sábado, 30 de junho de 2018


Oficina Escrita Não-Original
Inscrições abertas para o primeiro módulo

Bom dia amigos, excelente sábado a todos nós.
Interessados em participar da oficina gratuita que acontece na Casa das Rosas, em São Paulo, devem se inscrever, pois as vagas são limitadas até o preenchimento das vagas.


Oficina
Acontece às quartas-feiras, dias 11 e 18/07, das 19h às 21h, sendo a primeira aula no dia 04/07, mesmo horário.
Ministrada por Reynaldo Damazio, a oficina buscará mostrar como o processo de criação literária tem sido, ao longo da história, permeado pela prática de apropriação de estilos e estéticas, bem como de incorporação de referências e citações, nem sempre explícitas.

Inscrições:
Faça sua inscrição online ou presencialmente, na recepção da Casa das Rosas. As inscrições estão abertas até o preenchimento das vagas.
É necessário confirmar a inscrição frequentando a primeira aula de cada curso. Faltar na primeira aula implica o desligamento automático do aluno.


Reynaldo Damazio
Editor, crítico literário, escritor e gestor cultural. Formado em Ciências Sociais pela USP. É coordenador do Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas.

Serviço:
Oficina Escrita Não-Original com Reynaldo Damazio
Quando: dias 04, 11 e 18 de julho
Horário: das 19h às 21h
Local: Casa das Rosas – Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo
Mais informações: (55 11) 3285-6986/3288-9447

sexta-feira, 29 de junho de 2018


16º Encontro de Corais do SESI/Rotary

Olá, bom dia amigos, excelente sexta-feira a todos nós.
Recebi convite do SESI deste importante evento cultural e estendo a oportunidade. As apresentações são gratuitas.
Abraços,
Míriam



O tradicional encontro conta com apresentações que buscam dar visibilidade aos corais da região. Mantendo a parceria com o Rotary, esta edição promete entregar ao público um concerto extraordinário, capaz de apresentar ao ouvinte uma variedade de sensações.
O encontro acontece nos dias 29 e 30/06, 06 e 07/07, sempre às 19h30, no SESI Santos (Av. Nossa Senhora de Fátima, 366, Jardim Santa Maria).
As grandes vozes da Baixada Santista em uma celebração à perfeição do canto. Em parceria com o Rotary, a 16ª edição promete emocionar o público com o melhor que o canto pode oferecer.
As apresentações reúnem corais da cidade de Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão, Itanhaém e Peruíbe. Cada coral terá um tempo máximo de apresentação de 12 minutos ou 4 músicas, sem ultrapassar o tempo determinado.


Serviço:
16ª Encontro de Corais do SESI/Rotary
Quando: sextas e sábados, dias 29 e 30 de junho; 6 e 7 de julho – às 19h30
Local: SESI Santos - Av. Nossa Senhora de Fátima, 366, Jardim Santa Maria (estacionamento gratuito no local)
Mais informações: (13) 3209-8210 

quinta-feira, 28 de junho de 2018


Coluna Dicas da Língua Portuguesa
Uso da crase

Bom dia amigos, hoje é quinta-feira e dia da coluna Dicas da Língua Portuguesa.
Que tal recordarmos algumas dicas simples do uso correto da crase? Então vamos aos exemplos:

-A crase deve ser empregada apenas diante de palavras femininas: 
Caso você fique em dúvida sobre quando utilizar o acento grave, substitua a palavra feminina por uma masculina: se o “a” virar “ao”, ele receberá o acento grave.
As amigas foram à confraternização de final de ano da empresa.
Substitua a palavra “confraternização” pela palavra “encontro”:
As amigas foram ao encontro de final de ano da empresa.


-Lembre-se de utilizar a crase em expressões que indiquem hora: 
Antes de locuções indicativas de horas, empregue o acento grave.
Às três horas começaremos a estudar.
A partida de futebol terá início às 17h.
Ele esteve aqui às 8h, mas foi embora porque não te encontrou.
Não se usa crase:
Ele decidiu ir embora, pois estava esperando desde as 10h.
Marcaram o encontro no restaurante para as 20h.
Fique tranquilo, eu estarei no trabalho até as 9h.

