quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

“As palavras voam”, de Cecília Meireles

Muito bom dia a todos nós.
Minha mãe está lendo “As palavras voam”, de Cecília Meireles e destaco “Canção do carreiro” para o Cantinho da Poesia, assim como o livro, para quem tiver interesse. Vale a pena, são poesias maravilhosas.



Canção do carreiro

Dia claro, 
vento sereno, 
roda, meu carro, 
que o mundo é pequeno. 

Quem veio para esta vida, 
tem de ir sempre de aventura: 
uma vez para a alegria, 
três vezes para a amargura. 

Dia claro, 
vento marinho, 
roda, meu carro, 
que é curto o caminho. 

Riquezas levo comigo. 
Impossível escondê-las: 
beijei meu corpo nos rios, 
dormi coberto de estrelas. 

Dia claro, 
vento do monte, 
roda, meu carro, 
que é perto o horizonte. 

Na verdade, o chão tem pedras, 
mas o tempo vence tudo. 
Com águas e vento quebra-as 
em areias de veludo... 

Dia claro, 
vento parado, 
roda, meu carro, 
para qualquer lado. 

Riquezas comigo levo. 
Impossível encobri-las: 
troquei conversas com o eco 
e amei nuvens intranquilas. 

Dia claro, 
de onde e de quando? 
Roda, meu carro, 
pois vamos rodando...

 
As palavras voam

Neste As palavras voam, Cecília Meireles é visitada por Bartolomeu Campos de Queirós, poeta e escritor que, como ela, sabia ver beleza na simplicidade e dedicou sua arte aos pequenos e aos nem tão pequenos assim. A seleção de Bartolomeu nos revela a poetisa que fala das coisas mais profundas e bonitas da essência humana.
Com um olhar leve e sincero, Cecília nos ensina encarar o mundo de frente, um lugar em que não existem apenas flores e passarinhos, mas também lágrimas, noite e escuridão, sem nunca perder a ternura.


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