrado o rejeitou, assim seu destino foi viver, na medida do possível, como uma alma penada assustando os viajantes na estrada.
O Corpo Seco marca minha homenagem à nossa rica cultura, ao Folclore Brasileiro, comemorado no dia 22 de agosto!

         Um homem aparentando uns trinta e poucos anos vindo do nada entra no estabelecimento aos gritos e assustado, branco feito neve e trêmulo, berrando que vira uma assombração. E logo causa um reboliço no pacato restaurante do senhor Jonas, um homem de meia-idade de família portuguesa que se erradicou brasileira, após estar no Brasil há mais de 90 anos, idade do patriarcal da família, o avô Antônio Correia dos Santos.  
         - Meu rapaz, veio correndo com um avental cobrindo a calça tergal cinza escuro e camisa polo branca, marca registrada do senhor Jonas, para socorrer o pobre coitado.
         - Me chamo Afonso e estacionei meu caminhão logo ali – aponta o rapaz a um caminhão médio para transporte de cargas pequenas com placas de BH (Belo Horizonte), Minas Gerais.
         Jonas o fez sentar e trouxe água para acalmá-lo. O homem já não tremia mais e a cor de seu rosto foi voltando, mas a ânsia em contar o que lhe acontecera era tamanha, e o caminhoneiro fixou os olhos no nada e sua língua começou a desenrolar-se e a falar e falar...
         ...
         Com o caminhão carregado Afonso parte de Belo Horizonte rumo a São Paulo, ele pega a Rodovia Fernão Dias à noite, já acostumado com esta rotina, que para ele, era normal. Tudo estava a contento e dentro da normalidade, e o dia em breve amanheceria.
         Afonso vinha em velocidade baixa quando vê um corpo estirado no que poderíamos chamar de acostamento. O caminhoneiro pisa ríspido no freio entra no acostamento e estaciona o caminhão. Desce correndo da boleia e para sua surpresa, não vê corpo algum. Esfrega os olhos, mas ele não está com sono, pois dormira o dia inteiro para poder dirigir tranquilamente à noite. Anda de um lado a outro, passa por ele outro caminhão que buzina, Afonso acena que está tudo bem, o caminhão prossegue, e Afonso também se vira para prosseguir viagem.
         Roda mais alguns quilômetros, quando se assusta novamente ao ver um corpo estirado na estrada. Desta vez, o susto fez seu coração disparar.
         - Novamente não, pensa bravo o caminhoneiro, não vou parar, o que é isso? Mas quando ele vê no retrovisor o corpo se virar e o homem esticar o braço como se estivesse pedindo socorro, Afonso pisa ríspido novamente no freio e entra no acostamento e volta de ré chegando perto do homem. Estaciona e puxa o freio. Desce com pressa e cadê o corpo?