-Antes de locuções adverbiais femininas que expressam ideia de tempo, lugar e modo.
Às vezes chegamos mais cedo à escola.
Ele terminou a prova às pressas, pois já passava do horário.

-A crase, na maioria das vezes, não ocorre antes de palavra masculina: 
O pagamento das dívidas foi feito a prazo.
Os primos foram para a fazenda andar a cavalo.
Tempere com pimenta e sal a gosto.
Eles viajaram a bordo de uma aeronave moderna.
Marcos foi a pé para o escritório.
-Se usa crase, expressão “à moda de”  implícita:
Ele cantou a canção à Roberto Carlos. (Ele cantou a canção à moda de Roberto Carlos).
Ele fez um gol à Pele. (Ele fez um gol à moda de Pelé).
Ele comprou sapatos à Luís XV. (Ele comprou sapatos à moda de Luís XV).

Fonte: UOL Educação  

terça-feira, 26 de junho de 2018


Site gratuito dá 'match' entre pessoas que queiram trocar livros

Precisa trocar os títulos que estão parados na estante por novas leituras? O site Renova Livro, totalmente gratuito, pode colocá-lo em contato com outras pessoas com o mesmo interesse.
De forma simples e prática, ele promove a colaboração, sem envolver dinheiro. Livros novos ou usados podem ser disponibilizados. As trocas são combinadas entre o dono do livro e o solicitante, por e-mail ou telefone.


Como funciona

-Cadastre-se no site e disponibilize o livro que queira trocar, para que seja visto por outros membros do Renova Livro;
-Ao solicitarem seu livro, você e o solicitante recebem um e-mail com dados de contato um do outro;
-Combine com o solicitante a forma de entrega ou envio do livro;
-Quando o livro for entregue, o solicitante deverá acessar o site e indicar o recebimento (procedimento obrigatório);
-Desta forma, você ganha um ponto que poderá ser trocado por qualquer livro disponibilizado no site e assim o ciclo se repete.

Fonte: Catraca Livre 

segunda-feira, 25 de junho de 2018


Jardim de Inverno de Pablo Neruda no Cantinho da Poesia

Bom dia amigos, iniciamos mais uma semana e que seja produtiva.
Na Coluna Cantinho da Poesia, destaco o livro “Jardim de Inverno” de Pablo Neruda, um dos poetas que mais gosto.

Jardim de Inverno
Edição bilíngue

Publicado pela primeira vez em 1975, Jardim de inverno é um dos vários títulos póstumos de Pablo Neruda. O livro integra aquela que é conhecida como a última fase poética do autor, reunindo versos escritos entre 1971, ano em que o poeta chileno foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, e 1973, ano da morte de Neruda.

Em Jardim de inverno, encontraremos um Neruda com menos preocupações sociais e políticas do que o da fase anterior e mais voltado para o mistério da vida da qual está se despedindo. São versos líricos e melancólicos, mas nunca autocomplacentes ou totalmente desprovidos do humor característico do poeta. Fazendo um balanço final e reafirmando sua profissão de fé, Neruda não consegue fazer outra coisa que não poesia do mais alto nível:

Que posso fazer se me escolheu a estrela 
Para ser um relâmpago, e se o espinho 
Me conduziu à dor de alguns que são muitos? 
O que fazer se cada movimento 
De minha mão me aproximou da rosa?
A publicação de Jardim de inverno faz parte do projeto de edição da obra de Neruda em formato de livro de bolso.


