segunda-feira, 18 de junho de 2018


Ariano Suassuna no Cantinho da Poesia
A viagem, com mote de Fernando Pessoa



Meu sangue, do pragal das Altas Beiras,
boiou no Mar vermelhas Caravelas:
À Nau Catarineta e à Barca Bela
late o Potro castanho de asas Negras.

E aportou. Rosas de ouro, azul Chaveira,
Onça malhada a violar Cadelas,
Depôs sextantes, Astrolábios, velas,
No planalto da Pedra sertaneja.

Hoje, jogral Cigano e tresmalhado,
Vaqueiro de seu couro cravejado.
Com Medalhas de prata, a faiscar,

bebendo o Sol de fogo e o Mundo oco,
meu coração é um Almirante louco
Que abandonou a profissão do Mar.

Ariano Suassuna, “Dez Sonetos com Mote Alheio”. Recife: edição manuscrita e iluminogravura pelo autor, 1980. 

Ariano Suassuna

Ariano Vilar Suassuna (16/06/1927 – 23/07/2014), foi dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor. Idealizador do Movimento Armorial e autor das obras Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino, entre outros.  
Dentre peças, Auto da Compadecida, O Santo e a Porca e O Rico Avarento.
Filmes, O Auto da Compadecida, Os Trapalhões no Auto da Compadecida, A Compadecida.

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