segunda-feira, 25 de junho de 2018


Jardim de Inverno de Pablo Neruda no Cantinho da Poesia

Bom dia amigos, iniciamos mais uma semana e que seja produtiva.
Na Coluna Cantinho da Poesia, destaco o livro “Jardim de Inverno” de Pablo Neruda, um dos poetas que mais gosto.

Jardim de Inverno
Edição bilíngue

Publicado pela primeira vez em 1975, Jardim de inverno é um dos vários títulos póstumos de Pablo Neruda. O livro integra aquela que é conhecida como a última fase poética do autor, reunindo versos escritos entre 1971, ano em que o poeta chileno foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, e 1973, ano da morte de Neruda.

Em Jardim de inverno, encontraremos um Neruda com menos preocupações sociais e políticas do que o da fase anterior e mais voltado para o mistério da vida da qual está se despedindo. São versos líricos e melancólicos, mas nunca autocomplacentes ou totalmente desprovidos do humor característico do poeta. Fazendo um balanço final e reafirmando sua profissão de fé, Neruda não consegue fazer outra coisa que não poesia do mais alto nível:

Que posso fazer se me escolheu a estrela 
Para ser um relâmpago, e se o espinho 
Me conduziu à dor de alguns que são muitos? 
O que fazer se cada movimento 
De minha mão me aproximou da rosa?
A publicação de Jardim de inverno faz parte do projeto de edição da obra de Neruda em formato de livro de bolso.


Pablo Neruda

Ricardo Neftalí Reyes Basoalto nasceu na cidade chilena de Parral, em 12 de julho de 1904. Sua mãe era professora e morreu logo após o nascimento do filho. Seu pai, que era funcionário de ferrovia, mudou-se, alguns anos mais tarde, para a cidade de Temuco onde se casou novamente com Trinidad Candia Malverde. Ricardo passou a infân­cia perto de florestas, em meio à natureza virgem, o que marcaria para sempre seu imaginário, refletindo-se na sua obra literária. 
Em Temuco, conheceu a poetisa Gabriela Mistral, então diretora de uma escola, que muito se afeiçoou a ele.
Com treze anos, Ricardo começou a contribuir com alguns textos para o jornal La montaña. Foi em 1920 que surgiu o pseudônimo Pablo Neruda – uma homenagem ao poeta tchecos­lovaco Jan Neruda (1834-1891) –, sob o qual o jovem publicava poemas no periódico literário Selva austral. Vários dos poemas deste período estão presentes em Crepusculário, o primeiro livro do poeta a ser publicado, em 1923. No ano seguinte, 1924, foi publicado o livro Veinte poemas de amor y uma canción desesperada, no qual a mulher simboliza o mundo que o jovem poeta ânsia por conhecer.
Além das suas atividades literárias, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile. No período de 1927 a 1935, trabalhou como diplomata para o governo chileno, vivendo em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. 
Em 1971, Pablo Neruda recebeu a honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura, por causa de sua poesia que, “com a ação de forças elementares dá vida ao destino e aos sonhos de todo um continente”. Publicou, a seguir, Geografia infructuosa (1972). Pablo Neruda morreu em Santiago do Chile, em 23 de setembro de 1973, apenas alguns dias após o golpe militar que depusera da presidência do país o seu amigo Salvador Allende, em 11 de setembro. Vários livros de poesia daquele que foi a voz poética mais célebre e universal do século 20 foram publicados postumamente. São eles: El mar y las campanas (1973), El corazón amarillo (1974), Defectos escogidos (1974), El libro de las preguntas (1974), Elegia (1974) e Jardim de inverno (1975). Também foram publicados após a morte de Neruda os livros de prosa Confesso que vivi (memórias), 1974, e Para nascer he nascido (1978).

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