Pablo Neruda

Ricardo Neftalí Reyes Basoalto nasceu na cidade chilena de Parral, em 12 de julho de 1904. Sua mãe era professora e morreu logo após o nascimento do filho. Seu pai, que era funcionário de ferrovia, mudou-se, alguns anos mais tarde, para a cidade de Temuco onde se casou novamente com Trinidad Candia Malverde. Ricardo passou a infân­cia perto de florestas, em meio à natureza virgem, o que marcaria para sempre seu imaginário, refletindo-se na sua obra literária. 
Em Temuco, conheceu a poetisa Gabriela Mistral, então diretora de uma escola, que muito se afeiçoou a ele.
Com treze anos, Ricardo começou a contribuir com alguns textos para o jornal La montaña. Foi em 1920 que surgiu o pseudônimo Pablo Neruda – uma homenagem ao poeta tchecos­lovaco Jan Neruda (1834-1891) –, sob o qual o jovem publicava poemas no periódico literário Selva austral. Vários dos poemas deste período estão presentes em Crepusculário, o primeiro livro do poeta a ser publicado, em 1923. No ano seguinte, 1924, foi publicado o livro Veinte poemas de amor y uma canción desesperada, no qual a mulher simboliza o mundo que o jovem poeta ânsia por conhecer.
Além das suas atividades literárias, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile. No período de 1927 a 1935, trabalhou como diplomata para o governo chileno, vivendo em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. 
Em 1971, Pablo Neruda recebeu a honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura, por causa de sua poesia que, “com a ação de forças elementares dá vida ao destino e aos sonhos de todo um continente”. Publicou, a seguir, Geografia infructuosa (1972). Pablo Neruda morreu em Santiago do Chile, em 23 de setembro de 1973, apenas alguns dias após o golpe militar que depusera da presidência do país o seu amigo Salvador Allende, em 11 de setembro. Vários livros de poesia daquele que foi a voz poética mais célebre e universal do século 20 foram publicados postumamente. São eles: El mar y las campanas (1973), El corazón amarillo (1974), Defectos escogidos (1974), El libro de las preguntas (1974), Elegia (1974) e Jardim de inverno (1975). Também foram publicados após a morte de Neruda os livros de prosa Confesso que vivi (memórias), 1974, e Para nascer he nascido (1978).

domingo, 24 de junho de 2018


Evento na Pinacoteca Santista homenageia o Rei do Baião

Neste domingo (24), a partir das 17 horas, evento na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, homenageia o cantor Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Algumas das belíssimas composições do artista serão apresentadas em combinação inédita de piano e cantores líricos, com arranjos do tenor santista Wanderson Cosme.


Serviço:
Homenagem a Luiz Gonzaga
Quando: domingo, dia 24, às 17 horas
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto – Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos (Casarão Branco em frente à praia, com estacionamento na Rua Dr. Epitácio Pessoa)

Luiz Gonzaga
Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989/Pernambuco) foi compositor e cantor. Sanfoneiro recebeu o título de “Rei do Baião”, responsável pela valorização dos ritmos nordestinos, levou o baião, o xote e o xaxado, para todo o País. A música "Asa Branca" feita em parceria com Humberto Teixeira, gravada por Luiz Gonzaga no dia 3 de março de 1947, virou hino do Nordeste brasileiro.


Sucessos:
Asa Branca; Luar do Sertão; Súplica Cearense; A Feira de Caruaru; Xote das Meninas; Danado de Bom e Baião de Dois, entre outros.
Filmes: A Morte Comanda o Cangaço; Sai de Baixo e Sem Essa Aranha. 

sábado, 23 de junho de 2018


Palestra VI Fórum de Direitos Autorais na Casa das Rosas

Bom dia amigos e excelente sabadão.
Importante fórum acontece na Casa das Rosas na próxima semana, acompanhe a programação.
O VI Fórum de Direitos Autorais conduzido por João Ibaixe Júnior acontece na terça-feira, dia 26, das19h às 21h, na Casa das Rosas, em São Paulo.
O Fórum, realizado pelo Centro de Apoio ao Escritor em parceria com a OAB-SP, procura discutir e esclarecer, com base na legislação vigente, dúvidas sobre os mais variados aspectos relacionados a direitos de autor, plágio, uso de imagens e propriedade intelectual.