         O medo invadiu Afonso, que sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha de cima a baixo e sentindo algo passar por ele, um tremor o fez sacudir. Afonso fez o sinal da cruz e trêmulo voltou-se para o veículo. Caminhou forçadamente, pois parecia que algo segurava sua perna. Olhou ao redor e nada viu. Com sacrifício ele conseguiu subir os degraus, abrir a porta do veículo e sentar-se, estava cansado e largou o corpo pesadamente. Com o coração acelerado, bateu a porta e quando tentava colocar o cinto de segurança, olhou no retrovisor... e...  pra quê?  Viu o que não devia: o corpo novamente vinha se arrastando em direção ao caminhão, um braço levantava em sinal de socorro. O homem era um farrapo humano, agora conseguia ver nitidamente o que era aquilo. Muito magro, quase um esqueleto, vestia uma calça velha preta com rasgos e assim o era a camisa azul listrada, puída de velha. O cabelo empoeirado e desgrenhado e mesmo assim, aquele corpo conseguia arrastar-se e avançava mais e mais.
         Afonso tremia e suava a ponto de enfartar. Não conseguia prender o cinto de tanto tremer. Ligou o motor assim mesmo engatou a primeira e foi saindo do acostamento. Os olhos novamente de Afonso não se contiveram, e ao espiar no retrovisor, o corpo agora em pé, movia-se rapidamente, queria a todo custo alcançar o caminhão. Afonso acelerou e conseguiu ganhar vantagem...
         ...
- Foi quando vi este restaurante aqui e vim até vocês, explica Afonso.
O senhor Jonas estava boquiaberto quando ele terminou de falar e assim também estavam as outras poucas pessoas, que escutavam calados. Uns achavam que era efeito de algum remédio que ele supostamente estaria tomando para não dormir ao volante e aguardavam uma posição do senhor Jonas sobre o assunto.
- Olha moço que tenho este restaurante há tantos anos e não me lembro de uma história destas, e passam por aqui muitos caminhoneiros e viajantes.
- Não tomei nada, dormi o dia inteiro para poder pegar a estrada à noite. Não bebo e não fumo e tenho uma vida regrada, explicava Afonso, que ficou sem graça ao ver a reação e os olhares das pessoas que ouviram sua história.
- Digo para que você durma aqui esta noite, descanse e tenho até um relaxante se precisar, mas não volte à estrada, aconselha senhor Jonas.
Mas Afonso estava inquieto com o horripilante ser que atormentava sua mente, aquele homem macabro que não saia de seus pensamentos.  
Dando-lhe algo para dormir, Jonas o conduziu para um de seus quartos na espécie de pousada que ficava ao lado do restaurante.
No dia seguinte, Afonso parecia tranquilo ao tomar o café da manhã. Jonas ficou feliz em ver o rapaz bem melhor e descansado. Agradecendo por toda hospitalidade Afonso seguiu viagem.
Ao faltar duas horas de seu destino eis que Afonso avista um jovem pedindo carona. Ele diminui a velocidade do caminhão e vem se aproximando do homem bem devagar, pois queria ver o rosto da pessoa. O caminhão se emparelha com o rapaz que acena para Afonso pedindo para que ele parasse. Quando o caminhão já estava quase parando, um estalo da consciência o fez acelerar e continuar o caminho.
Ao olhar no retrovisor, o homem gesticulava sinais obscenos com os dedos e Afonso riu aliviado.  Sentimento que durou poucos segundos, pois ao olhar novamente no retrovisor, lá estava ele, o corpo estirado no acostamento!


Conversando com colegas da empresa onde fazia as entregas ele ficou sabendo mais sobre a história do terrível homem da estrada, que diz respeito ao Limbo, ou seja, no lugar onde estão os que nem foram salvos nem condenados, e assim se acham suspensos entre o Céu e o Inferno!
- E ainda tenho tantas viagens a fazer na vida, pensou Afonso!
E novamente a imagem horripilante do corpo na estrada foi ganhando vida nos pensamentos de Afonso, que via nitidamente o corpo estirado no acostamento pedindo ajuda! 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018


Alfredo Fressia
Poeta Uruguaio

Olá, bom dia, destaco mais um poeta uruguaio para o Cantinho da Poesia desta segunda-feira.
Abraços,
Míriam



Poema do poeta Alfredo Fressia (Montevidéu, 1948), pertencente ao volume Susurro Sur , publicado por Valparaíso México e Círculo de Poesia. O poeta reside desde 1976 em São Paulo, devido à ditadura de seu país. Ele é, além de poeta, professor e tradutor de português.

Coração e você

Esse é o seu coração.
Não é um relógio
Não é um pássaro engaiolado.
(Não se deixe enganar pelos poetas)
É apenas um coração
com seu tecido fibroso de músculo teimoso
e uma certa vocação para o sigilo.
Às vezes a mão no peito
pergunte as batidas. Então
mão e coração são assustadores.
Você já sabe que as válvulas estão apertadas
como coroas majestosas.

Não é um leão.
Mais como um boi,
Ele obedece a si mesmo.
Você vai ouvir, você ouve, você ouviu
e você sempre ignorará as respostas.
Você morre todas as noites com ele
e quando acordar, ouça sua ruminação,
agitado ou calmo, ele e você,
para o mesmo tremor.
Você respira, ele escava mais uma vez
o sulco da mansidão
e inexplicavelmente
É apenas um coração.

Fonte: Círculo de Poesia