Serviço:
VI Fórum de Direitos Autorais
Quando: dia 26/06, das 19h às 21h
Local: Casa das Rosas – Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo
Mais informações: (55 11) 3285-6986/3288-9447

sexta-feira, 22 de junho de 2018


Dica de leitura: O Monge e o Executivo

Autor: James C. Hunter
Editora: Sextante
Páginas: 139

O livro conta a história de John Daily, um executivo bem sucedido, com uma boa vida e totalmente feliz, só que ele começa a perceber que a vida dele tem mais problemas do que imagina. Seu casamento está acabando, o relacionamento com seus filhos está péssimo e na sua empresa seus funcionários estão em greve.
John sempre pensou que ele sempre estava certo e que nada da sua vida estava errado, só que quando esses problemas acontecem ele
começa a perceber quanto sua vida está desordenada. E depois de muita insistência de sua esposa e de seu pastor ele decide passar uma semana em um retiro num monastério. Lá a vida é totalmente tranquila e equilibrada, onde todos acordam às 5h30 da manhã para participar das reuniões religiosas, além que durante toda a semana ele terá aulas com um monge Simeão. O monge Simeão, e na verdade Leonard Hoffman, um ex-executivo que abandonou tudo depois da morte de sua esposa, e decidiu seguir a vida de monge. Simeão dar aulas de liderança e ensinar como se deve tratar as pessoas, e de que tratar as pessoas com ignorância não levará em nada.
É um livro que aborda a questão de escolhas, da liderança. De que se você respeitar as pessoas, amá-las e tratá-las como amor, você será um bom líder e, acima de tudo, será uma pessoa melhor. Essas aulas desafiam os alunos a enfrentarem e questionarem seus preconceitos, suas dúvidas em relação a vida, e como ser tornar um verdadeiro líder. Simeão nos ensina que a vida é muito mais simples do que pesamos, e que sempre devemos respeitar as pessoas, pois com o respeito, amor, carinho podemos conquistar qualquer coisa. E que o poder é algo que faz você se ludibriar e isso pode fazer você perder sua integridade.
É um livro que te marca do começo ao fim, o autor nos encanta com sua narrativa leve e dinâmica, onde aprendemos sobre a essência da liderança, e de que para ser tornar um bom líder é preciso muita responsabilidade e dedicação. No decorrer da estória John começa a mudar seus pensamentos sobre a vida e aprende a vê o mundo com outros olhos, se tornando um homem melhor.

Consultor-chefe da empresa J.D. Hunter Associates, LLC, uma empresa estadunidense de consultoria de relações de trabalho e treinamento, fundada em 1985. Lastreado nos anos de sua experiência profissional, Hunter, além de consultor, tornou-se também instrutor e palestrante, principalmente na área de liderança funcional e organização de grupos comunitários. Atualmente, ele mora em Michigan (EUA) com sua esposa e filha.

Gostaram da dica de leitura de hoje?
A indicação partiu do leitor Carlos Santos, que leu este livro quando necessitou fazer trabalho de faculdade e gostou.
Obrigada Carlos e continue a nos enviar suas dicas.
Abraços,
Míriam

quinta-feira, 21 de junho de 2018


Dicas da Língua Portuguesa
Uso correto do Hífen

Bom dia amigos e excelente dia.
Para a coluna Dicas da Língua Portuguesa, com a vigência do Novo Acordo Ortográfico é preciso ficar atento também ao uso correto do Hífen.
Acompanhe algumas regras básicas e simples:


Espero que as dicas sejam úteis no dia a dia.
Abraços,
Míriam

quarta-feira, 20 de junho de 2018


Conto: Prometeu

Olá amigos, excelente quarta-feira a todos nós.
Quase me esqueço de disponibilizar aqui na página o conto Prometeu, que faz parte da Revista Conexão Literatura deste mês em homenagem ao aniversário de 200 anos de Frankenstein, rascunhado em junho de 1816.
Espero que gostem de minha humilde homenagem à obra sem igual de Mary Shelley.

Prometeu

Frankenstein comemora 200 anos! A obra, que mistura elementos de terror e ficção científica, foi criação de uma aposta na casa do poeta inglês Lord Byron, em junho de 1816, que lançou o desafio ao grupo de amigos: Mary Godwin (mais tarde Mary Shelley),
John Polidori, Percy Shelley e Claire Clermont.
           
Manhã de ventos fortes atrapalham o sábado na Baixada Santista, dia 19 de maio de 2018, véspera de um grande dia para os atletas que anualmente participam da competição “10 KM Tribuna FM”. Muitos corredores deixaram para treinar até o último momento e o sábado foi de fortes pancadas de chuva, ventos que derrubaram árvores e causaram alagamentos.
Para mim que não preciso treinar a intempérie do tempo não atrapalhou em nada, muito pelo contrário, pois a natureza clamava por água de chuva!
E essa reclusão temporária devido ao mal tempo me levou a arrumar o armário dos livros e logo que comecei a mexer nas prateleiras, caiu-me nas mãos “Frankenstein”, de Mary Shelley, que recentemente completou 200 anos. Dei uma folheada no livro e imaginei como seria o monstro se ela o tivesse escrito no futuro, e tudo aquilo ficou em minha mente, pois fui adormecendo com o clássico nas mãos...
...
De repente, me deparei com a folhinha pendurada na parede que apontava para maio de 2040.
Como? Indaguei surpresa com os olhos arregalados, não pode ser! Será um sonho? E ao mesmo tempo em que não sabia se sonhava ou vivenciava, me vi na rua, e era tanta gente andando que fiquei atordoada.
- Ei moça, onde estamos? Perguntei a uma jovem que passava com mochila nas costas, ela me olhou atravessada, mas respondeu.
- Bebeu? Estamos na Praça da Sé, não tá vendo a igreja? E continuou o seu caminho apressadamente. Mas parou e veio até mim. – Não sei de onde veio, você é estranha, mas digo que tome cuidado não fique dando mole por aqui a noite, ao cair à escuridão, muitas coisas acontecem nesta região, disse ela, que se virou rapidamente e seguiu seu rumo.
Olhei meu relógio e já eram cinco da tarde, o que ela falou me deixou intrigada, mas continuei caminhando por ali. A catedral continuava a mesma ainda naqueles tempos, com andaimes que indicavam reforma. As escadarias cheias de gente sentadas e outras em uma fila logo na entrada. Vi que alguém distribuía pão aos carentes e eram vários, sim, foi aí que me dei conta de quantas pessoas perambulavam sujos e rotos, aos montes pelo chão com olhos fixos no nada, sem lar, despidos de todas as necessidades que uma pessoa precisa, desnudos até a alma. São os esquecidos da sociedade, do mundo, são pessoas que nasceram nas ruas sem futuro, apenas com a luta diária da sobrevivência.
A igreja já começava a fechar as portas e quem não conseguiu o pão pegaria no dia seguinte. A fila de desesperados se dissipara. Achei estranho que as pessoas não pediam esmolas, se acostumaram com a pobreza.
E a escuridão chegou rápido, normal para outono. Comecei a andar pelo entorno da igreja foi quando me deparei com algumas pessoas mutiladas. Aquela cena me fez recordar minha estada, lá pelos anos de 1980, em Sinop, município do estado do Mato Grosso, no centro oeste do Brasil, conhecida também como a Capital do Nortão, mas naqueles tempos, por não ter um sistema de saúde e hospitais adequados para implantes de órgãos, os funcionários que perdiam os membros em acidente de trabalho em serrarias no meio da mata assim continuam. E essas pessoas, o que será que aconteceu com elas? Indaguei de pena e curiosidade.
Vi que andam com muletas, outros com mangas compridas tentando esconder “cotocos” do que sobrou de braços, já dá para imaginar que cena de horror! Eu os segui e essas pessoas se enfileiraram na porta de um lugar esquisito, era uma casa imensa, escura, sem jardim, com muros altos, janelas grandes com grades e fechadas e uma grande porta ao centro. Apenas o número do imóvel, 438, o identificava.
Cena típica de filmes de cinema: levantei o capuz da blusa e me encostei a lateral do muro da casa ficando de espreita observando. De repente a porta se abriu e alguém aos gritos empurra o pessoal da fila, ele queria passagem a todo custo, era mais um mutilado. Passou e saiu da casa, andava rápido com apenas uma perna e muletas. Novamente a fila foi interrompida por alguém que pedia passagem, só que desta vez, o pessoal saiu correndo e dispersou, e não foi por menos. O que vi sair de dentro da casa caminhando devagar e seguro de si é algo assim nunca visto antes! Fiquei rente ao muro o máximo que pude, bem, até poderia ter ido embora, pois em primeiro momento ele não me viu, mas a curiosidade...
Ele vinha devagar. De baixo para cima olhei os detalhes que pude: os pés deveriam ser enormes, pois as botas negras eram imensas. De calça sarja cinza escura as pernas longas se moldavam à troca de passo; o tórax grande coberto por camiseta negra deixava à mostra os braços musculosos e compridos. O cabelo negro ao ombro emoldurava o rosto perfeito com uma enorme cicatriz do lado esquerdo, que começava na boca e terminava no cabelo. Eu nunca havia vislumbrado um homem como ele em seus dois metros de altura. Dava medo só de olhar!
O homem que ele perseguia gritava e tentava correr o máximo que podia. Continuando a mesma passada, ele tirou de dentro do bolso da calça uma espécie de controle, que rapidamente voou atrás do pobre deficiente uma espécie de drone, porém, em determinado momento, soltou certeiramente uma rede, que o prendeu por inteiro, inclusive a perna e o fez cair ao chão. Tranquilamente o grandão foi até ele. Tirou a rede com uma mão e o pobre homem chorou e suplicou, mas de nada adiantou, pois o imenso o ergueu do chão e num piscar de olhos, pressionou nas mãos o crânio do homem, amassando a cabeça como se fosse uma folha de papel.
Aquilo foi demais para mim, e a Coisa percebeu minha presença por meu grito e vômitos. Sem me dar conta ele estava na minha frente...
...
Acordei dentro do lugar estranho, estava com as mãos amarradas e em pé presa por ganchos fincados em minha roupa. Era uma espécie de laboratório. Tudo organizado, claro, limpo e muita tecnologia. Vi o grandão sentado em uma poltrona. Na mesa o morto com a cabeça coberta, menos mal, mais adiante uma mulher mexia em um aparelho finalizando no computador. De costas pergunta:
- Você quem é? Estava nos espionando? – Questiona a mulher que veio até mim. E vi que o grandão não se mexeu e os olhos parados num vazio.
- Não sou ninguém, não estava espionando, nem sei onde estou, disse-lhe. O que é isto aqui? Pra que ele me trouxe? Perguntei.
- Aqui é meu laboratório e Prometeu é nossa obra-prima! Depois de anos de tentativas conseguimos esse sucesso.
- Há, então as tentativas foram com essa pobre gente mutilada? Vocês foram retirando os órgãos para experimentos? Indaguei.
- Não seja ridícula! Disse ela com sotaque germânico se apresentando como espécie de gerente da equipe, mas no local só estava ela e Prometeu.
- Com tanto avanço científico, para que precisaríamos desses corpos magros, doentes e sujos? Eles trabalham para nós e ficaram assim deformados porque no antigo laboratório aconteceu um grande acidente que atingiu essa gente. Prometeu foi concebido da mais alta tecnologia ele é perfeito, com tez humana, cabelos, dentes, orelhas, olhos e lábios humanos, de embriões congelados que passaram a nosso domínio, embriões escolhidos a dedo de pais inteligentes, belos e saudáveis. Esquecidos em clínicas de fertilização, ficamos com eles e foram desenvolvidos para que pudessem servir ao nosso experimento e ao futuro! Já os órgãos internos, cartilagem e ossos com técnicas das mais modernas.
- Por isso a força inumana, disse eu. E vomitei novamente ao pensar nos embriões. O que farão comigo? Fui logo ao assunto, pois palpitava que meu fim estaria próximo.
- Não sei, por sua boa aparência que me parece bem saudável, acho que deixaremos que Prometeu decida.
E num piscar de olhos vi que o grandão voltou os olhos pra mim. Levantou-se e veio em minha direção.
- Não, nãooo! ...
...
Acordei encharcada de suor. Não consegui me levantar, pois estava tonta. Sentei na beirada da cama até me sentir melhor e segura. Logo que melhorei, corri até a folhinha e o ano de 2018 me deu tremenda alegria e leveza de que tudo aquilo foi um sonho terrível, ou melhor, um pesadelo. Respirei aliviada e fui tomar banho para jantar.
Nem mal sai do banheiro e a mãe foi perguntando onde eu havia andado porque a roupa estava muito suja. A blusa com vômito e a calça inclusive com cheiro de urina...